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Santa Sofia aberta aos visitantes fora dos horários de oração muçulmana

Santa Sofia, em Istambul - Unsplash
Santa Sofia, em Istambul Imagem: Unsplash

14/07/2020 09h21

A antiga basílica de Santa Sofia, reconvertida em mesquita, seguirá aberta aos visitantes fora dos horários de oração muçulmana, durante os quais os ícones cristãos deverão ser encobertos - anunciou a Autoridade de Assuntos Religiosos na Turquia nesta terça-feira (14).

O Conselho de Estado, principal jurisdição administrativa turca, revogou na sexta-feira uma medida de 1934 que confere à Santa Sofia o "status" de museu. Pouco depois, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, anunciou que a antiga basílica bizantina seria aberta para as orações muçulmanas como mesquita na sexta-feira de 24 de julho.

Em um comunicado publicado nesta terça-feira, a Diyanet, a Autoridade de Assuntos Religiosos, indicou que as representações cristãs na antiga basílica "não constituem um obstáculo para as orações".

"Os ícones (cristãos) deverão ser dissimulados com cortinas ou outros meios apropriados", afirmou o organismo.

A imprensa turca mencionou a possibilidade de uso de técnicas de iluminação para obscurecer as imagens durante as cinco orações muçulmanas diárias.

"Não existe nenhum obstáculo do ponto de vista religioso para a abertura de Santa Sofia aos visitantes fora dos horários de oração", completou a Diyanet.

Santa Sofia, também conhecida como Hagia Sophia, foi construída no século VI pelos bizantinos que ali coroavam seus imperadores. O local é parte do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e uma das principais atrações turísticas de Istambul. Em 2019, recebeu 3,8 milhões de visitantes.

Convertida em mesquita depois que os otomanos tomaram Constantinopla em 1453, Santa Sofia foi transformada em museu em 1934 pelo primeiro presidente da República Turca, Mustafa Kemal Atatürk, que queria "oferecê-la à humanidade".

Vários países, sobretudo Rússia e Grécia, que acompanham de perto a evolução do patrimônio bizantino na Turquia, criticaram a transformação da antiga basílica em local de culto muçulmano. O papa Francisco se declarou "muito aflito" com a medida.

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