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Viajantes profissionais contam como mudaram hábitos de viagem na pandemia

Fabiane Gama, do Loucos Por Viagem, em Lugano, na Suíça - Arquivo pessoal
Fabiane Gama, do Loucos Por Viagem, em Lugano, na Suíça Imagem: Arquivo pessoal

Marcel Vincenti

Colaboração para Nossa

07/01/2021 04h00

A pandemia paralisou viagens aéreas, fechou fronteiras, deixou o mundo em estado de apreensão e, por consequência, afetou profundamente a vida de quem ama viajar.

Na impossibilidade de se movimentar livremente pelo globo, uma legião de pessoas teve que mudar radicalmente seus hábitos turísticos.

A seguir, conheça seis pessoas que, durante a pandemia, tiveram que se adaptar para não deixar de viajar por aí.

Seth Kugel em Nova York - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Seth Kugel em Nova York
Imagem: Arquivo pessoal

Seth Kugel, de Nova York (EUA)

Quem é? Autor do canal Amigo Gringo, com mais de 577 mil inscritos no YouTube e 56 mil seguidores no Instagram.

Como eram as viagens antes da pandemia? Seth usava grande parte de seu tempo para "viajar" dentro da própria cidade de Nova York, para mostrar em seu canal as paisagens, as pessoas e a cultura da Big Apple para o público brasileiro. Fluente em português e grande conhecedor do Brasil, ele também sempre estava viajando pelo território brasileiro.

O que mudou durante a pandemia? Impossibilitado de realizar viagens internacionais e até de usar o metrô em Nova York durante a pandemia, Seth conta que, em boa parte deste ano, não passou de quatro quadras além de sua residência, na região do Queens.

"Sempre gostei de caminhar pelos bairros de Nova York, para conhecer pessoas, visitar restaurantes novos e ir a eventos. Mas tudo isso ficou impossível de ser feito", diz ele.

Produzindo atualmente muitos de seus vídeos desde casa, o norte-americano diz que, hoje, por causa da pandemia, apontaria novos tipos de lugares para serem visitados na Big Apple.

Recomendaria, por exemplo, as praias de Nova York, um tipo de lugar que nunca indiquei para ninguém. Mas, nas praias da cidade, é possível estar ao ar livre e viver uma certa atmosfera de normalidade nos dias de hoje".

Seth veio para o Brasil no final de dezembro mas, desta vez, realiza uma viagem diferente por aqui. Antes da pandemia, ele costumava reservar um tempo para explorar lugares fora da rota no território brasileiro (já esteve, por exemplo, em Rondônia). Mas, agora, só ficará no litoral brasileiro, sem se locomover tanto e tentando manter distanciamento social.

Seth Kugel em Nova York - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Seth Kugel em Nova York
Imagem: Arquivo pessoal

Quais foram as descobertas de viagem mais positivas neste ano? Seth acabou entrando em contato com novos atrativos de Nova York em 2020. Perto de sua casa, por exemplo, fica a avenida 34th Avenue - que, na reabertura gradual da cidade durante a pandemia, teve um de seus trechos fechado para carros.

"O lugar virou uma espécie de parque para pedestres. Agora, os moradores da região estão querendo manter o lugar desta maneira. E outra coisa boa que aconteceu na cidade foi o surgimento dos restaurantes ao ar livre", conta ele.

A prefeitura nova-iorquina permitiu que diversos estabelecimentos colocassem suas mesas nas calçadas (algo que não era comum por lá). "As pessoas adoraram. Deu ainda mais vida para as ruas daqui".

Rafael Carvalho e Adolfo Nomelini, de São Paulo (SP)

Rafael Carvalho, do Esse Mundo é Nosso, em Calhetas (litoral de São Paulo) - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Rafael Carvalho, do Esse Mundo é Nosso, em Calhetas (litoral de São Paulo)
Imagem: Arquivo pessoal

Quem são? Autores do blog de viagens Esse Mundo é Nosso e com mais de 280 mil seguidores no Instagram.

Como eram as viagens antes da pandemia? A dupla chegava a passar mais de seis meses por ano viajando pelo mundo. Visitaram destinos como Curaçao, Israel, Estados Unidos, Equador, Itália e Finlândia, além de diversos lugares no Brasil, Jericoacoara (CE) e Ilha Grande (RJ).

O que mudou durante a pandemia? Os dois ficaram em quarentena dentro de casa desde o início da pandemia. Voltaram a viajar apenas recentemente, quando foram para a praia de Toque-Toque Grande, no litoral norte de São Paulo, destino que consideraram ideal para um passeio com distanciamento social.

Adolfo Nomelini, do Esse Mundo é Nosso, em Toque-Toque Grande (litoral de São Paulo) - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Adolfo Nomelini, do Esse Mundo é Nosso, em Toque-Toque Grande (litoral de São Paulo)
Imagem: Arquivo pessoal

"Se fosse antes da pandemia, teríamos nos programado para visitar diversas praias da região por dia, para mostrá-las em nossos canais", conta Rafael. "Mas, agora, pudemos ter calma para aproveitar o lugar em que estávamos, pois não queríamos ficar circulando muito. Curtimos com tranquilidade o mar e o pôr do sol em Toque-Toque. Demos muito valor para estes momentos", relata Adolfo.

Quais foram as descobertas de viagem mais positivas neste ano? Até o começo de 2020, a maioria de suas viagens era para lugares distantes de São Paulo. Mas que, com a pandemia, resolveram ir para Toque-Toque Grande porque se trata de um destino que não exige passagem por aeroportos, aviões e outros locais propensos a aglomerações.

"Fomos de carro e gostamos muito da viagem", relata Rafael.

Quase não conhecíamos o litoral norte de São Paulo e, agora, queremos continuar visitando as praias da região".

Adolfo, por sua vez, conta que os dois pretendem realizar novos passeios nesta área em breve, para explorar locais como Ubatuba.

Fabiane Gama, do Loucos Por Viagem, na Grécia - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Fabiane Gama, do Loucos Por Viagem, na Grécia
Imagem: Arquivo pessoal

Fabiane Gama, entre Brasil e Portugal

Quem é? Autora do site de viagens Loucos Por Viagem e com mais de 556 mil seguidores no Instagram.

Como eram as viagens antes da pandemia? Fabiane passou os últimos anos viajando por grande parte do mundo, em jornadas que foram da Europa ao Caribe. Também já conhece muito bem o Brasil.

O que mudou durante a pandemia? Por causa da crise sanitária gerada pelo coronavírus, ela teve que concentrar suas viagens em solo europeu, onde se encontra neste momento.

"Quando a Europa reabriu, após controlar a primeira onda da pandemia, resolvi vir para cá, pois tenho cidadania portuguesa". Ela, então, começou a escolher destinos de viagem onde se sentiria segura, como Portugal e Suíça.

"Passei o verão europeu em países que controlaram muito bem a primeira onda da pandemia. Também me foquei em destinos de natureza e praia, onde é mais fácil manter o distanciamento social".

Fabiane Gama, do Loucos Por Viagem, no Alentejo (Portugal) - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Fabiane Gama, do Loucos Por Viagem, no Alentejo (Portugal)
Imagem: Arquivo pessoal

Quais foram as descobertas de viagem mais positivas neste ano? "Acho que meu maior desafio foi superar o medo e as incertezas de viajar no meio de uma pandemia.

Por isso, escolhi destinos de natureza em países que eu já conhecia bem, me sentindo mais segura e confortável emocionalmente".

Uma das constatações mais positivas de Fabiane aconteceu na Ilha da Madeira. "É um lugar que está extremamente organizado para receber os turistas nesta pandemia", afirma ela. "A ilha adotou muitos procedimentos de limpeza e segurança e, com isso, mantém os números de casos de covid-19 baixíssimos. Foi o destino mais organizado que visitei na Europa durante a pandemia. Por conta disso, ainda voltarei lá neste ano".

Isabella von Borowski, em Fernando de Noronha - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Isabella von Borowski, em Fernando de Noronha
Imagem: Arquivo pessoal

Isabella von Borowski, moradora do Guarujá (SP)

Quem é? Viajante que já esteve em diversos continentes, em países como África do Sul, Vietnã, Israel, Estados Unidos, Colômbia e Espanha.

Como eram as viagens antes da pandemia? Em sua vida, Isabella sempre deu prioridade para viagens internacionais.

"Tenho muito interesse em conhecer culturas diferentes da brasileira. E, lá fora, é fácil encontrar lugares bem preparados para receber o turista, o que muitas vezes não acontece no Brasil. Além disso, em muitos casos, era mais barato viajar para o exterior do que para o Nordeste, por exemplo".

O que mudou durante a pandemia? Isabella resolveu começar a explorar mais as belezas do território nacional.

Com a pandemia, ficou impossível viajar para muitos lugares no exterior. Então, na hora de aproveitar feriados e férias neste ano, comecei a voltar os olhos para o Brasil".

Ela foi para locais como Rio de Janeiro e Fernando de Noronha. "Era um lugar que sempre quis conhecer, mas adiava a viagem por causa dos custos, porque não é um passeio barato", diz.

Nesta jornada a Noronha, Isabella fez tour de barco, curtiu praias e admirou cartões-postais como o Morro Dois Irmãos.

Isabella von Borowski, no Rio de Janeiro - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Isabella von Borowski, no Rio de Janeiro
Imagem: Arquivo pessoal

Quais foram as descobertas de viagem mais positivas neste ano? A viajante relata que conheceu mais o Brasil a partir da culinária dos lugares que visitou. E ficou feliz por finalmente explorar o território verde a amarelo.

"Nosso país é muito grande e diferente. E estas viagens têm me proporcionado um maior conhecimento da cultura brasileira. Além disso, há a facilidade de locomoção. Aqui, viagens não envolvem passar por imigração e tirar vistos, o que é ótimo".

Isabella diz que os objetivos de suas próximas jornadas continuarão sendo destinos brasileiros com belezas naturais, como a Amazônia, Bonito (MS) e Lençóis Maranhenses.

Marcela Miranda, na ilha de Newfoundland (Canadá) - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Marcela Miranda, na ilha de Newfoundland (Canadá)
Imagem: Arquivo pessoal

Marcela Miranda, da ilha de Newfoundland (Canadá)

Quem é? Brasileira, dona de uma agência de publicidade na América do Norte e que, antes da pandemia, realizava viagens frequentemente.

Como eram as viagens antes da pandemia? Marcela tinha uma agitada agenda de viagens profissionais e de lazer, visitando destinos famosos como Miami, Orlando e Las Vegas, além de países da Europa como Portugal e Grécia.

O que mudou durante a pandemia? No começo deste ano, a brasileira se mudou para a ilha canadense de Newfoundland com seu marido, Stephen. Lá, muito por causa da pandemia, o casal começou a fazer verdadeiras jornadas de imersão na natureza.

Não tínhamos mais a opção de pegar voos para lugares distantes. E um dos pilares de Newfoundland é o ecoturismo. Vimos, então, uma oportunidade de explorar novas formas de viagem, agora por atrações naturais".

Durante 2020, ela e Stephen realizaram trilhas na floresta, escalaram uma montanha nevada e se hospedaram em lugares remotos cercados por muita natureza.

Marcela Miranda, da ilha de Newfoundland - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Marcela Miranda, da ilha de Newfoundland
Imagem: Arquivo pessoal

Quais foram as descobertas de viagem mais positivas neste ano? Marcela conta que sempre gostou de visitar lugares com atrativos naturais abundantes, como praias e áreas de floresta, como a Amazônia. Porém, afirma que, no Canadá, começou a realizar um ecoturismo mais imersivo.

"Antes, para mim, fazer um passeio de barco ou esquiar já era uma viagem na natureza. Mas, no meio da pandemia, aproveitei ao máximo este tipo de turismo, porque era a única opção possível de passeio. Realizamos uma viagem na qual passamos horas colhendo mirtilos. Em outra, fizemos uma fogueira sob as estrelas na frente de nosso local de hospedagem, que era uma cápsula ecológica abastecida com luz solar. Consegui me conectar de verdade com a natureza".