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Fernando Fernandes explora o mundo sobre cadeira de rodas

Fernando Fernandes em paramotor sobre o Cristo Redentor - Divulgação
Fernando Fernandes em paramotor sobre o Cristo Redentor
Imagem: Divulgação

Marcel Vincenti

Colaboração para Nossa

27/07/2021 04h00

Quando uma batida de carro o deixou paraplégico, em 2009, Fernando Fernandes tinha 28 anos de idade e uma vida de agenda cheia.

Ele já havia participado de um Big Brother Brasil (na segunda edição do programa, em 2002) e tido trabalhos que o fizeram viajar pelo território brasileiro e pelo mundo: na adolescência, percorreu o país e a América do Sul como jogador de futebol. E, já adulto, pôde conhecer diversos destinos internacionais atuando como modelo de marcas de grife.

O acidente colocou Fernando em uma cadeira de rodas, mas não impediu que ele se reinventasse e, ao mesmo tempo, continuasse com sua vida de esportista viajante e de aparições na mídia.

Na última década, por exemplo, ele desbravou a costa do Nordeste para praticar kitesurfe adaptado, realizou voos livres no Ceará e foi até a Bolívia para encarar (e vencer) um árduo percurso pelo Salar de Uyuni sobre uma handbike (triciclo movido com a força dos braços).

Handbike no Rio - Divulgação - Divulgação
Handbike no Rio
Imagem: Divulgação

"Através das viagens que fiz como jogador de futebol e modelo, peguei gosto por conhecer novas culturas e novos lugares. E comecei a sentir necessidade de estar sempre em movimento. Foi uma paixão criada dentro de mim", afirma Fernando.

Mas, depois do acidente, a primeira coisa que eu pensei foi 'e agora? Como faço para viajar?'".

A resposta para estas questões veio através do esporte. "Desde o começo, entendi que eu tinha que estar preparado fisicamente para lidar com todas as dificuldades que iriam aparecer no caminho. Se eu me mantivesse como o Fernando atleta, estaria pronto para a vida. Percebi que, quanto mais preparado fisicamente eu estivesse, mais liberdade eu teria nas minhas viagens".

Trajeto com a handbike - Divulgação - Divulgação
Trajeto com a handbike
Imagem: Divulgação

"Novas rotas"

Na cadeira de rodas, Fernando logo voltou a cuidar do seu condicionamento físico e, no próprio ano de 2009, alguns meses após o acidente, completou o percurso da prova de cadeirantes da São Silvestre.

A experiência o fortaleceu imensamente e, nos anos seguintes, surgiu uma nova vida de viajante. "Vi que tinha que descobrir novas rotas e pegar a estrada com o coração aberto e o espírito livre", diz ele.

E estas novas rotas o levaram a lindos lugares do mundo onde ele poderia praticar esportes adaptados.

Handbike no Salar de Uyuni, na Bolívia - Divulgação - Divulgação
Handbike no Salar de Uyuni, na Bolívia
Imagem: Divulgação

Como sua handbike, por exemplo, ele percorreu, além do Salar de Uyuni, lugares incríveis no Brasil e no exterior, como o Jalapão e o Havaí — e também pegou o hábito de atravessar a orla do Rio de Janeiro com o triciclo.

Cruzar a orla do Rio de handbike é uma delícia, passando por aquela ciclovia ao lado de praias lindas", opina.

Já no kitesurfe, Fernando explorou inúmeras vezes o mar que banha o litoral do Ceará. "O Brasil é o melhor lugar do mundo para fazer kitesurfe", diz.

Kitesurf adaptado no Nordeste - Divulgação - Divulgação
Kitesurf adaptado no Nordeste
Imagem: Divulgação

A canoagem, por sua vez, virou um dos esportes favoritos de Fernando, levando-o até emocionantes cursos de água no Brasil (e, hoje, ele é multicampeão mundial de paracanoagem).

E as viagens dele não se resumem à terra e à água, mas também vão para o céu: o ex-BBB aprendeu a pilotar paramotor e, com o "brinquedinho", já sobrevoou paisagens como o Corcovado, no Rio de Janeiro.

Youtuber de viagem

Viagens de Fernando Fernandes

Além da vida no esporte, Fernando lançou neste mês seu canal no YouTube, em que mostra suas vivências e experiências mundo afora.

Entre os locais explorados estão Lago Paranoá, Chapada dos Veadeiros, Jalapão, Quixadá e Taíba e Lençóis Maranhenses. O primeiro episódio explora a vila de pescadores Flecheiras, localizada no litoral de Ceará e mostra momentos de tensão, como a falha no motor do asa delta em que Fernando pilotava, que forçou um pouso de emergência.

"Falhas técnicas fazem parte e seguimos com a jornada conhecendo a tranquilidade", conta.

Lugares mais acessíveis

Os Estados Unidos estão entre os países que Fernando considera mais acessíveis para cadeirantes.

Lá, encontrei um mundo onde não me preocupava com nada e sentia uma liberdade extrema. Você vai para quase qualquer lugar nos Estados Unidos e encontra acessibilidade", diz ele.

"Além disso, Israel e a Áustria são países onde há muitos lugares acessíveis", lembra.

Fernando em Jerusalém, Israel - Divulgação - Divulgação
Fernando em Jerusalém, Israel
Imagem: Divulgação

Não à toa, Fernando elege o centro urbano austríaco de Hallstatt (cercado por montanhas e junto a um lindo lago) como um de seus lugares preferidos na vida para fazer turismo.

No Brasil, por outro lado, ele acha que ainda há poucos destinos preparados para receber cadeirantes.

Aqui no país, é muito difícil citar lugares que tenham acessibilidade perfeita. Fernando de Noronha, por exemplo, oferece algumas coisas boas, como praia acessível. E Balneário Camboriú é um destino com boas calçadas e com hotéis que estão preparados. Mas é difícil pensar em outros locais com boa acessibilidade".

Mesmo já tendo conhecido diversos cantos do mundo, Fernando ainda tem planos grandiosos de viagem.

Em breve, ele irá para a Islândia, para percorrer com sua handbike, paramotor e equipamento de kitesurfe o país, famoso por suas paisagens marcadas por cachoeiras, vulcões e praias surreais. "Acho que vai ser uma das grandes viagens da minha vida", diz.