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Cidade de artesãos de mais de 3.000 anos é descoberta próximo a Luxor

Foto divulgada pelo Ministério de Antiguidades egípcio da descoberta, próximo a Luxor  - Egyptian Ministry of Antiquities/AFP
Foto divulgada pelo Ministério de Antiguidades egípcio da descoberta, próximo a Luxor Imagem: Egyptian Ministry of Antiquities/AFP

10/04/2021 14h16

Oficinas, fornos, paredes de tijolos, cerâmicas e joias: a cidade dos artesãos ligados ao Rei Amenófis III, com mais de 3.000 anos, foi apresentada à imprensa neste sábado por autoridades egípcias ávidas por promover o turismo cultural.

"Encontramos apenas parte da cidade", disse à AFP Zahi Hawass, um arqueólogo e ex-ministro das Antiguidades na manhã deste sábado em meio às ruínas da antiga cidade localizada na margem oeste do Nilo, perto de Luxor (sul).

Segundo o arqueólogo, "a cidade se estende para oeste e norte".

As escavações na cidade soterrada sob a areia por milênios continuarão por mais alguns anos, afirma o arqueólogo que realiza o trabalho desde setembro de 2020.

Uma série de paredes de tijolos de barro, assim como ruas que passam entre as construções, são hoje visíveis no local.

"Encontramos três bairros principais: um para a administração, um dormitório para os trabalhadores e outro para a indústria", informou, antes de acrescentar que outro local estava reservado para a produção de carne seca.

Entre outras descobertas, Hawass relatou sobre "um local de costura, de confecção de sandálias", assim como "moldes para amuletos" e pequenas estátuas.

Os arqueólogos também encontraram um "grande peixe coberto de ouro" que talvez fosse reverenciado, de acordo com Hawass.

Segundo o arqueólogo, habituado a hipérboles, é a "descoberta mais importante desde a tumba de Tutancâmon", em 1922.

Às vezes acusado por seus pares de ser um empresário megalomaníaco e sem rigor científico, Hawass se defende expondo suas descobertas arqueológicas anteriores, que considera "importantes".

Por sua vez, José Galan, chefe da missão espanhola Dra Abu el Naga, perto do local da antiga cidade, reconhece que se trata de uma "descoberta fantástica":

Estamos mais acostumados a descobertas relacionadas a templos e tumbas (...) e não tanto ligadas a instalações humanas"

Porém, segundo ele, as descobertas devem ser analisadas.

"É muito cedo para tirar conclusões", ressalta. Segundo os arqueólogos, a cidade descoberta data do rei Amenófis III, que ascendeu ao trono em 1.391 a.C., e cujo palácio está localizado nas proximidades.

O local teve a oportunidade de ser datado graças a selos colocados sobre as cerâmicas. A cidade também está ligada ao Deus Aton.

"Não é apenas uma cidade, também podemos ver atividades econômicas, oficinas, fornos", acrescentou Mostafa Waziri, secretário-geral do Conselho Geral de Antiguidades do Egito.

A descoberta foi anunciada quinta-feira em um comunicado da missão arqueológica.