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Casal faz trilhas com filhos pequenos e dá dicas para quem quer começar

Família faz trilha em Alfredo Wagner (SC) - Arquivo pessoal
Família faz trilha em Alfredo Wagner (SC) Imagem: Arquivo pessoal

Aline Takashima

Colaboração para Nossa

21/10/2020 04h00

Quando a previsão do tempo indica finais de semana sem chuva, é certo que a família Tiscoski Barbosa da Silva irá explorar uma trilha. Claudia Roberta, 39 anos, e André, 45 anos, acordam os filhos bem cedo em dias de caminhada. Às 7h30, Malu, 13 anos, Erick, 11, e a caçula Lais, 5, estão prontos para a aventura.

Em dez anos de aventuras, o grupo soma mais de 60 trilhas no Paraná e em Santa Catarina, principalmente na região de Florianópolis, onde moram. Na primeira trilha da família, a primogênita tinha 3 anos e Erick 2. Já a caçula ainda nem andava quando participou da sua primeira caminhada.

A motivação para começar surgiu quando um amigo deu o guia "Trilhas e Caminhos da Ilha de Santa Catarina", de Augusto César Zeferino e Victor Emmanuel Carlson, que conta com informações detalhadas de 36 trilhas, na região de Florianópolis.

Na mesma hora a gente falou: 'vamos conhecer todas'", diz Claudia.

Não demorou para a família completar as caminhadas propostas no livro. Logo, o casal se tornou uma referência em trilhas para crianças.

Aprendendo na prática

Família na Trilha Soldado Sebold, em Alfredo Wagner (SC) - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Família na Trilha Soldado Sebold, em Alfredo Wagner (SC)
Imagem: Arquivo pessoal

Nas primeiras caminhadas da família, o filho do meio costumava ir na frente de todos, brincava de guiar o grupo. Certo dia, a tira do seu chinelo arrebentou enquanto corria. André, então, decidiu levar o filho no colo. Cerca de 100 metros depois, a família encontrou uma cobra gigante no caminho. "Se ele estivesse na frente, poderia ter sofrido um acidente. Eu brinco que foi Deus quem arrebentou o chinelo do Erick", conta André.

Esse foi o episódio mais assustador que enfrentaram. Fora outros como se perder no meio do mato ou quando a primogênita Malu espetou a mão em um espinho. "Esses incidentes foram um alerta. A gente entendeu que para a caminhada ser prazerosa, precisava saber mais do que os conhecimentos básicos nas trilhas", ressalta André.

Foi então que a família decidiu estudar. Paralelo às suas profissões como funcionário público e consultora de finanças, o casal se especializou em primeiros socorros e viagens de aventura. Já Malu e Erick participaram de um curso de Bombeiro Mirim, no ano passado.

Algo que certamente mudou desde que a família começou a fazer trilhas é a conexão entre eles.

É um trabalho em equipe e uma sensação de vitória quando chegamos juntos e seguros em um destino. É muito mais do que apenas uma trilha", conta André.

As trilhas preferidas das crianças

Mesmo tão pequena, Laís aproveita as caminhadas. Ela vai sentada em uma espécie de mochila para levar crianças em trilhas. De vez em quando, pede para andar como os outros integrantes da família. "Às vezes, ela reclama e diz: 'eu ainda não fiz exercício, quero caminhar'", conta Claudia.

Com bagagem como poucos, as crianças também têm os seus trajetos preferidos. A de Malu e Erick, por exemplos é a Trilha Cachoeira do Salto do Rio Vermelho, em Santo Amaro da Imperatriz - a 50 km de Florianópolis.

Irmãos aproveitam a Trilha Cachoeira do Salto do Rio Vermelho  - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Irmãos aproveitam a Trilha Cachoeira do Salto do Rio Vermelho
Imagem: Arquivo pessoal

"É uma trilha que tem uma subida difícil. No final chega numa cachoeira muito bonita", conta o menino de 11 anos.

Para se chegar lá, é necessário andar seis quilômetros no meio da Mata Atlântica. A trilha fica no meio do Parque Estadual Serra do Tabuleiro, a maior unidade de conservação de proteção de Santa Catarina, com quase 90 mil hectares.

O trajeto dura cerca de quatro horas e possui uma parte íngreme de 120 metros. Mas a família reconhece que o esforço compensa. O passeio culmina em uma cachoeira rodeada por floresta.

André com a pequena Laís na Trilha da Pedra Branca - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
André com a pequena Laís na Trilha da Pedra Branca
Imagem: Arquivo pessoal

Já a pequena Laís aponta a Trilha Pedra Branca, em São José, como a sua mais querida. "Quando a gente sobe, a gente tem uma vista incrível que dá para ver. Eu gosto do que dá para ver", entrega.

O objetivo deste trajeto é chegar, justamente, na Pedra Branca, uma grande rocha cinzenta, situada a quase 500 metros acima do nível do mar. Na floresta da Mata Atlântica, há flores como orquídeas e bromélias e alguns cursos d'água. A família realiza o trajeto de seis quilômetros em, aproximadamente, quatro horas.

Dicas da família especialista

Família faz trilha na Praia do Gravatá, em Florianópolis - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Família faz trilha na Praia do Gravatá, em Florianópolis
Imagem: Arquivo pessoal

Quer começar a fazer suas trilhas? A família dá orientações essenciais para não passar aperto:

Estude o trajeto

"A gente estuda a quilometragem, a habilidade, se é fácil ou difícil", conta. Ele utiliza aplicativos no celular que mostram os caminhos e também lê comentários de aventureiros.

"Em alguns casos, vamos só com adultos e com um guia antes de levar os pequenos." Certas trilhas definitivamente não são recomendadas para crianças. "Alguns lugares são bem perigosos, até para os adultos. É preciso muito cuidado para ter prazer do início ao fim."

Chinelo e trilha não combinam

André explica que o ideal é ir com uma bota para trilha e uma perneira, uma espécie de caneleira, que protege a perna, na região entre o joelho e o pé. O equipamento barra a picada de animais peçonhentos, como aranhas e cobras. Uma opção para quem não tem uma bota é usar tênis para atividade física.

Calça é melhor que bermuda

Ao longo de suas caminhadas, a família percebeu que a calça esportiva é a melhor alternativa. "A gente sempre voltava para casa com arranhões na perna. Depois que começamos a usar calça, melhorou bastante", conta Claudia. O ideal é que as roupas sejam leves, confortáveis e permitam a movimentação do corpo.

Fique de olho no céu e na terra

Um dia antes de qualquer passeio, confira a previsão do tempo. E, se for para um local com cachoeira, rio ou praia, preste atenção no volume d'água. "Em certos lugares, a água sobe muito rápido, pode ser perigoso. Cuidado também com a maré na praia", aconselha Claudia.

Leve água e comida

"Passar fome e sede na trilha é terrível", conta André. É por isso que a família organiza bem o cardápio dos passeios. Costuma levar frutas como maçã, tangerina e morango. O que também não falta na mochila são bolachas e barrinhas de cereais. Em trilhas mais longas, eles preparam um sanduíche com pão, tomate e salame. "Evitamos comidas que precisam de refrigeração", explica Claudia.

Indicação para novatos

Malu, Erick, Claudia e uma amiga, na trilha da Costa da Lagoa - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Malu, Erick, Claudia e uma amiga, na trilha da Costa da Lagoa
Imagem: Arquivo pessoal

Para quem quer se aventurar pela primeira vez em caminhadas com crianças, o casal indica a trilha da Costa da Lagoa, em Florianópolis. O passeio começa na Lagoa da Conceição, um famoso ponto turístico da cidade, especificamente na região do Canto dos Araçás.

A trilha é como uma viagem no tempo., já que, no apogeu do período colonial na cidade, o caminho era tomado por engenhos de cana e mandioca, e roças. Hoje, restaram uma casa colonial construída por volta de 1780 e o último engenho de farinha do Leste da Ilha, de aproximadamente 150 anos.

Boa parte do terreno é plano e a caminhada dura aproximadamente duas horas, em um trajeto de seis quilômetros km. A trilha termina na Costa da Lagoa, onde restaurantes costeiros oferecem comidas tradicionais como pirão de peixe, tainha frita e ostras. Após comer muito bem, a família costuma voltar para a Lagoa de Conceição de barco. "É um passeio tranquilo e atrativo para as crianças", resume Claudia.