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Colar de Maria Antonieta em "Lupin" não existiu, mas uma joia foi sua ruína

"O Caso do Colar de Diamante" é listado historicamente como um dos maiores golpes contra a realeza em todo o mundo - UIG via Getty Images
"O Caso do Colar de Diamante" é listado historicamente como um dos maiores golpes contra a realeza em todo o mundo
Imagem: UIG via Getty Images

Gustavo Frank

De Nossa

17/01/2021 04h00

Um colar de Maria Antonieta exposto no Museu do Louvre, em Paris, é uma das peças centrais da trama "Lupin", série da Netflix.

A obra é de ficção, assim como a joia retratada na produção. No entanto, a história em questão nos leva até um fato histórico e verídico: o colar de diamantes que, como citam alguns historiadores, destruiu a reputação da rainha às vésperas da Revolução Francesa.

Cena da série "Lupin", da Netflix, em que o personagem principal encara o colar fictício de Maria Antonieta - Reprodução/Netflix - Reprodução/Netflix
Cena da série "Lupin", da Netflix, em que o personagem principal encara o colar fictício de Maria Antonieta
Imagem: Reprodução/Netflix

O colar em questão foi uma obra feita, em 1772, após um pedido de Luís 15, com os melhores diamantes do mercado para presentear a sua amante Jeanne Bécu, conhecida como Madame du Barry — o que não aconteceu, pois o rei morreu e os joalheiros Boehmes e Bossange, consequentemente, não conseguiram vender o colar e se endividaram.

A peça teria sido encaminhada para Maria Antonieta, mas ela negaria por ser algo direcionado a uma prostituta e por custar o preço de quatro navios de guerra.

O golpe

"O Caso do Colar de Diamantes", como ficou popularmente conhecido, ocorreu por volta de 1785, e teve início pela paixão não correspondida do cardeal de Rohan por Maria Antonieta, que o desprezava por conta dos seus gastos abusivos em Versalhes.

Réplica do colar de diamantes da rainha Maria Antonieta, criado pelos joalheiros Böhmer e Bassange  - Reprodução - Reprodução
Réplica do colar de diamantes da rainha Maria Antonieta, criado pelos joalheiros Böhmer e Bassange
Imagem: Reprodução

Cientes dos sentimentos de Rohan, a condessa Jeanne de Valois de la Motte e Cagliostro criaram um golpe para que se apropriassem da fortuna dele. Com cartas forjadas, como se fossem escritas por Maria Antonieta, eles marcaram um encontro entre os dois. No entanto, quem apareceria no local combinado, um bosque, seria uma prostituta que se assemelhava com a rainha.

O plano deu certo: o local mal iluminado levou o cardeal Rohan a acreditar que ela fosse Maria Antonieta e emprestou 150 mil libras para ela.

O tempo passou e, além do dinheiro, a "gangue" o convenceu a ser intermediário na compra de um colar de diamantes no valor de 1,5 milhão de libras com os joalheiros os joalheiros Boehmes e Bossange. A desculpa para o empréstimo seria de que Maria Antonieta não queria alarmar seu marido, Luis 16, sobre a ostentação da fortuna.

"As joias eram mais significativas do que um mero acessório antigamente", conta o historiador João Braga para Nossa. "Eram elas quem diferenciavam os nobres dos plebeus".

O conceito de moda vem muito da realeza antiga, pois as pessoas tendiam a copiar o que os reis e rainhas usavam".

Cardeal de Rohan - Reprodução - Reprodução
Cardeal de Rohan
Imagem: Reprodução

Um acordo foi selado, a Maria Antonieta, "criada" pelos golpistas, pagaria indiretamente pelo colar, em 4 parcelas de 400 mil libras durante dois anos e o contrato de venda seria assinado pelo cardeal Louis de Rohan, pois o nome dela não poderia aparecer de forma alguma como a verdadeira compradora.

Em fevereiro de 1785, os joalheiros Böhmer e Bassange receberam o contrato assinado e entregaram o colar de diamantes diretamente nas mãos do cardeal. Ele então foi até a condessa Jeanne de Valois de la Motte, que estava acompanhada de seu cúmplice, Rétaux de Villette, fantasiado como um empregado pessoal de Maria Antonieta.

Revelações

Ilustração da execução de Maria Antonieta - Reprodução - Reprodução
Ilustração da execução de Maria Antonieta
Imagem: Reprodução

Nas mãos dos golpistas, o colar foi desmontado e vendido em Londres e Bruxelas. A trama foi desmascarada depois que os joalheiros, com o pagamento atrasado, entraram em contato direto com a cortesã pessoal da rainha.

O plano foi desvendado e o cardeal Rohan, mesmo inocente, e todos os outros membros fossem julgados. Todos foram acusados como culpados, por exceção da prostituta que fingiu se passar por Maria Antonieta.

O rei e a rainha, embora completamente alheios ao golpe, decidiram processar publicamente para defender sua honra. No entanto, o processo teve o efeito oposto, destruindo a reputação da rainha, que muitos acreditavam ter manipulado La Motte para se vingar de seu inimigo, o cardeal.

O "Caso do Colar de Diamantes" é considerado um dos fatos agravantes que destruíram a reputação da monarquia e aceleraram a deflagração da Revolução Francesa. A reputação da rainha, que ganhou o apelido de "Viúva Capeto", nunca se recuperou após o incidente e posteriormente seria guilhotinada na Praça da Revolução, na França.