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Gins saborizados chegam para simplificar - mas rendem bons drinques?

Como a vodca anos atrás, o gim também ganha novos sabores. Mas o que isso muda nos seus drinques? - Getty Images/iStockphoto
Como a vodca anos atrás, o gim também ganha novos sabores. Mas o que isso muda nos seus drinques?
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Pedro Marquem

Colaboração para o Nossa

30/10/2020 04h00

Desde sempre, o principal sabor do gim vem do zimbro. Claro, nada impede que o gosto característico do destilado ganhe a companhia, geralmente discreta, de outros ingredientes - os rótulos produzidos com produtos brasileiros como caju, cacau e guaraná (só para citar alguns) são bons exemplos das possíveis combinações.

Mas isso é fichinha perto do que vem por aí. Lembra das vodcas do começo dos anos 2000, com centenas de sabores? A próxima onda do gim segue a mesma linha. Na Europa e nos EUA, rótulos com laranja, gengibre, chocolate e até marshmallow, entre outros ingredientes, são cada vez mais comuns.

Por aqui, a novidade chega aos poucos, com boas perspectivas de crescimento. "Em alguns países, os produtos saborizados são responsáveis por cerca de 20% do mercado de gim", afirma Veridiana Carvalho, diretora de marketing da Bacardí Brasil.

A marca lançou recentemente no país o Bombay Sapphire Bramble, gim com amoras e framboesas e, por enquanto, tem pouca concorrência, como a brasileira Draco, que acabou de lançar um gim com hibisco.

Bombay Sapphire Bramble - Divulgação - Divulgação
Bombay Sapphire Bramble
Imagem: Divulgação
Gim com hibisco, da Draco - Divulgação - Divulgação
Gim com hibisco, da Draco
Imagem: Divulgação

Mais simples - e o sabor?

Nos bares, a previsão é de dar nova cara a clássicos, começando pelo Gim Tônica. "É um jeito diferente de fazer o drinque e que chama a atenção", opina Jessica Sanchez, que já foi eleita melhor bartender da América Latina pela revista Forbes, e hoje é proprietária do Vizinho Gastrobar, na Barra da Tijuca (RJ).

Tom Collins  - Getty Images/iStockphoto - Getty Images/iStockphoto
Tom Collins
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Para Sanchez, a maioria dos gins saborizados atualmente à venda combinam com coquetéis mais simples e/ou refrescantes, como um Dry Martini ou um Tom Collins.

A ideia é simplificar o preparo. As pessoas precisam de coisas mais baratas e fáceis de usar", diz.

No caso de drinques mais elaborados, por outro lado, a bartender é reticente. "No Brasil, ainda faltam gins com sabor mais natural e que agradem o brasileiro.

Não faz sentido usar um gim de morango com sabor artificial se posso usar a fruta fresca e o resultado é muito melhor", explica.

Apesar da crítica, Sanchez não é contra os rótulos com sabor, tanto que serve em seu bar o Èlle, coquetel feito de gim com flor de sabugueiro, xarope de tônica e pó de ouro.

O drinque Èlle, elaborado por Jessica Sanchez - Divulgação - Divulgação
O drinque Èlle, elaborado por Jessica Sanchez
Imagem: Divulgação

E, justamente por ter explorado melhor esses gins, a bartender acredita que é questão de tempo para que os rótulos com marquem presença nas coqueteleiras. "Acho que vão chegar bebidas com ingredientes diferentes e a gente aqui no Brasil também vai produzir gins com sabores que combinam mais com o nosso paladar", afirma.