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Abóbora pérola-negra, quiabo vermelho e mais hortaliças raras colorem menus

Beterrabas e cenouras multicolores são algumas das raridades produzidas do sítio Rancho Alegre - Divulgação
Beterrabas e cenouras multicolores são algumas das raridades produzidas do sítio Rancho Alegre Imagem: Divulgação

Flávia G Pinho

Colaboração para o UOL

08/02/2020 04h00

Elas começam a aparecer timidamente nas bancas dos hortifrútis paulistanos, mas há algum tempo tornaram-se comuns nos cardápios dos restaurantes - e continuam surpreendendo pela variedade, cada vez maior.

Primeiro vieram as cenouras coloridas, bem fininhas, que vão do branco ao roxo, passando pelo amarelo. Depois apareceram a batata-doce cor-de-laranja, o rabanete-melancia com miolo rosa-choque, a beterraba bicolor, a rutabaga de casca lilás, o nabo negro...

Cenoura roxa, do sítio Rancho Alegre - Divulgação - Divulgação
Cenoura roxa, do sítio Rancho Alegre
Imagem: Divulgação

Cultivar algumas dessas espécies raras é uma das especialidades do produtor Ubaldo Angelini, proprietário do Rancho Alegre, em Piedade, interior de São Paulo.

Dos 134 mil m² do sítio, 30 mil m² já são ocupados por hortaliças raras. Só de tomates, são 13 variedades, entre elas o tomate-romano, cheio de gomos; o tomate-limão, bem amarelinho; o gigante coração-de-boi e o bicolor arco-íris.

Uma das novidades é a abóbora pérola-negra, que tem polpa amarela com notas de castanha portuguesa. "Ela crescia esparramada pelo chão, mas a casca que tocava o solo ficava clara. Agora está sustentada por fios, para ficar inteiramente negra por fora."

Abóbora pérola-negra, do sítio Rancho Alegre - Divulgação - Divulgação
Abóbora pérola-negra, do sítio Rancho Alegre
Imagem: Divulgação

O clima do lugar colabora com os experimentos. Localizado no bairro Vila Élvio, no contraforte da Serra do Mar, o Rancho Alegre está a 1100 metros de altitude, em um ponto frio e chuvoso onde, no inverno, as mínimas são negativas. No verão, as máximas não passam dos 28 ºC.

Batata andina, do sítio Rancho Alegre - Divulgação - Divulgação
Batata andina, do sítio Rancho Alegre
Imagem: Divulgação
A batata andina, acostumada ao frio da Cordilheira dos Andes, se adaptou tão bem quanto as pimentas. Embora feiosa por fora e cheia de furos, seu interior seco e bem amarelo, ideal para nhoque e purê, tem feito sucesso entre os chefs.

"Algumas sementes são produzidas no sítio, mas a maioria é importada de outros países", explica o produtor. Ele e a mulher, Maristela fazem as entregas pessoalmente em São Paulo, exclusivamente em restaurantes - colhem às segundas-feiras e entregam às terças e quartas.

Incentivo de grandes chefs

Beterraba amarela, do sítio Rancho Alegre - Divulgação - Divulgação
Beterraba amarela, do sítio Rancho Alegre
Imagem: Divulgação

Ele começou pelas pimentas de origem andina, como o ají amarillo, a poblano e a rocoto, e se arriscou também nos legumes e verduras por sugestão de André Mifano, chef, apresentador do programa "The Taste Brasil" (GNT) e dono do restaurante paulistano Lilu.

A ideia deu certo e outros clientes fizeram pedidos. Entre eles, o Balaio, do chef Rodrigo Oliveira, e o novo Lassú, restaurante giratório em Santana, na zona norte de São Paulo, além do carioca Oro, de Felipe Bronze.

Cenoura não foi sempre laranja

Hortaliças exóticas também fazem parte do portfólio da Santa Adelaide Orgânicos, em Itatiba (SP).

Radicado no Brasil desde 2007, o publicitário francês David Ralitera tem 30 hectares de roças certificadas e vende raridades como a abobrinha redonda amarela, a batata-doce laranja e o quiabo vermelho.

Quiabo vermelho, do sítio Santa Adelaide - Divulgação - Divulgação
Quiabo vermelho, do sítio Santa Adelaide
Imagem: Divulgação

Da lista de Pancs, as plantas alimentícias não-convencionais, fazem parte o cará-moela, que cresce em trepadeira como o chuchu, a folhagem ora-pro-nóbis, rica em proteína, e as folhas gigantes da taioba.

Abobrinha redonda e amarela, do sítio Santa Adelaide - Divulgação - Divulgação
Abobrinha redonda e amarela, do sítio Santa Adelaide
Imagem: Divulgação
Para ter sempre novidades, Ralitera frequenta feiras de trocas de sementes, visita outros produtores pelo país e pesquisa um bocado na internet - foi assim que ele descobriu que, no passado, a cenoura mais comum era a roxa.

"A cor-de-laranja é fruto de cruzamentos genéticos e tornou-se popular na Holanda, dizem que por ser a cor da bandeira do país. De lá, tomou conta no mundo todo."

Como levar raridades para sua cozinha

Além de vender suas hortaliças para restaurantes paulistanos como o Maní, da chef Helena Rizzo, o Esther Rooftop e o Corrutela, a Santa Adelaide também as distribui para supermercados e quitandas e faz vendas diretas ao consumidor. Em São Paulo, as cestas são entregues quatro vezes por semana.

Tomate Crimeia, do sítio Rancho Alegre - Divulgação - Divulgação
Tomate Crimeia, do sítio Rancho Alegre
Imagem: Divulgação
Quem opta pela assinatura paga R$ 59 por mês e recebe outras variedades - mas também é possível encomendar produtos avulsos. O quilo da abobrinha redonda, da batata-doce laranja, do cará-moela e do quiabo vermelho sai por R$ 10.

Já o casal proprietário do Rancho Alegre não faz vendas diretas, mas recebe visitantes e, a cada seis semanas, promove um brunch dominical com os produtos da horta, a R$ 70 por pessoa.

Além de adquirir os itens in natura - o quilo dos tomates varia de R$ 10 a R$ 15 -, é possível comprar polpa de tomate e pastas de pimenta artesanais da marca Casual Sabor, fabricados lá mesmo. As datas são divulgadas pelo Facebook.