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Madeleine: o bolinho francês que você vai querer em todo café da tarde

Doce tem textura fofinha e toque de limão-siciliano ou baunilha - Arquivo pessoal
Doce tem textura fofinha e toque de limão-siciliano ou baunilha Imagem: Arquivo pessoal

Gabrielli Menezes

De Nossa

27/01/2021 04h00

Uiara Araújo

Uiara Araújo

QUEM É

Ao longo de sua carreira como jornalista, descobriu duas aptidões e paixões: a cozinha e a câmera. Ao mudar-se para França, uniu as habilidades no Plat du Jour, um blog e YouTube de gastronomia com pitadas de viagem.

Clássica receita francesa, as madeleines são fofinhas, leves e possuem uma crosta fina e dourada. São usualmente assadas em formas pequenas, cujo formato lembra uma concha.

A textura é como a de um bolinho, mas o tamanho faz o doce ser entendido quase como uma bolacha — dá para comer mais de um! Nos mercados da França e de outros países da Europa, as madaleines são vendidas aos montes e vão de versões industrializadas a caseiras.

As crianças estão entre os maiores consumidores da guloseima. "Elas chegam da escola lá pelas 4h30 da tarde e vão fazer o goûter, que é o lanche da tarde, um equivalente ao chá das 5h dos ingleses", conta Uiara Araújo, jornalista gastronômica que vive na França e compartilha a sua receita de madeleine com Nossa.

Madeleine

Dificuldade Fácil
12 porções
140 min
Ver receita completa

Passo a passo simples

A parte mais complicada da receita é a espera. Após misturar os ingredientes base — ovos, açúcar, farinha, fermento e manteiga —, a massa precisa descansar cerca de duas horas dentro da geladeira.

Madeleines - Uiara - Uiara & Jb Charpentier - Uiara & Jb Charpentier
As madeleines: para comer junto com chá
Imagem: Uiara & Jb Charpentier

Ou seja, se quer comer o bolinho à tarde, como os franceses, faça os primeiros passos logo após o almoço. Em contrapartida, a passagem pelo forno é rápida: 13 minutinhos são suficientes.

Para que o doce fique aromático, Uiara sugere colocar raspas de limão-siciliano ou essência de baunilha, se for da sua preferência. Uma pitada de sal também vai bem para realçar o sabor.

Outra dica é não encher a forminha por completo. O fermento fará com que elas cresçam no calor do forno e transbordar não é legal... faz sujeira e a aparência deixa a desejar. Se não tiver os moldes típicos do doce, não encane: aquelas de minicupcakes também funcionam.

Um olhar para a história

Madeleines - Uiara - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Uiara: gosto por comida se tornou profissão
Imagem: Arquivo pessoal

Uiara conta que, quando era pequena, sua mãe a colocava no balcão da cozinha enquanto preparava as refeições. Pouco a pouco, ia apresentando os ingredientes para a pequena, já interessada por culinária.

O gosto pela coisa continuou na adolescência, quando os amigos iam estudar na sua casa e não perdiam a chance de levar na mala uma lata de leite condensado para fazer brigadeiro.

Nessa época também gostava muito de assistir aos programas de culinária na TV, tipo Ana Maria Braga, e sempre que ia fazer algo na cozinha eu ficava falando em voz alta, narrando os passos como se fosse uma apresentadora de TV."

Pesando no rumo que a vida tomou, a brincadeira foi quase uma premonição. Uiara trabalhou como jornalista em publicações importantes para a gastronomia de São Paulo. Durante um intercâmbio para a Inglaterra, conheceu o francês que viria a ser seu marido. Após morarem no Brasil por dois anos, decidiram se mudar para a França.

Para continuar a produzir conteúdo sobre comida, Uiara criou o Plat du Jour, um blog e canal de YouTube que mistura, em textos e vídeos, receitas, técnicas, passeios e um tanto de história francesa.

Madeleine de Commercy e de Proust

Madeleines - Uiara - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Histórias permeiam o imaginário do docinho francês
Imagem: Arquivo pessoal

Junto à receita de madeleine, publicada em seu blog, está a suposta origem do doce: "em 1755, Stanislas, o Rei da região da Lorraine, organiza um jantar. No meio da festa, o pâtissier da corte briga na cozinha e pede demissão, deixando a refeição sem sobremesa. Para resolver o problema, uma jovem serviçal que trabalhava ali faz um bolinho que era receita da sua família".

O rei, ao provar o bolinho, quis saber quem tinha preparado e qual era o nome da receita. A moça chamada Madeleine, ainda com mãos sujas de farinha, falou que a sobremesa não tinha um nome, mas que se tratava de uma receita tradicional da sua cidade, Commercy.

Assim, a pedida ficou conhecida como madeleines de Commercy.

Há ainda uma outra história que se liga com o doce. O escritor francês Marcel Proust revelou que a inspiração para o primeiro volume de "Em Busca do Tempo Perdido", uma de suas obras mais prestigiadas, foram as madeleines com chá.

A combinação teria dado impulso para uma nostálgica viagem por suas memórias de infância. A partir daí, as madeleines, que já eram adoradas no país europeu, ganharam um significado além da receita:

Quando comemos alguma coisa que nos faz pensar nos momentos de nossa infância diz-se que aquela coisa comida é uma madeleine de Proust".