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Alex: Técnicos hoje priorizam o que é bom para eles em vez do time

Do UOL, em São Paulo

14/08/2020 04h00

O futebol mudou em relação à forma como era jogado em décadas passadas, com uma disputa maior por espaço, goleiros com qualidade para jogar com os pés, entre outras mudanças táticas e técnicas, mas para o ex-meio-campista Alex, que deixará a ESPN no final do ano para iniciar sua carreira como técnico, a forma de jogar dos clubes brasileiros, de forma mais conservadora nos últimos anos, tem a ver com a coragem dos treinadores em correr riscos.

Em entrevista ao programa Os Canalhas, com os jornalistas João Carlos Albuquerque e Rodrigo Viana, Alex explica a mudança em relação à disputa por espaços e também o motivo de não haver mais tantos times com um jogo mais ofensivo no futebol brasileiro, com exceções como o Flamengo do português Jorge Jesus e o Santos do argentino Jorge Sampaoli no ano passado

"De uns tempos para cá, que para mim isso é uma discussão que eu faço muito nessa coisa de estar estudando futebol para voltar como treinador, o que é importante para o treinador? É importante que o jogador faça aquilo que é bom para o time ou é importante que o jogador faça aquilo que é bom para mim? Isso dá muita diferença", afirma Alex.

"Porque se eu for olhar para o meu time, eu tenho que correr algum risco, tenho que pôr esse menino aqui, que não tem um poder tão grande de marcar, mas eu vou correr risco. Mas é bom para o time, então eu vou colocá-lo. Não, eu não quero correr risco porque, se eu correr risco, talvez eu perca o meu emprego, então isso é algo que eu venho discutindo comigo mesmo, onde é bom para o treinador e onde é bom para o time. E a gente não tinha antes isso, os treinadores não tinham essa preocupação. Os treinadores colocavam o que era bom para o time", completa.

Alex afirma que o problema do futebol não é a falta de espaço para jogar, mas saber encontrá-los no campo de jogo. Além disso, ele também cita que em décadas passadas mesmo treinadores que tinham como marca os times armados priorizando a defesa primavam por jogadores de maior qualidade técnica.

"Os espaços, eles ainda existem, eles só estão em locais diferentes mas eles existem. E é isso mesmo, a quadra de futsal adulta, que algumas crianças até jogam, é 20 por 40. E no campo, como esses treinadores armam, como a maioria arma hoje, muitas vezes no máximo 35 metros, mas assim, em times que são muito bem treinados, porque na realidade final não é isso, na realidade final existe essa ideia de que seja assim, mas a execução nem sempre acontece", diz o ex-jogador.

"A principal mudança falando de futebol brasileiro, até traçando um paralelo com o futebol europeu, eu gosto sempre de fazer um comparativo assim. O Telê Santana as pessoas tratavam como ofensivo, super vencedor, o Ênio Andrade, as pessoas tratam como um treinador que se protegia mais, se defendia mais. Pode ser assim? Pode, mas tem uma coisa que era um comum entre eles, eles queriam jogadores que jogassem futebol, jogadores técnicos, que quando a bola viesse, o Ênio, 'meu time é um pouquinho mais defensivo', mas ele foi campeão brasileiro no Internacional que todo mundo jogava, que todo mundo ia para o jogo. E o mesmo vale para o Telê, o Telê também jogava para o ataque, mas ele queria que os jogadores dele jogasse", conclui.

Os Canalhas: Quando e onde?

O programa Os Canalhas vai ao ar toda terça-feira, às 14h, em transmissão ao vivo, disponível na home do UOL ou nos perfis do UOL Esporte no Youtube e no Facebook e Twitter, com os jornalistas João Carlos Albuquerque e Rodrigo Viana entrevistando personalidades importantes do esporte brasileiro. Inscreva-se no canal Os Canalhas no Youtube para conferir mais de João Carlos Albuquerque e Rodrigo Viana.