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Vinhos australianos combinam inovação e sabor intenso

Cangurus em vinhedos na região de Hunter Valley, na Austrália - Getty Images
Cangurus em vinhedos na região de Hunter Valley, na Austrália Imagem: Getty Images

Do UOL

30/11/2017 04h00

Quando se fala de vinhos do chamado "Novo Mundo" (ou seja, produtores fora da Europa), logo se pensa em vinhos norte-americanos ou sul-africanos primeiro. Mas tem um país abaixo da linha do Equador que não está de brincadeira no mercado: a Austrália. 

 
O país é atualmente o quinto maior exportador de vinhos em todo o mundo (de acordo com números da Organização Internacional da Vinha e dos Vinhos), perdendo apenas para as três potências europeias - Itália, França e Espanha - e para os Estados Unidos. Os australianos se orgulham de suas 60 regiões produtoras, aproveitando-se das diferenças de solo e clima para criarem uma gama de rótulos para todos os paladares.
 
Em geral, o vinho australiano é fácil de reconhecer: encorpados e com sabor frutado bem característico, os rótulos da terra dos cangurus são considerados bem agradáveis para beber, próprio para momentos mais descontraídos - o que ajudou a vender a imagem das vinícolas locais para o mercado internacional. 
 

Perseverança

Os primeiros vinhedos chegaram na Austrália no século 18, quando o território ainda era a mais distante colônia penal do Reino Unido. O clima do país não colaborava muito para a produção de vinhos, mas a notória perseverança dos moradores, acostumados a fazer tudo sozinhos, acabou rendendo frutos. 
 
Na década de 1820, os vinhos australianos começaram a ser exportados e, na década seguinte, vinhedos começaram a ser plantados no vale de Hunter, atualmente uma região que é sinônimo de vinho no país - é de lá que saem alguns dos vinhos mais conhecidos e premiados do país. A distância em relação ao Reino Unido - por décadas o principal consumidor das bebidas australianas - e a inventividade australiana criaram soluções para a produção de bebidas. As vinícolas do país, por exemplo, são uma das responsáveis pela popularidade das garrafas de vinho com tampa de rosca no lugar das tradicionais rolhas de cortiça. 
 
Os rótulos do país ganharam competições de degustação às cegas na Europa e ganharam fama - até que uma praga contaminou os vinhedos do país, reduzindo a produção. A grande retomada pegou fôlego um século depois - do fim dos anos 1970 em diante, o país se tornou um grande exportador de vinho, reconhecidos por sua criatividade e por seu sabor. 
 

Sua majestade, a uva Shiraz

Embora a Austrália produza vinhos com mais de cem tipos de uvas (todas importadas da Europa e da África do Sul, uma vez que o país não tem vinhedos nativos), uma cepa em especial se tornou a "cara" do vinho no país: a uva Shiraz. 
 
Mais conhecida como Syrah em outros países, ela produz um vinho tinto de tonalidade bem forte e sabor macio, que combinam bem com outra das obsessões dos australianos: as carnes assadas na grelha. A bebida também combina com chocolates fortes. 

Quem prefere vinhos brancos também encontra opções entre os australianos - os Chardonnays produzidos no país são um best-seller internacional (a ponto de serem, como os Shiraz, praticamente sinônimos da produção local), mas uvas como Sémillion e Riesling também merecem destaque.