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Primeiro teste para Rio-2016, Liga Mundial terá uso de vídeo e "rede-telão"

Guilherme Costa

Do UOL, no Rio de Janeiro

15/07/2015 06h00

Esqueça a aversão que os dirigentes que comandam o futebol mundial têm ao uso de tecnologia. Primeiro evento-teste dos Jogos Olímpicos Rio-2016, a fase final da Liga Mundial de vôlei masculino, com início marcado para esta quarta-feira (15), é prova inequívoca de que a modalidade vai em sentido contrário. As partidas realizadas no ginásio do Maracanãzinho terão auxílio de vídeo para definição de lances polêmicos e o advento de uma “rede-telão”.

Criada por uma empresa belga, a rede vem sendo desenvolvida há um ano e será usada pela primeira vez na fase final da Liga Mundial. O aparato tem 38 LEDs na altura e 100 no comprimento (de cada lado), e isso cria a possibilidade de exibição de textos e imagens. A ideia é que ele fique apagado quando as partidas estiverem em andamento, mas exiba coisas como bandeiras, placares, estatísticas e até patrocinadores durante os intervalos.

“A palavra de ordem na FIVB [Federação Internacional de Voleibol] é inovação. Vamos buscar na tecnologia recursos para tornar o espetáculo cada vez mais atraente para todos os envolvidos: jogadores, público, TV, parceiros e patrocinadores. Nada substitui o talento dos jogadores, mas podemos tornar a experiência de ir ao ginásio cada vez melhor”, disse o brasileiro Ary Graça, presidente da entidade que comanda o vôlei mundial.

A rede-telão pesa 15kg, mais do que o triplo de um equipamento convencional (4kg, em média). O novo aparato já vem sendo testado, e o feedback inicial é que os jogadores podem sentir diferença quando a bola bater nele.

O aparato tecnológico usado no ginásio do Maracanãzinho também contará com um sistema de vídeo que permite que técnicos contestem decisões da arbitragem. Os desafios são usados desde os Mundiais que a FIVB organizou em 2012 e foram incorporados à fase final da Liga Mundial no ano seguinte, mas ainda assim são uma novidade relevante na atual temporada.

Como a Liga Mundial não é um evento do Comitê Organizador Rio-2016, nem toda a estrutura olímpica será testada neste ano. A área avaliada será a de competição, o que inclui a “rede-telão” e o sistema de desafios por vídeo. Os Jogos da próxima temporada serão  os primeiros que usarão os dois recursos.

A fase final da Liga Mundial é dividida em dois grupos, e cada um tem três seleções. As duas primeiras avançam para as semifinais. O Brasil está na chave de norte-americanos, atuais campeões, e franceses, rivais nesta quarta-feira (o duelo no Maracanãzinho terá início às 14h).

Brasil pega rival invicto e tem time indefinido

Adversária do Brasil nesta quarta-feira, a seleção francesa está invicta na Liga Mundial. Foram 12 vitórias em 12 partidas no Grupo D, que também tinha Japão, República Tcheca e Coreia do Sul.

“Vai ser um jogo de muita paciência. É um time que defende, e isso acaba irritando os adversários. Eles erram pouco, e isso incomoda bastante. Nós precisamos ter cabeça boa para fazer uma grande partida”, avaliou o levantador brasileiro Bruninho.

O volume de jogo e o potencial de defesa da França, contudo, não são as únicas preocupações do Brasil. O time comandado por Bernardinho também tem de resolver problemas próprios, como uma indefinição na escalação causada por problemas físicos: Wallace, oposto titular, sentiu dores nas costas e não treinou na terça-feira.

“Eu tenho uma dor crônica, e desta vez não cheguei a travar as costas, mas dói. Estamos tratando com remédio e alongamento, e eu estou tentando levar, mas dói um pouco. Está difícil trabalhar. Se tivesse de jogar hoje, não ia conseguir”, explicou o oposto na terça-feira. “Sou dúvida. Não posso confirmar que estou fora porque é uma coisa que pode melhorar, completou.

No treino de terça-feira, que foi realizado no Maracanãzinho, a vaga de Wallace ficou com Evandro, uma das maiores surpresas da lista de Bernardinho para a fase final da Liga Mundial. “Nosso time é bem completo, com bastantes jogadores disputando posição. Se o Wallace estiver jogando, o Vissotto ou eu, vamos manter o mesmo nível na quadra. Eu estou preparado para ajudar o time e vamos com tudo para isso, disse o novo favorito a ocupar a posição contra a França.

Vissotto, o terceiro oposto, foi titular em grande parte do ciclo olímpico anterior, mas havia sido cortado neste ano. Ele só foi reincorporado ao grupo por causa do corte do central Riad, acometido por uma ruptura parcial num tendão do joelho direito. “É difícil dizer qual notícia mexeu mais comigo. Ficar fora, algo que desde 2009 eu não tinha experimentado, foi muito difícil. Ao mesmo tempo, voltar da forma que eu voltei, com a lesão de um companheiro, não é nada agradável”, ponderou o camisa 6.

A lesão de Riad, aliás, só aumenta a lista de problemas de Bernardinho, que já não teve o central Sidão na Liga Mundial de 2015. O titular do meio de rede tem um problema no ombro, optou por tratamento convencional (sem operação) e só deve retornar às quadras no fim deste ano.

“Tenho muita dor, mas a dor eu poderia tomar um remédio. O problema mesmo é o risco. O tendão está rompido, e conforme eu vou saltando ele pode romper total. Fui cortado agora por causa da integridade física”, contou Riad. Depois da definição do corte, Bernardinho procurou o central e avisou que ele não seria desligado do grupo. O jogador ainda está na concentração e estará nas arquibancadas do Maracanãzinho: “A única mudança é que eu não vou poder estar em quadra”.