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Brasileiros passam 35 horas em voo de repatriação com música e até famoso

Em 35 horas de voo, brasileiros que estavam na Ásia retornaram ao Brasil - Larissa Coldibeli
Em 35 horas de voo, brasileiros que estavam na Ásia retornaram ao Brasil Imagem: Larissa Coldibeli

Larissa Coldibeli

Colaboração para Nossa

25/04/2020 04h00

Na noite desta terça-feira (22), pousou em Guarulhos o voo de repatriação que trouxe de volta 368 brasileiros retidos no sudeste asiático: 187 na Tailândia, 136 na Indonésia e 45 no Vietnã.

A viagem foi uma verdadeira prova de resistência: durou 35 horas desde o início, em Hanói, com escalas em Bangcoc (Tailândia) e Medan (Indonésia) para embarque dos passageiros, além de uma parada técnica em Amsterdã para abastecimento da aeronave e troca da tripulação. Não foi permitido o desembarque da aeronave antes da chegada ao destino final.

O serviço de bordo foi padrão classe econômica, com algumas mudanças: não havia opções de bebida, apenas água, e não foram distribuídos cobertores nem mesmo na classe executiva, que acomodou passageiros com necessidades especiais, como idosos e famílias com crianças de colo.

Para passar o tempo, teve baralho e até cantoria dentro do avião - Larissa Coldibeli - Larissa Coldibeli
Para passar o tempo, teve baralho e até cantoria dentro do avião
Imagem: Larissa Coldibeli

Para passar o tempo, os brasileiros usaram a criatividade com jogo de baralho no corredor do avião a roda de violão. Após o pouso, mais música: os passageiros comemoraram com palmas e cantaram em coro a música "Evidências", de Chitãozinho e Xororó.

Viajantes voltam em diferentes situações

Tinha até celebridade entre os passageiros: o modelo e ator Paulo Zulu, que ficou famoso após participar da novela Laços de Família (TV Globo), embarcou na Indonésia.

"A Indonésia é minha segunda casa. Eu gosto de surfar e frequentar os templos, mas está tudo fechado em Bali por causa do coronavírus. Eu tinha passagem de volta para o Brasil marcada para maio, mas o voo foi cancelado, por isso estou voltando agora", disse.

Paulo Zulu e a companheira voltaram de Bali, na Indonésia - Larissa Coldibeli - Larissa Coldibeli
Paulo Zulu e a companheira voltaram de Bali, na Indonésia
Imagem: Larissa Coldibeli

Além disso, havia nômades digitais que não pretendiam voltar tão cedo ao Brasil, viajantes em férias que tiveram seus voos de retorno cancelados e pessoas que residiam e trabalhavam em outro país.

A psicóloga Lilian Rodrigues, por exemplo, estava desde junho do ano passado fora do Brasil, viajou por 15 países e estava em Bali, na Indonésia, quando a situação do coronavírus se agravou.

"Decidi voltar para o Brasil porque o sistema de saúde na Indonésia é ruim, caso eu precisasse de atendimento. Além disso, Bali começou a ter problemas de segurança, já que é um lugar que depende do turismo e agora está vazio", diz.

Uso de máscara foi obrigatório durante toda a viagem - Larissa Coldibeli - Larissa Coldibeli
Uso de máscara foi obrigatório durante toda a viagem
Imagem: Larissa Coldibeli

Já a farmacêutica Gilmara de Freitas Costa mora em Taiobeiras (MG) e estava em férias no Vietnã desde 29 de fevereiro, visitando a irmã que mora em Hanói. Ela deveria ter voltado para o Brasil no dia 25 de março, mas seu voo foi cancelado.

"Estou com faltas no trabalho e vou continuar faltando, porque preciso ficar em quarentena para ver se não apresento sintomas após a viagem", afirma.

Kelwin Klinger é de Taubaté (interior de SP), por sua vez, morava na Tailândia há um ano, onde trabalhava como instrutor de paraquedismo. Com a queda no turismo, sua empresa suspendeu as atividades e o salário dos funcionários. "Sem trabalho e sem dinheiro, não tenho o que fazer lá", diz.

Viagem de graça

Nada de luxo na hora de comer no primeiro voo da Garuda Indonesia ao Brasil - Larissa Coldibeli - Larissa Coldibeli
Nada de luxo na hora de comer no primeiro voo da Garuda Indonesia ao Brasil
Imagem: Larissa Coldibeli

O voo foi de repatriação, realizado pela companhia aérea Garuda Indonesia foi uma iniciativa do Ministério das Relações Exteriores e não teve custo para os passageiros.

Originalmente, a viagem estava prevista para o último dia 16, mas teve de ser remarcada por questões operacionais. Além disso, inicialmente, a escala técnica seria em Doha, no Catar, mas o governo do país negou o pouso às vésperas da partida, sem maiores explicações.

Segundo o Itamaraty, a consolidação mais recente de dados, do final do dia 22 de abril, aponta para 15.832 brasileiros já repatriados e 4.100 ainda retidos.