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"Museu do Coronavírus" expõe obras de arte virtuais inspiradas na pandemia

O primeiro museu do mundo dedicado ao coronavírus reúne um acervo virtual com trabalhos sobre a pandemia - Instagram/covidartmuseum
O primeiro museu do mundo dedicado ao coronavírus reúne um acervo virtual com trabalhos sobre a pandemia Imagem: Instagram/covidartmuseum

Eduardo Vessoni

Colaboração para Nossa

15/04/2020 15h11

No meio da maior crise sanitária da humanidade, tem gente que já está conseguindo fazer arte.

Autodeclarado "o primeiro museu de arte do mundo nascido durante a quarentena de coronavírus", o perfil no Instagram do CAM (The Covid Art Museum) reúne acervo virtual com trabalhos de artistas (profissionais ou não) que se inspiraram no isolamento para fazer arte.

O curioso acervo alimentado por usuários de todo o mundo, através da hashtag #CovidArtMuseum, vai da fotografia a instalações, passando por ilustrações e esculturas.

A ideia surgiu com três amigos que trabalham com publicidade em Barcelona, logo nos primeiros dias da quarentena na Espanha, um dos países mais afetados pela pandemia.

Isolado e cada um em suas casas, o trio Emma Calvo, Irene Llorca e José Guerrero começou a se interessar pela produção artística que estava sendo feita nas redes. E logo veio o questionamento: "O que vai acontecer com essa arte? Vai ficar esquecida, após a quarentena?"

Daí surgiu a ideia de reunir essas curiosas e criativas manifestações artísticas produzidas durante o período de isolamento social.

"A quarentena está abrindo um mundo de possibilidades de conceber a arte", define José Guerrero, em entrevista exclusiva para o Nossa.

Segundo Guerrero, o CAM segue a tendência mundial de museus que estão abrindo seu acervo, de forma democrática e gratuita, em tempos de quarentena. "Uma porta já foi aberta. Talvez agora os concertos, por exemplo, terão apresentações virtuais com ingressos mais baratos e de forma mais íntima", diz Guerrero.

As postagens vão além da simples divulgação de arte e, certos trabalhos, instigam o internauta com questionamentos sobre as consequências de um longo período como esse.

Na obra postada por uma das colaboradoras (@valia.rs), um cinzeiro em forma de vírus recebe mais uma bituca de cigarro, em uma referência ao aumento do consumo de nicotina. Segundo a usuária, "existe uma relação mórbida entre o cigarro e o vírus, e ambos podem matá-lo".

Vídeos também podem ser postados no perfil do museu, como o trabalho que já viralizou no Brasil, em que se sugere a importância do isolamento. Na obra, um palito de fósforo humanizado se retira de uma fila de outros fósforos em chamas, como uma metáfora de como evitar a propagação do vírus.

O perfil aposta também em trabalhos bem-humorados como o desenho publicado pelo usuário @burnttoastcreative, cuja ilustração mostra as mudanças no vestuário das pessoas, como as máscaras que passaram a fazer parte do cotidiano, inclusive na rara hora de sair para o banho de sol.

"Com a pandemia, o digital se mostrou ser muito eficaz, assim como o home office", analisa José Guerrero.

Desde a primeira publicação, em 19 de março, o perfil já contabiliza quase 28 mil seguidores e um "acervo" de cerca de 250 publicações.