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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Mauro: Quando os técnicos são cobrados, eles são muito bem pagos para isso

Do UOL, em São Paulo

27/03/2021 04h00

A CBF conseguiu a aprovação de uma regra que limita as trocas de treinadores na próxima edição do Campeonato Brasileiro, medida que visa reduzir a alta rotatividade dos últimos anos, sendo também uma forma de proteção aos treinadores, que têm uma média de permanência de poucos meses no cargo.

No podcast Posse de Bola #111, Mauro Cezar Pereira afirma não ver sentido na proteção aos técnicos, alegando que em muitos casos a pressão que é exercida sobre os profissionais condiz com o alto valor de salário deles, os comparando a executivos de grandes empresas. Ele também lembra que os três últimos títulos brasileiros foram vencidos por técnicos que entraram no meio da competição, casos de Luiz Felipe Scolari com o Palmeiras em 2018, Jorge Jesus com o Flamengo em 2019 e Rogério Ceni também com o Rubro-Negro em 2020.

"As coisas não são sempre assim, tão perfeitinhas que você vai organizando e vai funcionando. Temos vários exemplos de técnicos que tentaram começar a temporada e deu tudo errado, e outros entraram no meio e deu certo. Os três últimos campeões brasileiros venceram o campeonato trocando de técnico no meio do campeonato, os três", diz Mauro Cezar.

"Também é o seguinte, se você pegar os salários dos maiores executivos, CEO dos bancos, das multinacionais, os salários dos técnicos chegam a ser superiores aos desses caras, que são, em tese, profissionais muito preparados e que trabalham em cargas horárias pesadas, o cara tem uma grande responsabilidade, então, quando os técnicos são muito cobrados, quando eles ficam no olho do furacão, técnico de time grande, de time de Série A, nenhum deles ganha mal. Eles são muito bem pagos, por isso são muito cobrados", completa.

O jornalista afirma que com todos os privilégios que um treinador tem em relação a um trabalhador comum, não faz sentido exigir uma proteção por meio de uma regra e vê a responsabilidade e a pressão como equivalentes ao valor que é pago muitas vezes aos profissionais, além das multas que são estipuladas em contrato.

"Os caras ganham muito bem, então, são muito cobrados também, é lógico, querem o quê? 'Eu quero ganhar um salário maior do que de executivo de multinacional, eu não quero ser cobrado, quero começar o trabalho no início do ano, quero ter tempo para trabalhar, mesmo que o meu trabalho seja ruim, eu tenho que ter tempo para trabalhar. O time não ganha, não evolui, o time não rende, os jogadores estão insatisfeitos, a torcida não me aguenta, mas eu tenho que ter tempo para trabalhar? O que é isso, gente? Que emprego é esse? Onde já se viu", questiona Mauro.

"Essa vitimização dos técnicos é uma coisa cretina. Esse negócio aí que a CBF inventou e que os clubes contrataram só reforça essa ideia. Técnico bom se garante e fica no emprego, técnico ruim sai, como qualquer funcionário pode ser demitido, pode ser dispensado, porque foi perseguido, porque o chefe é um sacana ou porque o cara é incompetente. Agora, por que eles têm que ter essa proteção toda? Me impressiona a quantidade de pessoas que têm peninha deles, peninha de quem? Ainda ganham multas absurdas. Quando fazem bem os seus contratos, quando saem, são muito bem remunerados, então, vão ser cobrados por isso", conclui.

Posse de Bola: Quando e onde ouvir?

A gravação do Posse de Bola está marcada para segundas e sextas-feiras às 9h, sempre com transmissão ao vivo pela home do UOL ou nos perfis do UOL Esporte nas redes sociais (YouTube, Facebook e Twitter).

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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