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Carol Solberg: Se tivesse gritado 'Bolsonaro, mito', nada teria acontecido

A jogadora de vôlei de praia Carol Solberg - Divulgação/FIVB
A jogadora de vôlei de praia Carol Solberg Imagem: Divulgação/FIVB

Do UOL, em São Paulo

08/11/2020 09h31

A jogadora de vôlei de praia Carol Solberg se diz surpresa com a repercussão de sua manifestação política contra o governo Jair Bolsonaro (sem partido). Ela afirma que, no mundo do esporte, outras manifestações —favoráveis ao presidente— foram tratadas de forma distinta.

"Tenho certeza de que se eu tivesse gritado "Bolsonaro, mito!", nada teria acontecido", afirmou a jogadora em entrevista ao jornal O Globo. "O Felipe Melo [jogador do Palmeiras] dedicou um gol ao presidente e não aconteceu nada. Os jogadores da seleção masculina de vôlei Maurício e Wallace fizeram o número 17 com as mãos e também não foram punidos. E eles se manifestaram no auge da campanha eleitoral", completou.

Em setembro deste ano, durante uma transmissão do SporTV, a jogadora gritou 'Fora, Bolsonaro' —ato que foi repudiado pela CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) e que rendeu a ela uma denúncia por parte da procuradoria do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva).

A jogadora foi condenada a pagar uma multa, mas recorreu e conseguiu converter a condenação em advertência. Ao jornal O Globo, ela afirmou que recorreu também da advertência e que espera a Justiça marcar um novo julgamento.

"Eu não estou proibida de jogar e nem preciso pagar multa alguma. O que busco é absolvição da advertência. Eu não deveria ter sido advertida pelo que fiz", afirmou.

"Tentaram me calar porque sou mulher"

Para a jogadora, o fato de ser mulher também teve influência no caso. "Qualquer pessoa que se manifeste contra o governo vai sofrer punição. Agora, as coisas só tomaram as proporções que tomaram por eu ser mulher", disse.

Solberg afirmou ainda acreditar que seu julgamento foi "muito machista": "Se eu fosse homem, não teriam falado comigo daquela forma. Tentaram me calar porque sou mulher".

A jogadora conta que ficou "muito incomodada" com a forma que o presidente do STJD se dirigiu a ela, "como se estivesse falando com uma criança, com a sobrinha dele".

"[O presidente do STJD] disse que me deu um susto, um puxão de orelhas, sabe? Sou uma mulher de 33 anos, dois filhos", ponderou. "O que ele está pensando? Está falando com quem? Fiquei com muita raiva! Ele foi extremamente machista".

Ato por impulso

Ao jornal O Globo, Solberg disse ainda que o grito contra Bolsonaro não foi um ato pensado, mas sim algo que aconteceu por impulso. "Não pensei em nada", disse a jogadora, que afirmou ainda não conseguir ser "duas pessoas, a Carol atleta e a Carol fora das quadras". "Sou uma só", sentenciou.

"O que aconteceu é que, depois que terminou o jogo, eu sentindo toda aquela felicidade... Sei lá, de repente me veio a seguinte reflexão: como posso estar aqui feliz e o país estar de cabeça para baixo? Pantanal queimando, as pessoas morrendo de Covid, o presidente fazendo homenagem a torturador, atacando a imprensa ao dizer que vai dar soco na cara do repórter... Fui invadida por um sentimento de revolta e, quando vi, estava gritando", disse.

"Foi espontâneo. As pessoas estão sofrendo e eu feliz por uma partida de vôlei?", ponderou.

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