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Coleção de estilista ironiza o estereótipo romântico imposto às mulheres

Uma profusão de rendas, babados e cores compõem coleção que brinca com os esteriótipos - Rachelle Cox
Uma profusão de rendas, babados e cores compõem coleção que brinca com os esteriótipos
Imagem: Rachelle Cox

Gustavo Frank

De Nossa

03/04/2020 04h00

Bruna Ignatowska saiu de Vitória, no Espírito Santo, e começou sua carreira como designer de moda em Londres, Inglaterra. Na Universidade de Westminster, a brasileira criou sua primeira coleção que, segundo ela, reflete o feminismo presente em grande parte da sua vida.

A partir da reflexão sobre esse assunto, Bruna criou peças usando uma visão cômica e irônica sobre sua paixão pelo "feminino" e romântico na mulher, concepção vista por ela como um estereótipo criado por homens e imposto às mulheres na sociedade patriarcal em que cresceu.

"Eu queria que fosse sobre algo que eu me identificasse, mas que não fosse um conceito supermirabolante que ninguém pudesse entender ou poder se identificar", conta ela ao Nossa, citando ainda sua vida amorosa como um dos gatilhos para essa linha de pensamento.

Rachelle Cox
Imagem: Rachelle Cox
Rachelle Cox
Imagem: Rachelle Cox

Rosas, babados, corações e bonecas retratados em suas roupas, combinados com cores não vistas no dia a dia e na exploração diversas técnicas de cortes, passam essa mensagem.

"Exagero" dessas informações, que podem ser considerados bregas, criam o resultado buscado por ela — que já ganhou a atenção da cantora Duda Beat, publicações como a Vogue Itália e The Face e os holofotes na passarela da Semana de Moda de Londres.

Rachelle Cox
Imagem: Rachelle Cox

"Muito do kitsch é sobre objetos que involuntariamente são considerados de mau gosto pela elite cultural e acredito que como designer de moda um dos meus papéis é explorar noções de 'gosto' e desafiar aquilo que é visto como 'bonito' e 'aceitável' na moda", opina a brasileira. "Eu queria elevar essa estética ao fazer roupas seguindo padrões de alta-costura e criando esse contraste entre a inspiração e o produto final".

Cartões vintage de Dia dos Namorados, vestidos vitorianos e o filme "Os Contos de Hoffmann" foram inspiração - Reprodução
Cartões vintage de Dia dos Namorados, vestidos vitorianos e o filme "Os Contos de Hoffmann" foram inspiração
Imagem: Reprodução

Bruna buscou referências em cartões e propagandas do Dia dos Namorados de diferentes épocas, vestidos e rendas vitorianas, a dupla artística Eva and Adele, o filme "Os Contos de Hoffmann" (1951), musas como Jayne Mansfield e sua mansão icônica The Pink Palace, e ate no próprio círculo de amigas.

A musa Jayne Mansfield e sua Pink Palace estão entre as referências da coleção  - Reprodução
A musa Jayne Mansfield e sua Pink Palace estão entre as referências da coleção
Imagem: Reprodução

"Penso que grande parte da minha intenção com a coleção foi dizer às mulheres que suas experiencias como mulher, com sua feminilidade e sua vida amorosa pertencem a elas mesmas e são validas. Por isso, é possível se identificar com minha coleção da sua própria maneira", reflete.

Rendas, babados e cores fora do convencional foram reinterpretados na coleção - Reprodução
Rendas, babados e cores fora do convencional foram reinterpretados na coleção
Imagem: Reprodução

Bruna preparando as pecas na pré-seletiva para a semana de moda de londres - Arquivo Pessoal
Bruna preparando as pecas na pré-seletiva para a semana de moda de londres
Imagem: Arquivo Pessoal
Da perspectiva como designer de moda, a brasileira, que recorreu ao uso de novas tecnologias como a máquina de corte a laser e máquinas de bordado digital para criar sua coleção, enxerga o futuro da moda além do que é comercial na indústria.

"Meu objetivo era que, quando a coleção estivesse pronta, ela fosse uma experiencia visual e sensorial fora do comum comparado a outros desfiles e ao mesmo tempo questionasse a moda contemporânea ao mostrar quantas possibilidades a moda oferece quando não se procura seguir tendencias comerciais".