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Flamengo poderia liderar inovação e prefere buscar hegemonia, diz executivo

Do UOL, em São Paulo

13/05/2021 17h29

No ano passado o Flamengo não acertou contrato de transmissão com a Globo, ficou sem seus jogos transmitidos durante parte do Campeonato Carioca e depois liderou a MP do Mandante junto ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que culminou na transmissão de jogo pelo canal do YouTube do clube rubro-negro e por consequência o rompimento do contrato do estadual com a emissora carioca e neste ano a Record transmite a competição por um valor menor.

Em entrevista a Mauro Cezar Pereira no programa Dividida, o executivo Bruno Maia, especialista em inovação e tecnologia no esporte, além de ex-vice de marketing do Vasco, critica a postura adotada pela diretoria atual do Flamengo e considera que o clube prefere adotar uma postura em busca de ser hegemônico em vez de utilizar sua capacidade para liderar a melhora do futebol brasileiro.

"O problema não é o Flamengo, o problema é a visão de uma diretoria que está no Flamengo nesse momento, uma visão de novo pautada pela lógica hegemônica, extremamente infeliz e que na minha opinião faz um grande desserviço ao futebol brasileiro nesse momento e, como vascaíno, posso dizer isso com tranquilidade assim, eu temia que o empoderamento econômico do Flamengo levasse ele a uma posição de fato hegemônica e ele tinha toda a condição de liderar a transformação e inovação do futebol brasileiro pela força que ele adquiriu e que eu achava que era isso, ele poderia ter liderado os outros clubes nessa direção e ele preferiu dizer 'não, eu sou maior do que todos vocês' e ir na contramão", diz Maia.

"Deixar isso muito claro, não é o Flamengo, que fez um trabalho extremamente excelente de referência para todos os clubes na sua organização, estruturação na década passada, que colhe resultados hoje. Agora, a diretoria que está lá, ela é uma dessas que compartilha esse mau que habita o futebol mundial, como a gente viu no caso da Superliga, na ideia da Superliga, que é a ideia de hegemonia, de domínio da hegemonia, que o futebol vai ser um esporte, uma indústria hegemônica. Não será e se for vai perder sua relevância, vai diminuir muito, não vai ser capaz de pagar o que paga se seguir nesse caminho, não existe case que prove essa tese como bem-sucedida", completa.

Na opinião do gestor, a postura da diretoria rubro-negra, hoje dirigida por Rodolfo Landim, acaba mostrando semelhança com a lógica utilizada por Florentino Perez, presidente do Real Madrid, na liderança pela criação da Superliga Europeia, que fracassou após grande rejeição até dos torcedores dos 12 clubes envolvidos.

"A diretoria do Flamengo atual é a representação do que pensam os Florentinos Perez da vida. Eu cheguei a ler, não sei se foi verdade, eu só li em rede social, no meio da confusão o Flamengo chegou a se candidatar a querer estar na Superliga, porque eles compartilham dessa visão hegemônica e não tem nada a ver com clubismo, muito pelo contrário, eu tenho certeza que o torcedor do Flamengo se ganhar todos os campeonatos brasileiros, ele em algum momento ali na frente vai começar a deixar de ver graça. A gente tem que entender que o futebol pelo qual a gente se apaixonou é um esporte de vitórias e derrotas, é isso o que faz a paixão, é a possibilidade de perder", diz Maia.

"A diretoria atual do Flamengo faz um tremendo desserviço, um atraso ao futebol brasileiro, a MP do Mandante foi um erro não como conceito, mas da forma como foi feita, criou uma crise financeira sem precedentes no futebol brasileiro que seria um pouco adiada, no meio da covid-19, eu acho que a MP do Mandante já é responsável por uma década perdida economicamente para o futebol brasileiro porque é isso, a gente vê o dinheiro diminuindo, as receitas do futebol carioca um ano depois, no novo modelo, são muito menores do que as que tinha da Globo", conclui.

O Dividida vai ao ar às quintas-feiras, às 14h, sempre com transmissão em vídeo pela home do UOL e no canal do UOL Esporte no Youtube. Você também pode ouvir o Dividida no Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts e Amazon Music.

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