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Cobogós integram de forma leve e trazem a brasilidade para dentro de casa

Cobogó é recurso bem brasileirinho e versátil na decoração de ambientes - Divulgação
Cobogó é recurso bem brasileirinho e versátil na decoração de ambientes Imagem: Divulgação

Claudia Dias

Colaboração para Nossa

07/05/2021 04h00

Certos itens adotados na construção e na reforma de cômodos ou imóveis atendem objetivos tanto da arquitetura quanto da decoração. É o caso do cobogó, uma espécie de tijolo vazado inventado no Recife, com a proposta de melhorar a ventilação nas casas nordestinas no fim da década de 1920.

Mas indo além da funcionalidade inicial, acabou se tornando um elemento estético, bastante valorizado hoje em dia para delimitar áreas, decorar paredes ou simplesmente garantir o ar retrô a diferentes projetos.

Muitas opções

Quando o português Amadeu Oliveira Coimbra, o alemão Ernest August Boeckmann, ambos comerciantes, e o engenheiro brasileiro Antonio de Góes desenvolveram e patentearam a peça, lá em 1929, a solução era puramente prática, inspirada em treliças de madeira da arquitetura árabe, chamadas de muxarabi.

Originalmente feito de concreto, o cobogó ganhou muitas adaptações com o passar do tempo. Atualmente, é possível encontrar peças mais sofisticadas, feitas de cerâmica, com acabamento esmaltado e pintadas em cores diferentes, e até de PVC.

Projeto da Doob Arquitetura - Júlia Ribeiro | Divulgação - Júlia Ribeiro | Divulgação
Projeto da Doob Arquitetura
Imagem: Júlia Ribeiro | Divulgação

"Ainda há outros materiais, como madeira, ferro e vidro, gerando padrões únicos que podem servir mais ou menos para o mesmo propósito que o cobogó original", comenta a arquiteta Carina Dal Fabbro.

Batizado com a junção das sílabas iniciais dos sobrenomes do trio criador (Coimbra, Boeckmann e Góes), o cobogó pode ser adotado em qualquer cômodo da casa, desde que a falta de privacidade não seja um problema. Outro porém: não deve ser usado como substituto de paredes de alvenaria comum, já que não suporta muito peso.

Então onde usar?

De acordo com a arquiteta e designer de interiores Cristiane Schiavoni, tais tijolos vazados foram amplamente adotados na arquitetura modernista. Por isso é que hoje há vários modelos com desenhos de inspiração retrô, remetendo às décadas de 1940 e 1950, período de auge desse item.

Cobogó - Marco Antonio/Divulgação - Marco Antonio/Divulgação
Imagem: Marco Antonio/Divulgação

Na atual fase de "revival", os cobogós têm sido usados para demarcar espaços de forma leve e sutil, sem romper totalmente a integração entre os cômodos. "Eles deixam passar a luz e o vento. Também filtram a insolação direta nos ambientes, regulando a temperatura", observa a arquiteta Carina.

Tássia Pereira, designer de interiores do TT Interiores, lembra que é preciso analisar o espaço a ser contemplado para definir o tipo de material dos cobogós.

Eles são bem-vindos em todos os ambientes, mas é necessário avaliar se tem muito sol, se pode acabar molhando, por exemplo. Ainda deve combinar com o estilo da decoração", opina.

Para ela, o ideal é não misturar diferentes tipos de cobogós, evitando formatos, cores e matérias-primas destoantes. "Em relação à quantidade, depende do tamanho do espaço e dos elementos decorativos que existem ali para não ficar cansativo, uma vez que o cobogó já chama muita atenção", diz.

Ideias não faltam

A seguir, apresentamos cinco diferentes aplicações de cobogós, confirmando a versatilidade da peça.

Painel retrô

Projeto de Cristiane Schiavoni - Raul Fonseca - Raul Fonseca
Projeto de Cristiane Schiavoni
Imagem: Raul Fonseca

A ideia inicial da arquiteta Cristiane Schiavoni era dar privacidade à porta do lavado, à esquerda da entrada, sem perder ventilação e iluminação. Por isso, desenhou um painel diferente para a TV, dando continuidade ao material adotado na entrada do apê — no caso, cobogós.

O elemento branco trouxe movimento, sem poluir visualmente. Na parte do eletrônico, o painel possui uma base de madeira ao fundo, facilitando a manutenção e garantindo a resistência da estrutura que acomoda o vão ocupado pela televisão.

Entrada discreta

Projeto de Andrade & Mello Arquitetura e Interiores - Luis Gomes - Luis Gomes
Projeto de Andrade & Mello Arquitetura e Interiores
Imagem: Luis Gomes

Neste projeto em que cozinha e sala de estar são separadas sutilmente por um balcão, o cobogó verde de linhas orgânicas que parecem galhos foi adotado para delimitar o hall de acesso e a área social, preenchendo o espaço com personalidade.

A divisória, ideia do escritório Andrade & Mello Arquitetura e Interiores, tem um cor nada convencional, igualmente adotada na cozinha personalizada, e cumpre bem a função de trazer referências da natureza para dentro do apartamento.

Vento e luz

Projeto de Marina Carvalho - Evelyn Müller - Evelyn Müller
Projeto de Marina Carvalho
Imagem: Evelyn Müller

O apartamento antigo reformado para as proprietárias que amam cozinhar ganhou cobogós na área úmida da casa. Antes, o ambiente sofria com má circulação e o excesso de armários para o espaço limitado. Coube à arquiteta Marina Carvalho projetar as mudanças, demolindo a antiga área de serviço, que foi transformada em copa.

Para aumentar a circulação de ar, a profissional optou por cobogós nas laterais da copa. Ainda conseguiu aproveitar melhor o espaço, adequando os armários ao novo ambiente.

Discreta separação

Projeto de Studio ió Arquitetura - Renato Navarro - Renato Navarro
Projeto de Studio ió Arquitetura
Imagem: Renato Navarro

A fim de separar a área da cozinha do escritório, sem prejudicar a iluminação e a ventilação natural, a arquiteta e lighting designer Carolina Ciola Fonseca, do Studio ió Arquitetura, optou por uma parede estreita de cobogós.

A área social contempla ainda salas de estar e jantar delimitadas pelo layout dos móveis. Na parte destinada ao trabalho, o elemento vazado esfera na cor preta conversa harmoniosamente com a parede de concreto aparente.

Uso inusitado

Projeto de TT Interiores - Renato Navarro - Renato Navarro
Projeto de TT Interiores
Imagem: Renato Navarro

O projeto da varanda gourmet do apartamento assinado pelo escritório TT Interiores foi guiado pelo amarelo vibrante, presente em pontos específicos do ambiente.

Ali, o cobogó foi adotado em uso alternativo: em vez de separar ambientes e promover ventilação, as peças vazadas foram aplicadas como elemento decorativo na parte de baixo da bancada de madeira, trazendo graça e harmonia para o cômodo.