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"Carioca classe média quer falar igual ao da favela", diz Teresa Cristina

De Nossa

06/06/2021 04h00

Qual a expressão mais carioca na fala? Zeca Camargo disparou a pergunta no jogo rápido de perguntas da estreia da segunda temporada do programa Brasil com Zeca, de Nossa. Do outro lado da tela, a carioquíssima cantora Teresa Cristina, referência dos sambistas desta geração e a "Rainha das Lives", título coroado durante a pandemia por conta de suas apresentações ao vivo nas redes.

"O carioca de classe média bem-sucedido está sempre querendo falar como da favela, então a gíria que vai usar é sempre a gíria da favela, mesmo que ele não more lá", responde Teresa.

E a cantora elege a principal gíria: "Nem fudendo". "É uma expressão que o carioca usa para tudo. E ela pode dizer várias coisas", diz.

Foi neste clima divertido de bate-papo entre amigos que Teresa também confessou que fica sem graça com o apelido "Rainha das Lives". E falou sobre outro desafio que viveu durante o período de pandemia: comandar o seu próprio programa.

No "Botequim da Teresa", que foi ao ar no UOL (você pode assistir todos os episódios no YouTube de Nossa ou clicando no quadro abaixo), a cantora cozinhou alguns dos petiscos mais famosos de botecos do Rio de Janeiro e conversou com amigos como Dudu Nobre, Preta Gil, Alcione e Gregorio Duvivier. Apresentar esta série foi, segundo ela, uma experiência que explorou os limites da sua própria zona de conforto.

"A gente consegue ter ouvido para aprender muita coisa que ainda não sabemos", opina. "Por mais que eu estivesse falando de comida de boteco, pratos, tudo que eu amo, ao mesmo tempo eu tinha que juntar isso com os convidados e música. Então, de alguma forma, foi fácil".

Sobre as lives, quando questionada se acredita que a nova ferramenta é uma maneira de se conectar musicalmente, Teresa honra seu apelido e diz que sempre esteve disposta a participar dessa nova via de comunicação com os seus fãs por meio das redes sociais.

"Eu vou te confessar que sou muito do contra", diz ela aos risos. "Quando começou a pandemia, em uma semana, aquela galera mais descolada não aguentava mais lives. Todo mundo começou a falar muito mal, logo no inicio. Então, eu pensei: as pessoas estão muito incomodadas com isso... Vou fazer!".

A gente é muito mais do que um rótulo que dão pra gente."

O Rio de Janeiro: berço da música

Teresa Cristina - Ricardo Borges/UOL - Ricardo Borges/UOL
Teresa Cristina
Imagem: Ricardo Borges/UOL

Desde os anos 1990, Teresa Cristina já mostrava sua voz ao Brasil. A carreira da carioca não só nasceu no Rio de Janeiro, como foi modulada pela capital — enquanto transitava pelos bairros em que morou, fosse na Zona Sul no no subúrbio.

"Eu nasci em Bom Sucesso, mas morei muito tempo na Vila de Penha. Meu sonho sempre foi morar na Zona Sul, e posteriormente, acabei indo pro Leblon. O bairro mais classe alta. Fiquei por lá 10 anos".

Quando engravidei da minha filha, eu quis criá-la no subúrbio. O que eu percebi na Zona Sul, é que eu poderia evitar essa coisa blasé de lá. Não gosto de gente que finge não conhecer a pessoa, quando passa por ela na rua, não trata bem o vizinho, entre outras coisas".

O contato com o samba começou aos 8 anos, enquanto o pai colocava samba para tocar. No entanto, era a disco music quem a arrepiava no começo. O ritmo brasileiro ganhou força quando já adulta, enquanto frequentava bares com o marido.

"Começamos a ir até shows de samba na Zona Sul", relembrou. "Não posso ser ingrata com o fato de que a classe media ajudou muito o samba nacional".

A saudade do que já viveu

Teresa Cristina - Ricardo Borges/UOL - Ricardo Borges/UOL
Teresa Cristina
Imagem: Ricardo Borges/UOL

Para Teresa, a saudade do palco, como já era esperado, existe. No entanto, antes disso: "Do que eu estou com mais saudade é uma boa aglomeração de uma roda de samba", reforça.

Embora já tenha trilhado uma longa carreira enquanto cantava em frente aos milhares de ouvintes, a cantora diz que o palco ainda a deixa nervosa.

"Tenho saudade, mas eu sempre fui muito tímida em cima dele", comenta. "Ficava com olho fechado. Mas sei que esse momento deve acontecer em breve".

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Imagem: UOL/Nossa

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