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10% das cabines serão para isolamento de suspeitos de covid, diz CEO da MSC

Navios MSC Grandiosa e Magnifica retornam aos cruzeiros no Mediterrâneo ainda neste verão europeu - Divulgação
Navios MSC Grandiosa e Magnifica retornam aos cruzeiros no Mediterrâneo ainda neste verão europeu
Imagem: Divulgação

Marcel Vincenti

Colaboração para Nossa

05/08/2020 04h00

A pandemia paralisou viagens marítimas em todo o mundo, deixando transatlânticos encostados por mais de quatro meses em portos ao redor do globo, com risco de enferrujar.

"Esta é a pior crise que já vivi no mercado de cruzeiros", avalia Gianni Onorato, CEO da companhia MSC, em entrevista exclusiva a Nossa. "Nossas embarcações nunca haviam ficado paradas por tanto tempo".

Para sair desta estagnação, a empresa tem planos de retomar gradualmente suas viagens ainda neste verão europeu, com jornadas pelo mar Mediterrâneo realizadas pelos navios Grandiosa e Magnifica.

Gianni Onorato - Divulgação - Divulgação
Gianni Onorato, CEO da MSC
Imagem: Divulgação
Porém, para recomeçar suas atividades com segurança, a MSC precisou desenvolver, junto com autoridades sanitárias, uma série de protocolos que, pelo menos no curto prazo, trarão grandes mudanças para dentro de suas embarcações.

Onorato conta que, neste primeiro momento, os transatlânticos da MSC irão operar com apenas 70% de sua capacidade máxima de passageiros (o Grandiosa, por exemplo, tem espaço para cerca de 6.300 hóspedes).

E ele revela um dado curioso: 10% das cabines dos navios estarão reservadas para isolar pessoas que apresentem sintomas de covid-19 a bordo.

A maior preocupação

O executivo diz que, hoje, evitar a disseminação do coronavírus dentro das embarcações virou a grande preocupação da MSC. Não por acaso: no começo da pandemia, a contaminação ocorreu em navios de diversas companhias de cruzeiros.

Todos os passageiros e tripulantes serão testados antes do embarque, A bordo, haverão centros médicos equipados para testar e tratar pacientes com suspeita de covid-19 com rapidez e eficiência"

Onorato também revela que alguns aspectos rotineiros dos cruzeiros irão mudar: na MSC, por exemplo, não haverá mais (pelo menos neste momento) comida self-service. "O hóspede vai escolher a refeição e um funcionário irá preparar os pratos", diz. "E os cardápios de papel serão substituídos por códigos QR, para ver o menu do dia em seu celular".

msc grandiosa - Divulgação - Divulgação
Teatro do MSC Grandiosa: apenas 50% de ocupação permitida
Imagem: Divulgação
O passageiro, por sua vez, encontrará mais espaço em áreas de entretenimento fechadas que existem a bordo, como os teatros -- que, inicialmente, irão operar com apenas 50% de sua capacidade de público.

Mas, ao mesmo tempo, haverão algumas restrições de movimento: durante a retomada das jornadas marítimas da MSC, os hóspedes só poderão sair dos navios com tours guiados, que seguirão uma série de procedimentos sanitários (como obrigatoriedade de uso de máscara).

Segundo Onorato, a companhia também está fazendo acordos com portos onde atua para facilitar a remoção de passageiros dos navios caso haja disseminação de coronavírus a bordo.

Agora, estamos muito mais preparados do que antes da pandemia"

"Temos equipamentos médicos e planos específicos para atender eventuais casos de covid-19", afirma Onorato.

msc grandiosa - Divulgação - Divulgação
O MSC Grandiosa será um dos primeiros a retomar suas viagens, ainda neste verão europeu, no mar Mediterrâneo
Imagem: Divulgação

Viagens marítimas no médio e longo prazo

"É difícil prever exatamente o que vai acontecer, mas as pessoas continuarão se divertindo a bordo", avalia Onorato. "No começo da pandemia, usar máscara me incomodava. Mas hoje estou adaptado. As pessoas vão se adaptar às regras sanitárias. E, no médio prazo, talvez haja uma vacina, o que pode deixar tudo mais perto do normal".

E o Brasil?

Nos últimos anos, a MSC foi a empresa com o maior número de navios nas temporadas brasileiras de cruzeiros.

Gianni Onorato, entretanto, diz ainda não poder prever como será a realidade dentro dos transatlânticos da companhia quando eles retornarem ao país.

"Estamos trabalhando com a Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] para desenvolver protocolos sanitários condizentes com a realidade brasileira. Mas é algo dinâmico. Tudo está sendo adaptado de acordo com a evolução da situação no Brasil", conta ele.

Segundo o executivo, a MSC pretende trazer quatro navios para o litoral brasileiro no próximo verão, com partidas programadas desde portos como Santos (SP) e Rio de Janeiro (RJ) - e visitas a destinos como Búzios (RJ), Salvador (BA) e Ilhabela (SP).