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Odair Hellmann: "Eu vivi o lixo e o luxo do futebol"

Do UOL, em São Paulo

10/11/2020 15h44

Com uma campanha elogiada no Campeonato Brasileiro comandando o Fluminense, o técnico Odair Hellmann mantém os pés no chão ao falar sobre o time e utiliza o próprio histórico que viveu no futebol para evitar qualquer empolgação, diz que viveu o lixo e o luxo do futebol ao lembrar o período de dificuldades que passou como jogador para manter os pés no chão.

Em entrevista ao programa Os Canalhas, com os jornalistas João Carlos Albuquerque e Rodrigo Viana, o treinador catarinense diz que o caminho até se tornar treinador teve um período no qual ficava sem receber enquanto jogava e vivia de favor na casa dos sogros, além de ter sido um sobrevivente na tragédia com o ônibus do Brasil de Pelotas, que teve três mortos.

"Eu tenho muita calma com essas situações, eu não tenho empolgação, sabe por quê? Porque eu vivi o lixo e o luxo do futebol. E eu sei o quanto é o luxo, e eu sei o que é o lixo, e aí, meu amigo, para você sair do lixo, lá do limbo, lá do fundo do poço, na qual na minha carreira como atleta eu passei, e viver uma oportunidade melhor, uma situação financeira melhor ou maior, você tem que ter essa tranquilidade e essa sabedoria porque a vida é feita dessas oscilações, desses altos e baixos", diz o treinador.

"Eu não sou o herói do domingo e nem o bandido da quarta-feira. Eu sou um cara como pessoa e como profissional equilibrado, eu sou um cara equilibrado e eu sou um cara equilibrado na minha vida pessoal e transporto isso para a minha vida profissional, então eu não acredito quando as pessoas me dizem que eu sou o melhor, mas também não acredito quando eles me dizem que eu sou o pior, eu trabalho todos os dias para ser um baita profissional, o melhor profissional possível", completa.

Hellmann morou de favor com sogros durante a carreira de jogador

Hellmann se refere ao luxo como o fato de estar treinando um clube tradicional da Série A do Campeonato Brasileiro e explica que no caso o lixo foi o fato de ficar meses sem receber durante o período em que era jogador profissional e as dificuldades financeiras que teve após a criação da Lei Pelé, com pequenos contratos e clubes que muitas vezes não honravam os compromissos com os atletas.

"Quando eu falei do lixo, eu quero falar bem especificamente que é aquela situação onde você vai para um clube como jogador, não recebe há seis meses, não tem dinheiro para pagar o aluguel, não tem perspectiva de receber dinheiro, salário e você tem três filhos, tem esposa é nesse sentido que eu falei do lixo", diz o treinador.

"Eu sofro um acidente em que quase perco a vida, que colegas perderam, e eu simplesmente estou machucado e sem salário. Não consegui como jogador adquirir uma situação financeira que eu pudesse naquele momento falar assim 'posso parar, está tudo tranquilo'. Pelo contrário, eu não tinha adquirido nada em termos de patrimônio, eu vivia de favor na casa do meu sogro e da minha sogra, e voltei do acidente, dois dias depois eu estava na casa do meu sogro e da minha sogra vivendo de favor e com três filhos e com a minha mulher, sendo que eu já tinha ali 8, 9 anos de carreira de atleta profissional", completa.

Gratidão a Dunga pela carreira como técnico

Para seguir vivendo no futebol, Odair Hellmann conta que buscou ajuda com o então presidente do Internacional, Fernando Carvalho, para trabalhar e até hoje tem gratidão ao ex-jogador e técnico Dunga, que deu oportunidades para que ele pudesse chegar ao status atual de técnico.

"Foi o Dunga que me subiu como auxiliar técnico em 2013, da base para ser o auxiliar técnico da comissão permanente do Internacional. E foi o Dunga que em 2015, dois anos depois, que me indicou para ser o auxiliar técnico da seleção brasileira sub-17. Então eu tenho muita gratidão pela ajuda, por tudo o que o Dunga fez na minha vida e eu tenho certeza que ela foi transformada pessoalmente e profissionalmente pelas oportunidades que o Dunga gerou para mim. Então faço um agradecimento público ao Dunga e vou fazer sempre, eternamente", diz Hellmann.

O treinador do Fluminense também aborda na entrevista o trabalho em que mescla os jogadores recém-promovidos das categorias de base a nomes mais experientes do elenco, a rotulação e a comparação entre técnicos, além de opinar sobre o aumento no número de técnicos estrangeiros no Brasil.

Os Canalhas: Quando e onde?

O programa Os Canalhas vai ao ar toda terça-feira, às 14h, com programa inédito, disponível na home do UOL ou nos perfis do UOL Esporte no Youtube e no Facebook e Twitter, com os jornalistas João Carlos Albuquerque e Rodrigo Viana entrevistando personalidades importantes do esporte brasileiro. Inscreva-se no canal Os Canalhas no Youtube para conferir mais de João Carlos Albuquerque e Rodrigo Viana.