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Mais de 200 espécies estão ameaçadas pelos conflitos armados, afirma a UICN

Família de gorilas na República Democrática do Congo - Martin Harvey/Getty Images
Família de gorilas na República Democrática do Congo Imagem: Martin Harvey/Getty Images

28/04/2021 14h53

As guerras, conflitos e exercícios militares ameaçam mais de 200 espécies em todo o mundo, como elefantes e gorilas, alertou nesta quarta-feira (28) a União Internacional para Conservação da Natureza (UICN).

Em relatório, a UICN — cujos 1.400 membros incluem Estados, ONGs e instituições científicas — denuncia o efeito devastador dos conflitos armados sobre o meio ambiente.

A organização com sede em Genebra pediu que a proteção do meio ambiente e o manejo sustentável dos recursos naturais sejam considerados instrumentos de paz.

"A degradação da natureza aumenta o risco de conflito, enquanto as guerras devastam não apenas vidas, mas também o meio ambiente", afirmou o diretor-geral da UICN, Bruno Oberle, em um comunicado.

Este relatório, o primeiro de uma série dedicada à natureza em um mundo globalizado, conclui que os conflitos armados são particularmente frequentes em algumas das regiões mais ricas em biodiversidade do mundo.

Segundo a UICN, 219 espécies ameaçadas enfrentam "guerras, distúrbios civis e exercícios militares" e, enquanto algumas são exterminadas, outras testemunham seu ecossistema ser devastado.

Várias espécies emblemáticas estão ameaçadas de guerra, como o gorila (em perigo crítico), que vive na República Democrática do Congo, Ruanda e Uganda, onde os conflitos são frequentes.

O relatório destaca o impacto dramático de alguns conflitos em certas espécies.

Durante o genocídio de Ruanda, em 1994, 90% dos grandes mamíferos do Parque Nacional Akagera foram mortos para uso como alimento por pessoas que fugiam dos massacres.

Turistas observando os elefantes no Parque Nacional Hwange, maior reserva do Zimbábue - Francois LOCHON/Gamma-Rapho via Getty Images - Francois LOCHON/Gamma-Rapho via Getty Images
Turistas observando os elefantes no Parque Nacional Hwange, maior reserva do Zimbábue
Imagem: Francois LOCHON/Gamma-Rapho via Getty Images

Outro exemplo mencionado é o conflito no Sudão, onde nada menos que 2.000 elefantes foram mortos por milícias sudanesas somente em 2007, de acordo com o relatório.

Depois de examinar mais de 85.000 confrontos armados nos últimos 30 anos, que mataram mais de dois milhões de pessoas, a UICN concluiu que a violência era mais provável em países onde as terras agrícolas eram menos produtivas e as secas eram frequentes.

Segundo Juha Siikamaki, economista da UICN, "esses resultados sugerem que a proteção e o manejo sustentável dos recursos naturais podem ajudar a reduzir as pressões que alimentam os conflitos".

O relatório também observa que os conflitos são menos frequentes dentro de reservas naturais e áreas protegidas.

A UICN lista várias recomendações de políticas para mitigar e prevenir conflitos armados, incluindo a adoção de medidas de proteção para o pessoal que trabalha em áreas de risco e outros defensores da natureza.

Também pede "sanções contra aqueles que cometem crimes de guerra ambientais".