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Alex: "Jesus no Flamengo foi surreal, mas não é vergonha para brasileiros"

Do UOL, em São Paulo

13/08/2020 04h00

Os técnicos estrangeiros dominaram o futebol brasileiro a partir de 2019, com Jorge Jesus conquistando o Brasileirão e a Libertadores pelo Flamengo, enquanto Jorge Sampaoli foi vice-campeão nacional com o Santos, o que resultou neste ano na chegada de mais treinadores de fora, como Eduardo Coudet no Internacional, Jesualdo Ferreira, que já deixou o Santos, Rafael Dudamel e depois Sampaoli no Atlético-MG e Domènec Torrent para o lugar de Jesus. Mas para o ex-meia e futuro técnico Alex, a chegada e os bons resultados dos estrangeiros não podem ser vistos como vergonha para os treinadores brasileiros.

Em entrevista ao programa Os Canalhas, com os jornalistas João Carlos Albuquerque e Rodrigo Viana, Alex ressalta que Jesus e Sampaoli fizeram trabalhos importantes em clubes que deram condições para isso, cita testes que não deram certos nas mãos de técnicos brasileiros, mas coloca o trabalho de Jorge Jesus no Flamengo como surreal, inclusive com o número de conquistas para o tempo de permanência do português.

"Quanto mais gente vier aqui, independente se brasileiro, se sul-americano como é o Sampaoli, se é europeu como o Jesus, independente de onde são, de onde nasceram, independente das ideias que têm de jogo, que trabalhem, que deixem os caras trabalhar. Esse é o caso mais importante, e a gente veja jogos de uma maneira diferente", diz Alex.

"O Jesus fez uma coisa legal, estava o Brasil todo jogando com um atacante e dois caras abertos, ele pegou o Bruno Henrique, empurrou perto do Gabriel Barbosa e fez dois atacantes, empurrou a defesa para marcar mais alto, uma ideia dele, que pouca gente usava. E aí o legal, funcionou. Porque, por exemplo, o Levir Culpi no Atlético-MG tentou usar uma linha mais alta, acabou tomando alguns gols e aí as pessoas já questionavam aquela linha que ele estava usando. Mas a linha do Flamengo funcionou, a linha do Atlético-MG funcionou mais ou menos", completa.

Alex afirma que a situação para os técnicos brasileiros seria diferente se os estrangeiros tivessem chegado em clubes com condições inferiores e ainda assim dominassem o Campeonato Brasileiro da mesma forma como fizeram. Mesmo assim, ele ressalta que Jesus fez um trabalho fora do comum.

"Diferente, por exemplo, se os estrangeiros vêm em equipes com uma condição um pouco menor, por exemplo, se esses treinadores vêm numa equipe numa condição um pouco menor e fazem um negócio assim absurdo, aí a gente ficaria preocupado, mas eles vieram no Flamengo e no Santos, que são dois clubes que te dão, mesmo o Santos um pouco mais complicado, ainda te dá condição de fazer um bom trabalho", diz o ex-jogador.

"O trabalho do Jorge Jesus no Flamengo é algo absurdo, espetacular. O que ele conseguiu fazer em pouquíssimo tempo, acho que trabalhou 13 meses, isso normalmente todo mundo está falando que o trabalho está iniciando para pegar, o dele já estava no final, ele voltando para Portugal. O do Jesus é surreal, é algo espetacular, é algo que o flamenguista tem que agradecer, porque comemoraram bastante, mas eu não vejo como vergonhoso, não. Eu vejo muito mais naquela onda que eu acabei de dizer, é muito mais coisa de você começar a olhar e ver, 'isso aqui é legal, dá para eu usar', muito mais como aprendizado, como troca mesmo eu acho que quanto mais ideias diferentes tiver, melhor", completa.

Há espaço para diferentes perfis de treinadores

Alex gosta mais de ver times ofensivos, mas ressalta que há jogos bonitos que são jogados de diferentes formas e cita o início do argentino Diego Simeone em sua carreira de técnico, quando visitou o Barcelona para conferir os treinos de Pep Guardiola.

"Eu vi uma história do Simeone, que para mim ela é fantástica, ela resume bem. O Simeone está iniciando a carreira dele de treinador, e conversa com o Guardiola para assistir alguns treinos do Guardiola, o Guardiola libera. E fica lá sei lá quantos dias, no último dia ele vai pagar um jantar para o Guardiola enquanto agradecimento por tudo aquilo que ele viu", conta.

"E no final do jantar ele fala 'cara, foi muito legal, foi fantástico, mas tudo o que você faz não serve para mim'. Porque para ele, ele cresceu na Argentina, ele jogava de uma maneira diferente, ele via outras coisas diferentes e aí você vê, os times do Guardiola são de uma forma, lindo de ver, e o time do Atlético de Madri é de outra forma, que também não deixa de ser bonito, mas é aquilo que ele defende, é aquilo que ele gosta, que eu acho muito legal isso". conclui.

Os Canalhas: Quando e onde?

O programa Os Canalhas vai ao ar toda terça-feira, às 14h, em transmissão ao vivo, disponível na home do UOL ou nos perfis do UOL Esporte no Youtube e no Facebook e Twitter, com os jornalistas João Carlos Albuquerque e Rodrigo Viana entrevistando personalidades importantes do esporte brasileiro. Inscreva-se no canal Os Canalhas no Youtube para conferir mais de João Carlos Albuquerque e Rodrigo Viana.