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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Cesar Grafietti compara aportes de dinheiro em Atlético-MG e Palmeiras

Do UOL, em São Paulo

04/04/2021 04h00

O Atlético-MG tem feito contratações desde o ano passado com o aporte de dinheiro de um investidor, Rubens Menin, empresário que é parceiro do clube na construção da Arena MRV, caso que é comparado à relação do Palmeiras com sua patrocinadora, a Crefisa, cuja proprietária é conselheira e tem a pretensão de assumir a presidência do clube parceiro.

Em entrevista a Mauro Cezar Pereira no programa Dividida, do UOL Esporte, o economista Cesar Grafietti explica o caso dos aportes financeiros nos dois clubes e aponta as diferenças em cada um dos casos, como eles se caracterizam no programa de fair play financeiro.

"Esse dinheiro, ele entra como uma dívida, o clube aparentemente, pelo que eu consigo observar do que a imprensa publica, são dívidas que essas pessoas físicas colocam dinheiro no clube, elas não mexem na receita, então essas dívidas geram custos adicionais. O impacto no fair play financeiro seria o seguinte, você está aumentando os seus custos sem gerar receitas que possam cobri-lo. Então o clube certamente será sancionado ou não atingirá o equilíbrio, porque ele tem menos receitas do que esses custos que estão sendo gerados por atletas que foram comprados com dinheiro de terceiros, estão gerando ao clube", explica o especialista em gestão e finanças.

"Tem um descasamento aqui entre o quanto o clube é capaz de gerar de recursos para fazer os investimentos e pagar o salário e o quanto efetivamente ele está tendo que honrar de pagamentos a partir de um dinheiro que veio de fora da estrutura, de fora do sistema, vamos chamar assim. O impacto no fair play financeiro é claro porque você está recebendo dinheiro de fora do sistema e não tem como pagar os custos que esse investimento está gerando", completa

O economista ressalta que a principal diferença no caso dos dois clubes é que o aporte financeiro no Palmeiras é por exposição de marca exclusiva no uniforme, que ainda que possa ter valor acima de mercado.

"Tem uma origem que é muito parecida, uma parte do dinheiro que o patrocinador do Palmeiras colocou na equipe foi também como dívida, ele financiou a aquisição de atletas, então tem lá a dívida no balanço do Palmeiras com o patrocinador, igual acontece ali aparentemente com o Atlético-MG e o seu patrocinador, ou o seu investidor", diz o economista.

"Há uma diferença, o patrocinador do Palmeiras, além do dinheiro que colocou lá para contratar o atleta no passado, irriga o clube com dinheiro de patrocínio em troca da exposição da marca, no caso do Atlético-MG, aparentemente isso não existe, tanto que existem outras marcas ali na camisa do clube, enfim, nos patrocínios do clube", completa.

Grafietti explica que o Atlético-MG pode vir a passar pela mesma situação do Palmeiras, com as contratações bancadas pela patrocinadora virando dívida após análise da Receita Federal.

"A questão do patrocinador do Palmeiras e da Receita Federal é que esses investimentos que hoje são dívida no balanço do Palmeiras, inicialmente eram recursos exclusivamente de publicidade, então ele colocava dinheiro no clube como investimentos publicitários, isso era uma despesa no balanço da empresa patrocinadora, isso deduzia pagamento de imposto de renda. Todo gasto, você diminui o seu lucro e com menos lucro, você paga menos imposto de renda", afirma.

"A Receita Federal olhou e entendeu que isso não era um investimento publicitário e sim era uma espécie de empréstimo, porque ele estava colocando dinheiro para comprar os atletas especificamente e orientou que fosse feita uma reversão e transformasse aquele patrocínio em dívida. Então aí o clube teve que pagar os impostos equivalentes a esta diferença. Por isso que o Palmeiras hoje tem dívidas com a patrocinadora que na origem eram investimentos publicitários, recursos de publicidade. E aí isso transformou em uma dívida, que é exatamente o mesmo modelo que tem ali no Atlético-MG junto aos investidores", conclui.

O Dividida vai ao ar às quintas-feiras, às 14h, sempre com transmissão em vídeo pela home do UOL e no canal do UOL Esporte no Youtube. Você também pode ouvir o Dividida no Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts e Amazon Music.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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