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Mauro: "Estádio é como casa de praia, às vezes dá mais despesa que prazer"

Do UOL, em São Paulo

20/10/2020 04h00

O Corinthians inaugurou em 2014 o seu estádio, recém-batizada como Neo Química Arena pela venda de naming rights, mas o custo da arena se tornou um peso para o clube, que hoje tem dificuldades financeiras e vive um momento conturbado esportivamente e politicamente.

No podcast Posse de Bola #66, Mauro Cezar Pereira diz que há um fetiche dos clubes brasileiros por estádios próprios e afirma que em muitos casos a construção de uma nova arena se torna mais um problema do que uma solução, devido ao alto custo de manutenção em relação ao que se arrecada, salvo exceções, como o modelo do Allianz Parque.

"Eu acho curioso que no Brasil existe esse fetiche da história do estádio. O clube tem que ter o estádio. Eu sempre questionei muito essa situação de ter o estádio, eu acho que ter o estádio depende muito de uma série de situações. Estádio de futebol eu gosto de comparar com casa de praia, é um negócio que te dá mais despesa do que prazer a maior parte do tempo", diz Mauro Cezar.

"O estádio futebol, em um calendário racional, você chega a ficar duas semanas sem utilizar. Se ele é como o estádio do Palmeiras, que não foi bolado por gente do futebol, mas gente mais voltada a negócios, e mesmo assim não se sabe se ele consegue se pagar, não sei se a empresa que investiu vai recuperar esse dinheiro e em quanto tempo, mas isso é uma outra questão, aí você tem um estádio que de fato tem atividades diversas ali, então ele gera uma outra receita", completa.

Mauro afirma que a situação no Brasil é diferente da Europa, onde há arrecadação com turismo em estádios de futebol e que no caso do Corinthians, o clube ganhou um estádio, mas junto a ele uma série de problemas a partir do momento em que topou assumir o jogo de abertura da Copa do Mundo de 2014.

"O Corinthians tinha o Pacaembu, mas havia esse fetiche de ter o estádio porque o São Paulo tem um estádio, o Palmeiras já tinha o seu estádio mesmo o antigo Parque Antarctica, e o Santos tem lá a Vila Belmiro. Poderia ter se aventurado nisso, mas não da maneira que o fez, ainda foi presenteado pelo Lula, que era o presidente da República e que, de uma maneira absurda, se envolve junto com a Odebrecht, que tinha no governo federal o seu principal cliente, com obras imensas", diz Mauro Cezar.

"Com interferência do então presidente da República, o estádio começa a ser construído, mas aí vem a Copa do Mundo e a aventura, aliás, tudo sempre capitaneado pelo atual presidente do clube, e vira uma dívida monstruosa. Independentemente disso, tem uma dívida do clube, eu acho, sinceramente, que ter o estádio é legal dentro de circunstâncias bem profissionais, digamos assim, e com inteligência, se não, vira mais um peso morto do que outra coisa. É legal, é bonito, é bacana, mas o Corinthians mergulhou nisso também em um cenário político que mudou depois e aí a coisa se complicou de vez", conclui.

O jornalista também lembra que há clubes como Cruzeiro, Flamengo e Fluminense que jogam em estádios que foram construídos pelo poder público, sem que precisem ser donos, e cita que é melhor a situação do São Paulo, que tem um estádio antigo sem dívida por ele, do que o caso do Corinthians, que poderia ser melhor se ainda utilizasse o Pacaembu.

"As comparações com a Europa, eu acho que são muito rasas algumas vezes, o caso que se fala muitas vezes, o São Paulo tem um estádio velho, muitos colegas falam isso, mas é dele, o Corinthians tem um estádio novo que ele tem uma dívida, é o dono e tem uma dívida colossal. Quer a situação do São Paulo ou do Corinthians com relação ao estádio? Eu prefiro a situação do São Paulo, o estádio é dele, está quitado", diz Mauro.

"O estádio futebol vira muito mais a casa de praia, a casa de praia que te dá mais despesa do que satisfação, e acaba sendo isso, então você vê agora, o que está acontecendo nesse momento. Se estivesse no Pacaembu, é claro que o cenário seria muito melhor", conclui.

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