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Dorival Júnior: "40% dos jogadores da Série A deveriam estar na Série B"

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Do UOL, em São Paulo

17/09/2020 04h00

O técnico Dorival Júnior acredita que o futebol brasileiro não é jogado no mesmo nível de décadas anteriores devido a três pilares, com a falta de atualização dos treinadores, de profissionalismo de jogadores e a cobrança da imprensa pelos resultados, com a derrota da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1982 como ponto de partida, e ele também considera que outros dois problemas são a formação de jogadores no Brasil e o êxodo de atletas para a Europa.

Em entrevista ao programa Os Canalhas, com os jornalistas João Carlos Albuquerque e Rodrigo Viana, o treinador aponta que a perde de jogadores a cada ano faz com que o nível do futebol dos clubes seja mais baixo e que o Brasil se tornou 'resultadista' depois da derrota da seleção brasileira para a Itália em 1982.

"Que o treinador brasileiro deixou as coisas andarem, concordo. Que o jogador brasileiro nunca se preocupou com a sua formação, também concordo, nunca deu importância ao profissionalismo. Que a imprensa teve uma cobrança excessiva, tudo isso somado, são três segmentos muito importantes no futebol e três segmentos que deixaram as coisas acontecerem na bola. Essa é a minha opinião", afirma Dorival.

"Para mim, o maior pecado do futebol mundial foi a seleção brasileira de 1982 não ter ganhado aquela Copa. Não foi um pecado para o futebol brasileiro, foi um pecado para o futebol mundial. Principalmente o futebol brasileiro, nós começamos a dar importância ao resultado. E aí entra o papel da imprensa brasileira, daí para a frente nós começamos a cobrar o resultado pelo resultado, e nós hoje estamos pagando um preço não é de agora, é de 30 anos atrás, nós estamos pagando um preço muito alto", completa.

O técnico cita a grande quantidade de jogadores que saem do país para atuarem em outros centros, como o europeu, o que acaba enfraquecendo o futebol brasileiro ao levar os clubes da primeira divisão a necessitarem de muitos atletas que têm nível para estarem apenas na segunda.

"Juntando tudo isso ao fato de não termos uma formação, nós acabamos criando um buraco na nossa formação, no crescimento das nossas equipes e dos nosso atletas. E aí o principal, nós perdemos 1.500 jogadores por ano e isso vem acontecendo há mais de 12, de 12 para 15 anos", afirma Dorival.

"A CBF libera por ano 1.500 inscrições para clubes europeus entre jogadores tops, jogadores razoáveis para muito bom, jogadores razoáveis para bom, jogadores só razoáveis e jogadores que não eram nem para serem profissionais. Hoje nas nossas equipes, 40% que jogam a Série A, não eram para jogar, deveriam estar na Série B. 40 dos que jogam a Série B, não eram para estarem na Série B, deveriam estar em Série C e daí para adiante", completa.

O técnico que trabalhou com Neymar nos primeiros anos de carreira do jogador no Santos diz que um dos problemas do Brasil é não ser um grande formador de atletas, que durante muitos anos surgiram no país pelas circunstâncias como as brincadeiras na infância, o que fazia com que muitos atletas surgissem jogando nas ruas e nos campos de várzea.

"O treinador de futebol, ele acaba tendo o produto final nas mãos, mas na minha opinião e isso eu falo há mais de 20 anos, desde quando eu atuava, desde quando eu jogava futebol. Para mim o Brasil nunca foi um grande formador, essa é a grande verdade. Os nossos atletas, eles sempre aconteceram, eles foram originários da essência do nosso país, que era o futebol de rua. A quantidade de jogadores que nós sempre tivemos, era porque nós tínhamos uma brincadeira, que era a bola", declara Dorival.

Devido ao fato de os hábitos ligados ao futebol serem diferentes em outras épocas, ele diz que os times do interior sempre tinham bons jogadores, habilidosos e com características históricas do futebol brasileiro, e o reflexo da mudança em relação ao surgimento de jogadores é a perda da habilidade, com os atletas de hoje mais velozes e fortes fisicamente, mas sem o drible.

"Hoje a grande verdade é que nós não conseguimos dar uma finta. A grande maioria dos nossos jogadores hoje, eles são, atleticamente falando, muito fortes, mas eles não conseguem balançar na frente do seu marcador. Nós deixamos aí jogadores em um para um, que é justamente para fazerem isso que nós precisamos, e, de repente, o jogador encontra maior dificuldade justamente nesse momento. Então, assim, a nossa formação nunca foi, nós nunca demos atenção, porque o jogador nascia aqui, aparecia aqui, quando um desistia da profissão, vinham mais dez", conclui.

Os Canalhas: Quando e onde?

O programa Os Canalhas vai ao ar toda terça-feira, às 14h, em transmissão ao vivo, disponível na home do UOL ou nos perfis do UOL Esporte no Youtube e no Facebook e Twitter, com os jornalistas João Carlos Albuquerque e Rodrigo Viana entrevistando personalidades importantes do esporte brasileiro. Inscreva-se no canal Os Canalhas no Youtube para conferir mais de João Carlos Albuquerque e Rodrigo Viana.