PUBLICIDADE
Topo

Ômicron provoca caos no transporte aéreo e recordes de contágios na Europa

Viagem covid - Getty Images/iStockphoto
Viagem covid Imagem: Getty Images/iStockphoto

28/12/2021 09h48

A variante ômicron continua provocando o caos no transporte aéreo, com milhares de voos cancelados em todo o mundo desde o fim de semana de Natal, além de registrar recordes de infecções em países como Dinamarca, Grécia e Islândia.

Mas embora esta variante tão contagiosa, identificada na África do Sul em novembro, seja "um motivo de preocupação", "não deveria ser razão para pânico", afirmou nesta segunda-feira (27) o presidente Joe Biden.

No fim de semana de Natal, além do cancelamento de 8.300 conexões aéreas internacionais e domésticas, dezenas de milhares de voos sofreram atrasos.

O tráfego aéreo também continuou a sofrer transtornos no início da semana com, até ao momento, 2.500 voos cancelados nesta segunda-feira e 800 na terça-feira, segundo dados atualizados do site de vigilância aérea FlightAware.

"Um filme que nunca acaba"

A Europa se tornou o epicentro mundial do repique da pandemia, com 2.901.073 novos casos nos últimos sete dias (55% do total mundial), e o maior número de mortes, 24.287 em uma semana (53% do total), seguida por Estados Unidos/Canadá (10.269 mortos, 22%).

Na França, onde no sábado os 100.000 novos casos foram superados pela primeira vez em 24 horas desde o início da pandemia, o passaporte sanitário atual será substituído pelo passaporte de vacinação, o que significa que será obrigatório ser vacinado (ou curado da covid), além de receber uma dose de reforço para entrar em determinados locais.

"Tudo isso parece um filme que nunca acaba", admitiu o primeiro-ministro francês, Jean Castex, ao apresentar as novas medidas para enfrentar uma "situação de saúde extremamente tensa".

Assim, "a partir de segunda-feira e durante um prazo de três semanas", "será obrigatório o trabalho remoto", quado possível, e "à razão de no mínimo três dias por semana e, se for possível, quatro dias", detalhou.

"As grandes reuniões serão limitadas a um total de 2.000 pessoas em ambientes fechados e de 5.000 pessoas ao ar livre", inclusive em estádios esportivos, anunciou.

Dinamarca e Islândia anunciaram recordes diários de casos, assim como a Grécia, que voltou a impor o uso de máscara ao ar livre e fechará bares e restaurantes à meia-noite, também limitando o número de mesas. A Noruega, por sua vez, informou que a nova variante do coronavírus agora é dominante na capital, Oslo.

Os Estados Unidos também se aproximaram de mais um recorde, ao registrar cerca de 215.000 novos casos no domingo, um aumento de 83% em 14 dias.

As autoridades de Nova York alertaram para o aumento das hospitalizações de crianças com menos de cinco anos, que ainda não atingiram a idade de vacinação, e que representam metade das internações na cidade.

Mas o presidente Biden disse que não há razão para pânico: a ômicron não terá o mesmo impacto da primeira onda da covid-19, há um ano, ou da variante delta, este ano, previu, devido à campanha de vacinação e aos testes maciços.

"Não vemos que as hospitalizações aumentem tanto" quanto antes, afirmou Biden, quando 72% da população americana recebeu pelo menos uma dose.

Nos Estados Unidos, as autoridades sanitárias anunciaram nesta segunda a redução à metade do tempo de isolamento recomendado para as pessoas positivas para a covid-19 assintomáticas, diminuindo-o para cinco dias.

Enquanto isso, companhias aéreas chinesas, como a China Eastern e a Air China, cancelaram 2.000 voos no fim de semana, incluindo vários que passavam pela cidade de Xi'an, onde os 13 milhões de habitantes estão em confinamento e só podem sair uma vez a cada três dias para comprar alimentos. Desde esta segunda-feira, podem circular em carros, apenas os trabalhadores essenciais.

Quarta dose

A covid-19 também chega ao alto-mar. Segundo o jornal Washington Post, autoridades portuárias negaram a entrada de vários navios em portos do Caribe.

O CDC, principal agência de saúde pública dos Estados Unidos, afirma que mais de 60 cruzeiros estão sendo investigados pelas autoridades após a detecção de casos de covid-19 a bordo.

E as autoridades nacionais estão empenhadas em estender a vacinação ao máximo.

Em Israel, um hospital começou a administrar uma quarta dose da vacina contra o coronavírus a seus profissionais de saúde nesta segunda-feira, em um ensaio clínico que deve preceder uma campanha nacional.

Enquanto isso, a Bolívia recebeu neste domingo um lote de 3 milhões de vacinas Sinopharm, a maior doação chinesa entregue ao país andino, que vai reforçar a vacinação de crianças entre 5 e 11 anos.

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 5.398.049 mortes no mundo desde dezembro de 2019, segundo um balanço da AFP com base em fontes oficiais, mas a OMS considera que o balanço real pode ser entre duas e três vezes superior.