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Trilhas no Norte do Brasil: viajante explora belezas de Roraima ao Amapá

Thayná Mafra Almeida em trilha imersiva no Amazonas - Arquivo pessoal
Thayná Mafra Almeida em trilha imersiva no Amazonas
Imagem: Arquivo pessoal

Marcel Vincenti

Colaboração para Nossa

08/06/2021 04h00

Ainda que abrigue natureza abundante e lugares selvagens e pouco explorados, a região Norte ainda não é reconhecida por suas trilhas, como são os cânions do Rio Grande do Sul, os cenários montanhosos da Serra da Mantiqueira ou as Chapadas da Bahia, Mato Grosso e Goiás.

Há viajantes, porém, que viraram especialistas em caminhar pelos cenários naturais da área. Este é o exemplo da mineira Thayná Mafra Almeida (@thaymafra), de 25 anos, que, nos últimos tempos, realizou diversos trekkings por estados como Roraima, Amazonas e Amapá.

Apaixonada pela natureza e trilheira experiente, ela conta que, no Norte, os turistas podem curtir ambientes com mata mais fechada.

Nas caminhadas, a gente frequentemente ouve uma riqueza de sons da natureza e admira árvores gigantescas. E a força da água dos rios e das cachoeiras é algo surreal".

Abaixo, ela indica cinco caminhadas imperdíveis nesta parte do Brasil e que podem ser feitas em um dia, sem necessidade de pernoite no meio da trilha.

*Antes de viajar para os destinos mencionados, verifique se o acesso aos locais não está interditado por causa da pandemia.

Roraima

Thayná Mafra Almeida no Mirante Mão de Deus, em Roraima - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Thayná Mafra Almeida no Mirante Mão de Deus, em Roraima
Imagem: Arquivo pessoal

No norte do estado, está localizada a Serra do Tepequém, uma região com oportunidades para lindas caminhadas na natureza. Na área, Thayná indica o percurso que dá acesso à cachoeira da Laje Verde, à cachoeira do Paiva e ao mirante Mão de Deus.

O trajeto pode ser feito em um único dia.

A cachoeira do Paiva é muito boa para banho e, do mirante Mão de Deus, você tem uma visão geral da região. Você fica em cima de uma pedra e consegue ver toda a área, que é muito bonita".

Thayná Mafra Almeida na cachoeira da Laje Verde, em Roraima - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Thayná Mafra Almeida na cachoeira da Laje Verde, em Roraima
Imagem: Arquivo pessoal

A viajante diz que, para chegar à cachoeira da Laje Verde, encarou um trecho curto, mas muito íngreme. "É uma caminhada de moderada a difícil, dependendo do nível de experiência da pessoa. E não há sinalizações. Fui entrando no meio do mato e, de repente, me deparei com a cachoeira, em um lugar lindo".

Para esta caminhada, recomenda-se a contratação de uma agência ou guia turístico. O percurso pode ser acessado a partir do município de Amajarí.

Amazonas

Localizado a aproximadamente 130 quilômetros de Manaus, o município de Presidente Figueiredo abriga dezenas de cachoeiras, além de corredeiras e grutas — e tudo, logicamente, cercado por muita floresta. E, neste destino, Thayná conta que se apaixonou pela trilha que leva à cachoeira das Araras e à cachoeira de Iracema.

Thayná Mafra Almeida na Cachoeira das Araras, Amazonas - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Thayná Mafra Almeida na Cachoeira das Araras, Amazonas
Imagem: Arquivo pessoal

"É uma trilha de fácil acesso, quase sem aclives e bem sinalizada, que primeiro leva até a cachoeira das Araras e, depois, dá acesso à cachoeira de Iracema. E, no caminho, há algumas grutas, em uma paisagem bem bonita", explica a viajante.

E o que me chamou mais a atenção foi a força das águas. Mesmo não sendo altas, as cachoeiras são muito fortes. É uma trilha indicada para quem busca uma caminhada mais fácil no Norte".

Para realizar este passeio, o turista pode se hospedar na própria cidade de Presidente Figueiredo. Thayná contratou um guia para fazer o percurso.

Thayná Mafra Almeida em hotel de selva no Amazonas - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Thayná Mafra Almeida em hotel de selva no Amazonas
Imagem: Arquivo pessoal

Ainda no Amazonas, Thayná indica trilhas imersivas na floresta que hotéis de selva do Estado organizam para seus hóspedes.

Ela se hospedou, por exemplo, em um hotel de selva na região do rio Juma e, durante a estadia, realizou uma caminhada de aproximadamente quatro horas na floresta amazônica, em uma experiência imersiva no meio de um ambiente selvagem.

Eu estava com um guia que me explicou os detalhes das folhas, dos frutos e das árvores da Amazônia. Você sente as texturas e aromas amazônicos, em uma experiência muito sensorial", conta ela.

Há diversos hotéis de selva na Amazônia que costumam realizar tours imersivos e guiados na floresta, como o Anavilhanas Jungle Lodge e o Juma Amazon Lodge.

Pará

Alter do Chão é conhecido por suas paradisíacas praias de rio, mas, na região, é também possível realizar belíssimas trilhas na natureza.

Thayná Mafra Almeida em Alter do Chão, no Pará - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Thayná Mafra Almeida em Alter do Chão, no Pará
Imagem: Arquivo pessoal

Aqui, Thayná indica a caminhada na Serra Piraoca. "Quando você chega na Ilha do Amor, já dá para visualizar a Serra Piraoca, um ponto alto de Alter do Chão. E, para subir, não é preciso contratar guia", diz.

"É uma trilha bem tranquila e, em menos de uma hora, você consegue chegar ao topo. Lá em cima, há um mirante que dá visão de 360º da região [com o rio Tapajós visto de ângulo privilegiado]. Vale a pena fazer este percurso nos primeiros dias em Alter, para já sentir a exuberância do local".

Amapá

A partir do município de Serra do Navio, é possível fazer a Trilha do Mirante da Mina F12, em um trajeto que passa pela região do rio Amapari e que leva ao tal do mirante, com vista espetacular para um lago verde-esmeralda cercado pela floresta.

Thayná Mafra Almeida no Amapá - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Thayná Mafra Almeida no Amapá
Imagem: Arquivo pessoal
Thayná Mafra Almeida no Mirante da Mina - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Thayná Mafra Almeida no Mirante da Mina
Imagem: Arquivo pessoal

Para fazer o passeio, Thayná cruzou o rio a bordo de um barco e, após desembarcar em terra firme, começou a caminhada. "É uma trilha curta, com extensão entre 3 e 4 quilômetros. No percurso, você para primeiro na lagoa para um banho e, depois, sobe até o mirante. Lá em cima tem um balanço e locais para sentar e descansar. E, para quem quiser passar a noite, que não foi meu caso, dá para acampar por lá e pegar o nascer do sol".

Para esta trilha, recomenda-se a contratação de uma agência ou guia turístico.

Desafios e cuidados para trilhas no Norte

Thayná Mafra Almeida em trilha na região Norte - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Thayná Mafra Almeida em trilha na região Norte
Imagem: Arquivo pessoal

Thayná conta que o Norte tem uma vantagem: na região, há trilhas curtas que concentram uma enorme quantidade de paisagens lindíssimas. Ou seja: com frequência, não é preciso caminhar muito para se deparar com belas imagens naturais, como cachoeiras, rios e mirantes para a floresta.

O desafio, entretanto, é chegar ao ponto de partida das trilhas.

Acho que, de uma maneira geral, os trilheiros do resto do Brasil não buscam a região Norte por uma questão logística.

Às vezes, é difícil chegar aos Estados onde estão as trilhas, pois é preciso encarar várias conexões aéreas e voos demorados e caros. E não é fácil encontrar informações sobre as trilhas na internet".

Para a viajante, antes de se jogar em algumas destas caminhadas, é importante estabelecer contato com pessoas que já fizeram as trilhas, para colher informações sobre como é a viagem e pegar contatos de guias locais confiáveis que possam conduzir o turista com segurança nos trajetos. Estas pessoas podem ser encontradas através de sites ou do Instagram.

"Blogs, Instagram e YouTube têm muitas informações sobre as trilhas do Norte nos dias de hoje. Enfatizo que é importante olhar vários relatos diferentes para fazer um apanhado geral e chegar a informações confiáveis", diz Thayná.