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Estampas que exaltam a natureza dão tom tropicalista a paredes e objetos

Em papeis de parede, objetos de decoração, lambe-lambe, tecidos e mais: tropicalismo multiplataforma - Reprodução/@takeuchiss
Em papeis de parede, objetos de decoração, lambe-lambe, tecidos e mais: tropicalismo multiplataforma
Imagem: Reprodução/@takeuchiss

Por Carol Scolforo

Colaboração para Nossa

25/08/2020 04h00

Marco D. Julio e Marcelo Fialho

Marco D. Julio e Marcelo Fialho

Quem são

Os dois são os designers à frente da marca O Tropicalista, baseada em Florianópolis (SC), que cria padronagens para diferentes peças, de lenços e tecidos a cerâmicas, papéis de parede e lambe-lambes.

Folhas, bichos e os cenários inspiradores de Florianópolis (SC) entram todos os dias pelas retinas de Marco e Marcelo. Dali vão parar direto nas pontas dos dedos e logo depois, dançam no papel.

A dupla vive criando estampas com liberdade, sem pensar em que materiais elas vão ocupar. Vem daí a vibração da marca O Tropicalista, que eles, parceiros de vida e sócios, criaram há oito anos.

Marco D. Julio é publicitário e já criava estampas quando conheceu Marcelo Fialho, que é psiquiatra e ministrava oficinas de arte para pessoas com transtornos mentais. Os dois moravam em Fortaleza (CE), mas perceberam que um ciclo tinha acabado por lá e deveriam se reinventar.

o tropicalista retrato - Mariana Boro/Divulgação - Mariana Boro/Divulgação
Marcelo e Marco, da marca O Tropicalista
Imagem: Mariana Boro/Divulgação
tropicalista - fruteira - Divulgação - Divulgação
Fruteira "Tudo é mato", da linha de cerâmicas
Imagem: Divulgação

Assim, desembarcaram em Florianópolis em 2011. "É um lugar muito lindo, de paisagens exuberantes. Caminhamos todos os dias, conhecemos o território e nos deslumbramos com cantinhos até hoje", diz Marcelo.

Reflexões tropicais

As estampas vêm dessa inspiração e do desejo de resgatar o tropicalismo. "Queríamos fazer algo sem limites entre arte, design e artesanato. Nosso desejo era de que essa produção não se encaixasse em nenhum desses rótulos", conta Marcelo. Tanto que as coleções refletem sobre a natureza, com questionamentos atuais sobre preservação.

tropicalista - Mariana Boro/Divulgação - Mariana Boro/Divulgação
Os artistas utilizam as estampas em vários produtos, como este papel de parede
Imagem: Mariana Boro/Divulgação

Elevar esse status do artesanato à arte tornou-se um caminho para eles, motivados pela valorização que a arquiteta Lina Bo Bardi trouxe ao fazer manual, no passado. Por isso o foco nunca foi atender ao mercado estabelecido. Segundo Marcelo:

A cadeia da moda exige uma produção rápida e volumosa, em uma lógica insustentável, com a qual não queremos compactuar. Nossa produção é pequena"

tropicalista - @takeuchiss/Divulgação - @takeuchiss/Divulgação
Adorno de parede "Selvagem": profusão de cores
Imagem: @takeuchiss/Divulgação
tropicalista bowl - @takeuchiss/Divulgação - @takeuchiss/Divulgação
Bowl "Tainhas": inspiração na fauna de Floripa
Imagem: @takeuchiss/Divulgação

Produção a todo instante

Os dois estão sempre com lápis e papel na mão, traçando desenhos que vão para uma pasta de referências. A partir daí, as imagens às vezes são digitalizadas e podem ganhar diferentes produtos.

Lenços (que podem ser de seda, palha de seda, voil misto de seda e algodão ou seda com linho), lambe-lambes (que se tornam painéis ou site specific), porcelanas, esculturas ou tecidos (vendidos por metragem).

Boa estampa é aquela que produz afeto, que vai além do visual e provoca afetamento"

Tropicalismo em tecidos

Marcelo cita o artista austríaco Hundertwasser para explicar que a produção da dupla é versátil à casa e ao corpo e, sobretudo, sustentável.

"Ele diz que temos cinco peles. A epiderme, a roupa, a casa, o meio ambiente e a crosta terrestre. Por isso precisamos pensar em todas elas. É o que fazemos"

As @s que nos inspiram

@assumevividastrofocus

Eli é inspirador pela naturalidade com que transita por diferentes linguagens, pelo espírito colaborativo e pela abundância de cores, formas e materiais que utiliza em suas obras.

@jardim.miriam.arte.clube

Mônica Nador mostra a potência da arte para a construção de coletividades. Sua discussão sobre autoria compartilhada é provocadora e atual.