PUBLICIDADE
Topo

O que o Japão tem de diferente? A cantora Fernanda Takai dá seus palpites

Juliana Sayuri

Colaboração para Nossa

22/07/2021 04h00

Fernanda Takai, 49 anos, é sansei: neta de japoneses, que migraram para o Brasil no século passado. Nascida na Serra do Navio, no noroeste do Amapá, a cantora e compositora tinha 35 anos quando pisou no Japão pela primeira vez. Foi uma viagem de férias que lhe despertou um desejo de explorar o arquipélago que, a partir desta sexta-feira (23), abriga as Olimpíadas de Tóquio-2020.

De volta ao Brasil, ela se dedicou a estudar a língua japonesa com afinco. Desde então, já viajou diversas vezes ao Japão, tanto de férias quanto a trabalho, subindo nos palcos de rock junto à banda Pato Fu ou embalando a brasileiríssima bossa nova, a menina dos olhos de sua carreira solo — e um hit nas casas de shows nipônicas.

O Japão é um lugar para onde quero voltar, voltar e voltar. É uma vontade que se renova e que me atrai. Talvez por um desejo de descoberta, de reconhecer minhas próprias origens"

fernanda takay - Bruno Senna - Bruno Senna
Imagem: Bruno Senna

Curadora convidada por Nossa para a série de conteúdos especiais sobre o Japão, Takai reconheceu traços de sua família nas cidades japonesas, nos altares budistas, na voz mais baixa dos passageiros nos trens, nos trejeitos dos corpos, nos movimentos de cozinheiros habilidosos que a fizeram lembrar de sua avó japonesa que cozinhava utilizando apenas hashis, os palitinhos japoneses.

Entre o novo e o familiar, ela busca explorar bairros, cidades e províncias diferentes a cada viagem.

O que sempre me impressiona é o 'omotenashi' [a cultura da hospitalidade japonesa], o que faz com que a gente se sinta bem e bem-vindo no lugar"

viela beco no japão lanternas - Yoav Aziz/Unsplash - Yoav Aziz/Unsplash
Imagem: Yoav Aziz/Unsplash

O Japão de Fernanda Takai é colorido, diverso e estranhamente familiar. Nesta temporada, Nossa traz uma viagem ao redor da "Terra do Sol Nascente" com esse norte, destacando a culinária japonesa além do sushi, os contrastes entre a penumbra de templos budistas no monte Koya e as luzes neon de Tóquio.

As reportagens especiais também passeiam pelo aroma das casas centenárias de chá nos arredores de Quioto e o ar high tech de hotéis 100% atendidos por robôs, as antigas tradições do quimono e a onipresença das máscaras em tempos de pandemia de covid-19.

temporada japão, lanternas, gueixa - Bantersnaps/Unsplash - Bantersnaps/Unsplash
Imagem: Bantersnaps/Unsplash

Dividido em 47 províncias, o arquipélago japonês é composto por quatro ilhas principais (Hokkaido, Honshu, Shikoku e Kyushu) e milhares de ilhas menores, muitas delas desabitadas.

Nem de longe é um país perfeito, marcado por contradições, conflitos bélicos e invasões imperialistas — e, se olhar de perto, dá para ver como a história se faz presente até hoje, seja na singularidade de Okinawa (reino independente que foi anexado pelos japoneses no século 19 e ocupado por norte-americanos no século 20), seja nas lembranças do monjayaki, um tipo de panqueca japonesa que remete aos tempos de escassez da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Monjayaki em Tóquio - Getty Images/iStockphoto - Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

O monjayaki foi uma das últimas descobertas de Takai. "Você se senta em uma mesa e mistura vários legumes em uma chapa com um caldo com ovo. Diz-se que, extrema dificuldade, utilizava-se até papel para engrossar o caldo", conta.

Descobrir algo novo, algo diferente é que impulsiona essas minhas idas e vindas"

fernanda takai - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Idas e vindas, aliás, também marcam a história do país. Dois fluxos migratórios cruzaram o mundo: um do Japão ao Brasil a partir de 1908 (como fizeram os avós de Takai) e outro, na direção inversa, do Brasil ao Japão a partir da década de 1990.

Foi quando milhares de nipo-brasileiros foram trabalhar temporariamente no arquipélago, um fenômeno conhecido como "dekassegui". Hoje, há cerca de 200 mil brasileiros vivendo no Japão. Entre eles, muitos fãs de Takai.

"Não vejo a hora de voltar", diz ela. Quando a pandemia terminar, a cantora pretende visitar o país pela oitava vez, preferencialmente na primavera, para contemplar as cerejeiras em flor como fazem os japoneses.