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Meteoro por Trás da Cena: estereótipo do Brasil no cinema também é culpa nossa

Do UOL, em São Paulo

21/02/2020 04h00

Pensada em um contexto pré-Copa do Mundo e Olimpíadas no Brasil, a animação "Rio" fez sucesso no mundo todo e foi até indicada ao Oscar (o de melhor trilha sonora, em 2012). O retorno foi tanto que o filme ganhou uma continuação em 2014 (ano da Copa), que, apesar de manter o nome, se passa na Floreta Amazônica. O fato é que o Brasil foi retratado como um lugar alegre, com samba, futebol, carnaval, mas também cheio de mazelas sociais, tristeza por esta desigualdade e crimes. E nem se pode culpar o olhar estrangeiro sobre o país, pois o diretor dos dois filmes é o brasileiro Carlos Saldanha.

O Meteoro Por Trás da Cena desta semana explica que esta visão estereotipada do país vem de muitas décadas. Começou lá nos anos 30, quando a cantora e atriz Carmen Miranda (portuguesa radicada no Brasil desde bebê e considerada brasileira, embora nunca tenha se naturalizado) ganhou espaço em Hollywood para cantar as belezas do Brasil com cachos de frutas na cabeça, com os melhores sambistas do momento em ação. Carmen fez tanto sucesso que foi considerada a terceira personalidade mais conhecida da América naqueles tempos e ainda a mulher mais bem paga no Brasil.

Esta vontade de retratar o Brasil e outros pedaços da América aumentou nos anos 40, quando o governo norte-americano, em busca de aliados na Segunda Guerra Mundial, fechou acordos de aproximação com os países latinos, incluindo esta troca cultural (além de tratados comerciais). Foi então que Walt Disney recebeu dinheiro para criar personagens como o Zé Carioca e o Panchito (mexicano) que se juntaram ao Pato Donald (representação dos EUA) no filme "Os Três Cavalheiros", de 1945. O Brasil é visto de forma estereotipada mundo afora faz tempo. E não é por acaso. Assista e entenda.

Meteoro Por Trás da Cena