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Nigéria acusa Reino Unido de promover 'apartheid de viagens'

Lagos, na Nigéria: Viajantes que passaram pelo país precisam cumprir um protocolo que pode custar mais de R$ 17 mil para entrar no Reino Unido - NurPhoto via Getty Images
Lagos, na Nigéria: Viajantes que passaram pelo país precisam cumprir um protocolo que pode custar mais de R$ 17 mil para entrar no Reino Unido Imagem: NurPhoto via Getty Images

da Deutsche Welle

09/12/2021 10h25

País africano foi incluído na lista vermelha de nações cujos viajantes devem pagar pela própria quarentena obrigatória em solo britânico. Medida contra a variante ômicron é considerada discriminatória pelos nigerianos.

A Nigéria acusou o Reino Unido de promover um "apartheid de viagens", após o país africano ser incluído ontem (6) na "lista vermelha" britânica, em razão do surgimento da variante ômicron do coronavírus no país mais populoso da África.

Viajantes dos países que constam nessa relação devem apresentar dois testes de PCR negativos e ficar em quarentena por dez dias após chegarem ao Reino Unido. Os custos de hospedagem, de 2.285 libras esterlinas (em torno de R$ 17 mil), referentes a esse período, devem ser pagos pelos próprios viajantes.

Ao justificar a medida, o Ministério britânico da Saúde afirmou que 21 dos 134 casos registrados da ômicron na Inglaterra eram de pessoas vindas da Nigéria. Autoridades nigerianas disseram na semana passada que foram descobertos três casos da nova variante entre passageiros que haviam chegado da África do Sul, onde a ômicron foi detectada pela primeira vez.

O alto comissário da Nigéria em Londres, Sarafa Tunji Isola, concordou com declarações feitas anteriormente pelo secretário-geral da ONU, Antonio Gutérres, que criticou as medidas impostas por vários países contra as nações africanas, afirmado se tratar de um "apartheid de viagens".

Passageiros que chegam ao aeroporto de Heathrow, em Londres, vindos de países da lista vermelha passam por um terminal exclusivo, separado de outros viajantes - PA Images via Getty Images - PA Images via Getty Images
Passageiros que chegam ao aeroporto de Heathrow, em Londres, vindos de países da lista vermelha passam por um terminal exclusivo, separado de outros viajantes
Imagem: PA Images via Getty Images

"A reação na Nigéria é a de um apartheid de viagens", sublinhou. "A Nigéria está alinhada com a posição do secretário-geral da ONU, de que a proibição de viagens é um apartheid, no sentido de que não estamos lidando com uma situação endêmica, mas sim, com uma situação pandêmica, para a qual se espera uma abordagem global, não seletiva", afirmou Isola à rádio BBC 4.

Medida "injusta, punitiva e discriminatória"

"[A ômicron] é classificada como uma variante moderada, sem hospitalizações e mortes. Então, a questão é bastante diferente da variante delta. Essa posição deve ser tomada com base e evidências empíricas e científicas. Não é uma situação para pânico. Devemos nos ater aos fatos."

O ministro nigeriano da Informação, Lai Mohammed, considerou a medida "injusta, punitiva, indefensável e discriminatória. Essa decisão não é movida pele ciência u pelo bom senso". "Esperamos que o governo britânico reveja imediatamente a decisão de colocar a Nigéria nessa lista vermelha e a rescinda imediatamente."

Passageiros oriundos de cidades como Ikeja, na Nigéria, devem se submeter a um protocolo caro para entrar no Reino Unido - Olukayode Jaiyeola/NurPhoto via Getty Images - Olukayode Jaiyeola/NurPhoto via Getty Images
Passageiros oriundos de cidades como Ikeja, na Nigéria (foto), precisam se submeter às medidas britânicas desde ontem (6)
Imagem: Olukayode Jaiyeola/NurPhoto via Getty Images

O ministro britânico das Polícias, Kit Malthouse, disse que a frase "apartheid de viagens" traz uma escolha de linguagem "bastante infeliz". "Entendemos as dificuldades criadas por essas restrições de viagens, mas tentaremos ganhar um pouco de tempo para que nossos cientistas consigam trabalhar com o vírus e avaliar o quão difícil será para nós lidarmos com isso, como país", afirmou.

A Nigéria é o país mais recente a ser incluído na lista vermelha de Londres. Entre as outras nações relacionadas estão Angola, Moçambique, Namíbia, África do Sul e Zimbábue.