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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Victoria's Secret tenta retomar lugar ao sol com moda inclusiva de biquínis

Coleção de swimwear da Victoria"s Secret - Divulgação
Coleção de swimwear da Victoria's Secret Imagem: Divulgação

Gustavo Frank

De Nossa

26/02/2021 04h00

Os últimos anos não foram dos melhores para a Victoria's Secret. Criada em 1997, a marca da lingerie firmou um padrão de beleza que respinga até hoje no universo da moda: modelos altas e magras, com asas nas costas e pedras preciosas bordadas nos bustos. O modelo usado por Gisele Bündchen, em 2000, entrou no Guiness Book como a peça íntima mais cara do mundo.

Gisele Bündchen com o "Red Hot Fantasy Bra", avaliado em US $ 15 milhões e listado no Guinness World Records como a lingerie mais cara já criada - Getty Images - Getty Images
Gisele Bündchen com o "Red Hot Fantasy Bra", avaliado em US $ 15 milhões e listado no Guinness World Records como a lingerie mais cara já criada
Imagem: Getty Images

Atualmente, o icônico fashion show — um espetáculo com estrelas musicais embalando as angels na passarela e que teve pico de 12 milhões de telespectadores — não existe mais. Tanto o desfile físico como o conceito por si só.

O padrão criado pela VS deixou de fazer sentido ao longo do tempo, quando as grifes começaram a perceber que o seu público não necessariamente seriam moldes das irmãs Haddid. As ex-angels Bella e Gigi, inclusive, decidiram usar sua popularidade para dar luz a outra marca: a Savage Fenty, liderada por Rihanna — sendo o nascimento dessa visto por muitos como o strike final contra a antiga líder do mercado.

Bella Hadid para a Victoria's Secret - Getty Images - Getty Images
Bella Hadid para a Victoria's Secret
Imagem: Getty Images
A modelo para a Savage Fenty - Getty Images - Getty Images
A modelo para a Savage Fenty
Imagem: Getty Images

Essa sucessiva falha na adaptação da Victoria's Secret a levou, inicialmente, ao caminho de esquecimento do público. Mas agora a história é outra: a mais recente linha de swimwear da marca destaca o retorno das produções das roupas de banho com a etiqueta norte-americana, descontinuadas em 2016.

O que chamou a atenção para a maioria do público, principalmente os usuários das redes sociais, foi o acolhimento do dito "corpo real" para as fotos da campanha. A reformulação vai ainda além e inclui tamanhos que vão do PP ao GG.

Os estilos das peças em questão incluem biquínis de cintura alta, corte brasileiro, formas assimétricas e os cortes clássicos. Dessa forma, a Swim, como foi nomeada a coleção de retorno, permite às mulheres fazerem as suas próprias combinações com as cores e modelos.

Coleção de Swim da Victoria's Secret - Divulgação - Divulgação
Coleção de Swim da Victoria's Secret
Imagem: Divulgação
Contratação de modelos fora do padrão histórico da marca foi aclamada - Divulgação - Divulgação
Contratação de modelos fora do padrão histórico da marca foi aclamada
Imagem: Divulgação

"Os movimentos sociais hoje guiam muito o comportamento das marcas. Ignorá-los, não só faz com que essas se afastem do público, como também sejam desvalorizadas pelas concorrentes que tornam lutas raciais ou feministas, por exemplo, como um dos seus pilares", explica a consultora de marcas e professora de marketing Rita Palomares para Nossa.

Envolver comportamentos vai além da publicidade da marca e desperta o 'lado humano' de uma empresa, principalmente no universo da moda".
Rita Palomares

Com as vendas em queda desde 2020, e prejuízo que chega às cifras de milhões de dólares, a retomada da Victoria's Secret deve ser lenta, mas não impossível.

Por mais que seu histórico ainda perpetue o que vai no sentido contrário ao que muitas mulheres acreditem ser o ideal hoje em dia, o império criado por Roy Raymond ainda assim é relevante.

"A lingerie é vista como um acessório que representa empoderamento, autoestima, liberdade e sensualidade", opina a gerente de estilo Fernanda Graneiro para Nossa. "O conceito de roupas íntimas vai muito além de calcinha e sutiã, elas são consideradas também um símbolo da luta pela igualdade e liberdade feminina".

Com os desfiles físicos agora transportados às plataformas digitais, os runaways acontecem no feed do Instagram. Enquanto os fashion shows da VS chegavam a ter 12 milhões de telespectadores, em seu pico de audiência, agora são seus 68 milhões de seguidores na rede social o foco. Por lá, as angels ainda são predominantes, mas as "mulheres reais" já marcam presença. São elas, inclusive, as responsáveis pelo maior engajamento da página.

"Finalmente modelos que parecem 'normais'", escreveu uma seguidora na publicação abaixo.

Com a retomada da linha de biquínis pensada para o verão no hemisfério norte, que acontece entre os meses de junho e setembro, a Victoria's Secret busca o seu lugar ao sol nos novos tempos. Se assim continuar, a marca cria uma nova narrativa para si mesma e dará asas a novas mulheres, sem repetir a tragédia mitológica de Ícaro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL