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Futebol Sem Fronteiras

O jogo por trás do jogo. Com Jamil Chade e Julio Gomes


OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Futebol sem Fronteiras #33: Olympiacos x Panathinaikos, clássico com fanatismo único

Do UOL, em São Paulo

14/01/2022 04h00

No próximo domingo (16), um dos clássicos de maior rivalidade do mundo estará em disputa. Olympiacos e Panathinaikos se enfrentam pelo Campeonato Grego e colocam em campo uma longa história de um fanatismo encontrado em poucas partes do planeta.

No podcast Futebol sem Fronteiras #33 (ouça na íntegra no episódio acima), o colunista Julio Gomes e o correspondente internacional Jamil Chade conversaram com Zé Elias, comentarista dos canais ESPN. O ex-jogador relembrou alguns momentos de sua passagem pelo Olympiacos e detalhes da rivalidade com o Panathinaikos.

Jamil falou um pouco do lado extracampo da rivalidade entre os dois clubes. "Esse clássico também tem o componente social. O Panathinaikos é mais velho, do centro de Atenas. O que me chama a atenção é que o OLympiacos conseguiu conquistar a torcida de outros lugares da Grécia, que se sentiam talvez um pouco humilhados, desprezados pela elite de Atenas. O Olympiacos é de outra cidade [Pireus], mas ganha simpatizantes do resto da Grécia. Há uma situação muito centralizadora de Atenas. Não é uma capital normal do Brasil ou de outro país grande. É uma capital que resume boa parte do país. Há, então, essa aliança curiosa de outras regiões do país com o Olympiacos", disse.

No âmbito esportivo, os dois clubes também apresentam uma peculiaridade. "Há outra divisão curiosa. O Olympiacos ganhou mais títulos gregos do que o Panathinaikos [46 a 20], que vai melhor em ligas europeias", comentou Jamil. "Na minha época, o Olympiacos ficou bem marcado por causa disso. A diferença era muito grande entre os times, mas quando íamos para competições europeias, só tomávamos porrada", acrescentou o ex-jogador.

Zé Elias atuou pelo Olympiacos entre 2000 e 2003 e conquistou três títulos gregos. Mas o ex-volante destaca outra 'taça' pelo time de Pireus. "Tive a felicidade de pegar um momento mágico do Olympiacos. Tínhamos um time muito forte e um bom momento. Às vezes, você tem um time bom, mas não encaixa, não dá liga. No período em que estive lá, o vestiário era tranquilo e conquistei três títulos. Fui um dos capitães da equipe e isso é um marco, porque dificilmente um estrangeiro se torna capitão", enfatizou.

Julio destacou que a superioridade do Olympiacos em títulos nacionais se fortaleceu a partir de meados dos anos 90, quando o time praticamente não deu chances aos adversários. "O domínio doméstico do Olympiacos é muito grande. Isso ficou equlibrado de alguma forma até metade dos anos 90. De 97 para cá, foram 21 títulos. Nesse século, não tem disputa. Curiosamente, no basquete é o contrário: o Panathinaikos é mais forte", comentou, lembrando que a rivalidade também se estende a outras modalidades esportivas.

No momento, o Olympiacos lidera o Campeonato Grego com uma campanha irretocável. O time está invicto no torneio e, após 16 rodadas, conquistou 42 pontos - 13 vitórias e três empates. São nove pontos de vantagem para o AEK, segundo colocado, e 16 à frente do Panathinaikos, quarto. No primeiro turno, jogando em casa, o time de Pireus ficou no 0 a 0 com o rival.

O ex-jogador detalhou o contexto que envolve o clássico grego. "Na minha época, 55%, 60% do país torcia para o Olympiacos e havia as divisões no restante. Havia muita rivalidade centralizada em Atenas, polarizada entre Olympiacos e Panathinaikos. Algo que vi em poucos países. Comparo com Estrela Vermelha x Partizan [na Sérvia], Fenerbahçe x Galatasaray [na Turquia], onde os caras são fanáticos mesmo", contou.

Zé Elias, que teve passagem marcante pelo Corinthians, mostrou que, mesmo em dias de clássico contra o Palmeiras, não sentiu o mesmo pelo que passou em Olympiacos x Panathinaikos. "Quando fui para a Grécia, voltei ao Brasil multiplicado por um milhão. É um fanatismo, uma paixão, difícil de encontrar em outros lugares. Os gregos vivem para o time. É um jeito diferente de viver. Fora de campo, é um clima pesadíssimo. Você respirava violência, paixão, e não tinha jeito. Você levava isso para o campo", concluiu.

Ouça o podcast Futebol sem Fronteiras e confira também o bate-papo sobre as semelhanças entre gregos e brasileiros e algumas dicas de turismo em um dos países com a história mais rica do mundo.

Não perca! Acompanhe os episódios do podcast Futebol sem Fronteiras todas as quintas-feiras às 15h no Canal UOL.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL