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Sócios do Minas protestam em apoio a Mauricio Souza e falam em ditadura

Manifestantes defendem central Mauricio Souza, demitido após post homofóbico, e o chamam de "guerreiro" - Bruno Torquato/UOL
Manifestantes defendem central Mauricio Souza, demitido após post homofóbico, e o chamam de "guerreiro" Imagem: Bruno Torquato/UOL

Bruno Torquato

Colaboração para o UOL, em Belo Horizonte (MG)

30/10/2021 11h35Atualizada em 30/10/2021 12h59

Um grupo de manifestantes se reuniu para apoiar o central Maurício Souza na manhã de hoje em frente à sede do Minas Tênis Clube, próximo à Praça da Liberdade, em Belo Horizonte. Composto majoritariamente por sócios do clube, o grupo defendeu o jogador, demitido por divulgar mensagens homofóbicas na internet.

Participantes do ato acusaram o Minas de fazer um "julgamento ditatorial" do atleta. O jogador de vôlei, medalhista olímpico com a seleção brasileira, criticou a orientação sexual do novo Super-Homem e desencadeou uma crise com a torcida e com os patrocinadores do clube.

Cláudia Diniz, 52, funcionária pública e uma das organizadoras da manifestação, criticou a decisão do Minas de demitir Maurício. "Não nos sentimos representados por essa decisão sumária, como foi feita. Não entendemos que houve erro ou crime cometido por ele. Nada que justificasse um julgamento ditatorial, onde só existe uma opinião vigente".

Ela disse que a reação à postagem foi excessiva. "Houve um massacre com uma intenção que se diz de defender uma minoria, mas estão atacando de forma cruel um pai de família. Tiraram dele a fonte de renda. São coisas gravíssimas", afirmou. Ela disse que o caso se trata de um ataque à liberdade de expressão e que "não há nenhum tipo de homofobia". Segundo a funcionária pública, o clube vai receber os manifestantes para uma reunião na próxima quarta-feira.

Mauricio - Bruno Torquato/UOL - Bruno Torquato/UOL
Manifestantes chamam jogador de "guerreiro" após demissão por homofobia
Imagem: Bruno Torquato/UOL

Luciana Rezende, que também protestava no local, disse que o grupo defende que Minas Tênis seja apartidário. Segundo ela, a demissão de Maurício levou o clube a ser de esquerda. "A minha vontade como mãe é que o clube não seja nem de esquerda nem de direita, que seja neutro nessa questão de ideologia, que é uma coisa muito séria", afirmou.

Romoaldo Fiuza declarou que o Brasil vive um estado de exceção em que as pessoas não podem expressar opiniões e creditou a demissão do atleta aos patrocinadores: "Estamos vivendo uma pressão da Europa. A opinião que tem que prevalecer é deles? É uma loucura."

Procurado, o Minas Tênis Clube informou que não tem nada a declarar sobre o protesto. Já Mauricio Souza não atendeu as tentativas de contato.

A próxima partida da equipe Fiat/Gerdau/Minas será hoje, às 20h, contra o Farma Conde Vôlei São José em Belo Horizonte.

Central foi demitido após post homofóbico

Maurício foi demitido do Minas na última quarta-feira (27) após pressão da torcida e dos principais patrocinadores do time, a Fiat e Gerdau. As empresas repudiaram os posts do central, que reclamava do fato do novo Super-Homem ser bissexual. Pressionado, o central publicou um vídeo pedindo desculpas, mas mantendo seu posicionamento anterior.

Um grupo de 20 parlamentares de 13 estados diferentes entrou com uma representação contra Maurício Souza no Ministério Público de Minas Gerais solicitando a abertura de uma ação civil pública contra o atleta por incitação do preconceito e discriminação homotransfóbica, e pedindo R$ 50 mil em dano moral coletivo.

Renan Dal Zotto, técnico da seleção masculina de vôlei, disse que não há espaço para homofóbicos na equipe. Tite, treinador da seleção brasileira de futebol, também repudiou a posição do central. Por outro lado, Maurício recebeu o apoio de outras personalidades do esporte e de políticos de direita.

Fred, atacante do Fluminense, o defendeu, assim como outros jogadores e ex-atletas. O deputado federal Eduardo Bolsonaro publicou mensagem contrárias a decisão do Minas Tênis, depois que seu pai, o presidente Jair Bolsonaro criticou a reação ao post do jogador, afirmando que "tudo é homofobia, tudo é feminismo".

Mauricio tinha 200 mil seguidores no Instagram e, após a repercussão da postagem e viu esse número aumentar para 1,6 milhão.

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu em junho de 2019 que a Lei de Racismo (7.716/19) contempla os crimes de homofobia, lesbofobia, bifobia e transfobia, ou seja, contra pessoas LGBTQIA+.

Vítimas de preconceito por orientação sexual podem denunciar o crime em delegacias especializadas, fazer um boletim de ocorrência, ligar para o disque 100 ou disque-denúncia da localidade e até mesmo ligar para o 190 em caso de flagrante.

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