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Marcas viajam no tempo para questionar o futuro do país no 3º dia do SPFW

Marcas fizeram viagem no tempo entre o passado, presente e o futuro, tanto na moda e socialmente, para coleções no 3ª dia do Sâo Paulo Fashion Week: 25 anos - Reprodução/YouTube
Marcas fizeram viagem no tempo entre o passado, presente e o futuro, tanto na moda e socialmente, para coleções no 3ª dia do Sâo Paulo Fashion Week: 25 anos
Imagem: Reprodução/YouTube

Gustavo Frank

De Nossa

07/11/2020 08h30

A primeira exibição do terceiro dia do São Paulo Fashion Week, que comemora seus 25 anos em 2020, foi feita por Lucas Leão. Com o olhar voltado para o futuro, o estilista apresentou uma coleção de roupas totalmente digitalizada que teve como cenário um deserto, representando uma realidade do pós-mundo terreno.

"É como se tudo que a gente criasse fosse eterno", contou Lucas durante o bate-papo após a transmissão do vídeo. "A ideia é multiplicar a experiência do espectador".

O processo da moda digital, abordado pelo estilista e uma grande equipe, é o que muitos dizem ser o futuro sobre como nos vestiremos. Aqui no Brasil, Lucas dá esse passo inicial, junto a outros artistas ao redor do mundo, que estarão presentes no Brazil Immersive Fashion Week a partir de hoje.

O resgate do passado

O olhar voltado ao que experienciaremos nos próximos tempos trouxe, logo na sequência, uma atenção ao presente pela perspectiva criativa de Célio Dias, que comanda a LED.

Com 36 looks, a coleção intitulada "Brasileira", explorou as simbologias da bandeira do Brasil para questionar o atual cenário do país. Em determinados momentos do vídeo apresentado, ela aparecia inclusive sem as suas cores, como uma mensagem.

"A moda, enquanto forma de auto-expressão, deve evidenciar não apenas traços de personalidade, mas também nossa visão de mundo e posicionamentos", diz Célio.

A gente se perdeu no momento político atual. Precisamos voltar a ter orgulho de ser brasileiro"
Cèlio Dias

Misturando passarela, dança e roupas que exploram diferentes influências da cultura nacional e reforçam o design multicultural do país, o desfile celebrou ainda o "orgulho de ser brasileiro em todas as formas, cores e expressões".

SPFW 25 anos: LED - Ana Pazian - Ana Pazian
SPFW 25 anos: LED
Imagem: Ana Pazian

Lembranças foram revisitas também pela Handred, que celebrou Copacabana, no Rio de Janeiro, com uma coleção adaptada do inverno para o verão.

"Copacabana tem um contexto histórico de moda muito importante", disse o estilista André Namitala, ao citar a homenagem nostálgica para o bairro carioca.

As confecções, boutiques, depoimentos de avós e a nostalgia do bairro, uma espécie de casa para ele, estão traduzidas nas peças da marca.

O presente imediato

Seguindo o mesmo conceito, a Misci propôs amadurecimento ao Brasil em sua estreia no SPFW: "se reconhecer para poder evoluir, pensar num futuro".

"No ano de 2020, nós ficamos frente a frente com notícias e com cenários apocalípticos que são reflexos de toda a responsabilidade resultante da confusão política e ideológica que o nosso país está passando", defende a marca.

SPFW 25 anos: Misci - Luca Oliva - Luca Oliva
SPFW 25 anos: Misci
Imagem: Luca Oliva

A gravação foi realizada na região de Atafona, São João da Barra, localizado no litoral do estado do Rio de Janeiro.

Essa região é conhecida por estar sofrendo um desastre ambiental no qual o mar avança cada vez mais em direção a construções costeiras, fazendo com que a cidade perca força e vida até chegar no ponto em que é completamente destruída.

Dentro desse cenário, tivemos o intuito de abordar a destruição e o abandono do nosso país e da nossa nação".
Airon Martin, estilista responsável pela marca

O sufocamento do futuro

Encerrando o dia, surgiu João Pimenta com: "2020, o ano que em paramos de respirar".

O desfile trouxe modelos todos mascarados e com diversas sobreposições de roupas que conversam com esse conceito. A intenção foi causar claustrofobia, como o próprio estilista defendeu, e não esclarecer qual era o corpo embaixo da roupa, homem ou mulher, branco ou preto. Apenas um corpo.

Tentei transmitir nessas peças de roupa todo o sentimento que tive durante o isolamento. Essa claustrofobia que a gente está vivendo, em todos os sentidos"
João Pimenta

"Não quis mostrar a pessoa que estava usando a roupa. Quis neutralizá-lo para que todo mundo pudesse se ver naquelas produções", falou o estilista em conversa após a apresentação.

Em seu manifesto que remete a "tempos incertos", a marca questiona o papel do indivíduo no passado, presente e futuro que, de alguma forma, perdeu sua identidade embaixo de máscaras e luvas.

"Brilharam apenas os olhos, alegres ou tristes, contudo a comunicação do olhar passou a ser essencial. Este é o espírito do tempo".

SPFW: 25 anos em Nossa

Confira a cobertura completa de Nossa no São Paulo Fashion Week 25 neste link e por meio do nosso Instagram (@nossa_uol):