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Setor de bares e restaurantes perdeu 1 milhão de empregos, diz Abrasel

De Nossa

05/05/2020 13h56

O setor de bares e restaurante sentiu o impacto da pandemia do novo coronavírus, perdendo um milhão de empregos no Brasil até aqui.

O dado foi divulgado por Paulo Solmucci Júnior, presidente-executivo da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), durante o UOL Debate de hoje. O programa trouxe à tona os desafios que Como chefs e restaurantes têm para se reinventar com delivery, voucher e lives durante a pandemia.

"Temos seis milhões trabalhando, sendo que a metade é formal. Esse um milhão é um terço do formal. A crise pega mais forte o formal no primeiro momento do que o informal, porque você tem todo um custo. Parte do formal vira informal", argumentou.

Os cortes são resultados da falta de capital de giro nos estabelecimentos do setor. Para Solmucci, é importante que bares e restaurantes tenham acesso a empréstimos neste momento.

"E não adianta ser em custo baixo se não chega na ponta. O governo ainda não encontra o caminho de chegar na ponta", explicou.

"Quando o governo entrou com empréstimo pelo BNDES, o dinheiro do governo entra primeiro como garantia. Acho que assim chega na ponta. É importante dizer que isso não é só no Brasil. O Estado tem que arcar com esse custo", acrescentou.

"No nosso setor o capital de giro é comida (...), mas nós não estamos com capital de giro nem para o estoque, diferente de empresa que vende celular, roupa", completou.

O UOL Debate de hoje reuniu ainda os chefs Andressa Cabral, do Meza Bar; Janaína Rueda, do Bar da Dona Onça; Rodrigo Oliveira, dos bares Mocotó e Balaio; e Raphael Despirite, do restaurante Marcel e do projeto Fechado para Jantar.

Para Solmucci, o setor deve constatar muitas quebras ao fim da pandemia. "Esse é um lado muito triste que vamos viver agora. O cenário otimista é que um em cada cinco não reabra", calculou.

"Minha visão é que vamos continuar fazendo prejuízos por mais três, quatro, cinco, seis meses. Pelo menos 20% não abrem. E pode chegar a mais. A sociedade brasileira não perceber o que a europeia e a americana estão percebendo, é que precisa de um socorro ao setor. Socorrer de maneira diferente esse setor é uma maneira diferencial."

O setor pode chegar via auxílio do governo federal. A Abrasel já se reuniu em 16 de março com o presidente da República, Jair Bolsonaro, para discutir como manter o capital de giro em bares e restaurantes.

"A gente estava acompanhando muito de perto o desenrolar das coisas lá fora e sabia que era algo muito mais grave do que estava no radar. No início de março, bem antes do primeiro fechamento, já havíamos criado um acompanhamento de crise com o objetivo de garantir a solvência das empresas. Procuramos um diálogo central, marcamos um encontro com Bolsonaro no dia 16. Existe um estudo do JP Morgan que estudo mostra que a gente só aguentaria 16 dias. E ele levou a gente para conversar com o ministro (da Economia) Paulo Guedes. O que estávamos imaginando na abertura, o governo imaginava fazer aqui. Nós dizíamos que isso era improvável, porque tínhamos perdido esse momento", explicou Solmucci.

"O momento seria de fechamento. E nós precisávamos garantir que, quando as empresas retornassem, tivessem solvência - e, óbvio, salários. Mostramos que naquele momento o empréstimo não era viável. Lutamos muito. No dia 18, fizemos anúncio nos principais jornais. Achamos importante fazer isso porque a sociedade não tinha a sensação de que poderia fechar o comércio. Como o diagnóstico do governo ainda não era esse, tínhamos que colocar uma pressão. Foi uma luta importante e teve resultados. Conseguimos uma medida potente e flexível, mas conseguimos algo potente."

De acordo com a entidade, medidas válidas por três meses, como a suspensão do pagamento parcial do Simples Nacional correspondente à União e o diferimento do pagamento do FGTS, são vitórias do setor, além do crédito de R$ 5 bilhões para micro e pequenas empresas.

"A gente ficou feliz que saiu em 15 dis depois da nossa conversa. Nenhum país saiu tão rápido igual a gente uma medida referente a salários. Você tem que socorrer todo mundo", celebrou.