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Rodrigo Rodrigues: Os Canalhas homenageiam apresentador com papo e música

Do UOL, em São Paulo

30/07/2020 19h16

Na última terça-feira a televisão brasileira perdeu o jornalista, músico, escritor e apresentador Rodrigo Rodrigues, que morreu aos 45 anos por complicações da covid-19. O programa Os Canalhas decidiu fazer hoje uma homenagem ao apresentador, com um papo dele com João Carlos Albuquerque e Rodrigo Viana, gravado em abril deste ano, e no qual Rodrigues demonstra seu jeito despojado, alegre e fala de diferentes momentos da carreira na TV.

O começo da carreira na televisão como estagiário de Daniel Azulay, a história de entrevistas durante o período em que trabalhou na TV Cultura, até a chegada ao jornalismo esportivo na ESPN, em que diz ter João Carlos Albuquerque como influência pela forma de apresentar sem ser um especialista em futebol e levando outros temas para dentro dos programas.

"Quando eu cheguei na ESPN, eu estava meio assustado. Eu falei 'porra, vou virar apresentador esportivo, sou de cultura, o que é que eu estou fazendo aqui? O que o Trajano tem na cabeça, cara? Vai dar merda isso aqui, vai dar merda'. Aí eu vi o João no ar e falei 'pelo menos tem mais um maluco lá na ESPN, significa que existe espaço', porque se não fosse o jeito de apresentar do João lá no canal, eu acho que eu não teria encontrado nenhuma estrada para percorrer", disse Rodrigo.

O jornalista também contou sobre momentos curiosos de entrevistas com o produtor musical e diretor de televisão Fernando Faro, o cineasta Zelito Viana e o ator Paulo Cesar Pereio. Da ida ao esporte a convite de José Trajano, a receptividade de Galvão Bueno quando fez sua primeira interação com o narrador no Sportv, além de fazer um breve dueto musical com João Carlos Albuquerque.

Rolês aleatórios e o começo na TV com Daniel Azulay

Além da carreira na televisão, Rodrigo Rodrigues foi marcado por sua versatilidade, tocando com a banda The Soundtrackers, administrando restaurante e publicando livro, por exemplo. E essas diferentes atividades já estavam presentes desde antes de seu início na frente das câmeras, chegando a trabalhar como guia na Disney e a dar aulas de educação artística. E sua carreira televisiva começou nos desenhos, com o artista Daniel Azulay.

"Eu já fiz tanto rolê aleatório na vida que às vezes as pessoas me chamam de Forrest Gump, falam 'não é possível que você já fez isso aí também'. É que antes da TV, eu tinha outra vida, eu estudava artes na faculdade, trabalhava num colégio, eu ia ser professor de educação artística e tocar na noite. E na época eu também era guia na Disney, então ao mesmo tempo eu era estudante de artes, professor de criança pequena e guia na Disney, até virar apresentador de uma hora para outra assim e mudar para fazer jornalismo e tudo mais. Essa é uma parte que parece que foi uma outra vida que eu vivi como você também já largou tudo uma vez para dar aula de violão e depois acabou voltando. Tem essas maluquices assim", conta Rodrigo.

A morte de Daniel Azulay, em março deste ano, tendo contraído a covid-19 quando tratava de uma leucemia, fez Rodrigo voltar a desenhar e revelar que havia trabalhado com o artista. Ele esperava que com a perda de Azulay, as pessoas pudessem se atentar mais para o perigo da doença e a pandemia, ainda com muitos casos e mortes no país.

"Uma passagem que ninguém sabia e que eu fui 'obrigado' a contar por causa de uma notícia ruim é que o meu primeiro emprego em TV na Band aqui do Rio tinha sido como assistente de produção do Daniel Azulay, que foi a primeira vítima conhecida do coronavírus aqui no Brasil. Eu acho que quando o Daniel foi embora, muita gente que não estava prestando atenção nesse negócio, começou a falar 'caramba'. Que aí quando vai algum conhecido teu ou alguma pessoa famosa, você começa a achar que aquilo está mais perto de você e é mais importante", disse Rodrigo.

"Depois de muito tempo, anos sem pegar no lápis, aí eu fiz um desenho, lembrei da minha época de estagiário lá e enquanto eu fazia o desenho, assim, emocionado, chorava assim com saudade do Daniel e tal, porque eu aprendi muito também vendo o jeito dele apresentar. E aí eu publiquei no Instagram o desenho, contei a história e foi meio que uma comoção assim, porque ninguém sabia. Eu acho que eu nunca tinha falado isso, foi o meu primeiro emprego, 25 anos atrás em televisão, eu nem aparecia na tela, ficava ali atrás desenhando, e aí quando eu li a notícia, me deu uma tristeza de ter ficado anos sem falar com ele, de nunca mais ter encontrado com ele".

RR teve a socialite Narcisa em sua turma na faculdade

Quando optou por trocar sua faculdade de artes pelo jornalismo, Rodrigo Rodrigues optou por estudar na extinta Faculdade da Cidade, no Rio de Janeiro, onde teve como professores profissionais da GloboNews e, entre os colegas de turma, teve a socialite Narcisa Tamborindeguy, além de ser calouro de Maria Beltrão, hoje apresentadora do Estúdio I, na própria emissora.

"Foi quando eu troquei de artes para jornalismo. Eu fui parar na Faculdade da Cidade porque na época, dizia-se no Rio que era a melhor faculdade para quem queria fazer televisão porque tinha bons equipamentos e a GloboNews tinha acabado de ser inaugurada e quase todos os professores da GloboNews davam aula, quase todos os profissionais da GloboNews a época davam aula na faculdade", contou Rodrigo.

"A Leda Nagle era professora, a Alice Maria coordenava o curso e a Maria Beltrão, que hoje apresenta o Estúdio I, tinha acabado de se formar lá na Faculdade da Cidade. Eu era calouro da Maria Beltrão, então foi o meu começo estudando televisão, jornalismo, foi lá, quando eu fui da turma do Samy [Vaisman], jornalista e assessor de imprensa da NBA no Brasil]. Aliás, a Narcisa Tamborindeguy era da mesma turma? Ai que loucura!", completou.

Rodrigo questionou Trajano ao ser chamado para a ESPN

Antes de apresentar programas esportivos na TV, Rodrigo Rodrigues já havia trabalhado nas editorias de cultura e variedades, entrevistando músicos, cineastas e até sendo repórter em programa de fofocas, até que recebeu um chamado de José Trajano para virar apresentador na ESPN, o que de início ele não entendeu e até indicou outro nome ao chefe.

Rodrigo contou que apenas ele e João Carlos Albuquerque eram apresentador de fato, enquanto outros nomes da emissora se dividiam em mais de uma função, como narração, comentários e apresentação.

"Quando eu cheguei na ESPN, eu perguntei para o Trajano. 'Por que eu, Trajano?' Tem tanto cara aí, eu até vou citar o nosso amigo Wladir Lemos, que eu estava na TV Cultura, era colega do Wladir, o Wladir já fazia o Cartão Verde e eu até brinquei. Eu falei 'Trajano, o Edu Elias saiu, por que você não trouxe o Wladir, pô? O Wladir já está aqui, já é do futebol, já participava como comentarista eventual na ESPN", contou Rodrigo.

"Aí ele falou uma frase para mim que eu não esqueço nunca mais: 'Aqui todo mundo entende de futebol, cara, eu quero alguém que saiba de outras coisas também'. Ele falou 'eu quero alguém que goste de cinema, de música, você escreveu um livro aí', eu tinha acabado de lançar o livro da Blitz, e ele falou 'e gosta de futebol também'. E para a gente apresentar um programa, a gente não precisa ser especialista, nenhum apresentador do Globo Repórter é especialista no acasalamento das capivaras, as pessoas vão lá e apresentam", completou.

Gratidão a Galvão Bueno pela primeira interação ao vivo

Depois de passagens por várias emissoras e, dentro do esporte, passando por ESPN e Esporte Interativo, Rodrigo Rodrigues trabalhava há um ano e meio no Sportv de demorou a conseguir interagir ao vivo com o narrador Galvão Bueno. E o contato ocorreu em um link ao vivo depois da vitória do Flamengo sobre o Grêmio na semifinal da Libertadores 2019.

Rodrigo disse guardar na lembrança o momento do primeiro contato com Galvão e exalta a generosidade e o carinho com o qual o narrador o tratou em seu início na emissora.

"Eu cheguei na Globo em São Paulo, mas o Galvão mora em Londrina, ele só vem fazer o Bem, Amigos, segunda-feira, ou narrar algum jogo, então assim, em quase um ano de TV Globo eu não tinha encontrado o Galvão ainda pessoalmente e aí no dia, acho que foi na final da Libertadores se eu não me engano, falaram para mim 'talvez o Galvão entre na cabine depois do jogo'. Por que talvez? Porque o Sportv não estava fazendo o jogo, o Sportv não tinha o direito, mas a Globo estava e é muito raro uma cabine da TV Globo entrar num programa do Sportv", disse Rodrigo.

"E aí eu falei 'caramba, primeira vez que eu vou. Nem encontrei o Galvão ainda, a primeira interação com ele vai ser via link, puta merda', e eu ali meio, pisando em ovos e tal. E aí eu falei 'pô, que dia legal, o Flamengo campeão depois de 40 anos, minha primeira interação com o Galvão, fala Galvão, bem-vindo ao Troca! A gente ainda nem se viu'. E ele falou assim 'não, não, eu te vejo todo dia', e aí fez um elogio muito bacana, muito espontâneo, meio que botou a espada assim no cavaleiro, sabe? E foi muito legal porque eu não esperava, nunca tinha encontrado o Galvão, não sabia o que ele achava de mim, se ele já tinha me visto, se me conhecia e aí eu fiquei até meio sem graça no ar assim, mas foi muito bacana, eu guardo esse dia com muito carinho", concluiu.

Com João Carlos Albuquerque na voz e Rodrigo Rodrigues no violão, os dois ainda dão uma palhinha da música Pro Dia Nascer Feliz, do Barão Vermelho, que os dois chegaram a gravar juntos em vídeo durante a quarentena, numa das tantas gravações feitas por Rodrigo durante o período.

Os Canalhas: Quando e onde?

O programa Os Canalhas vai ao ar toda semana em duas edições semanais, na terça-feira, às 14h, e na quinta-feira, às 18h, em transmissão ao vivo, ou gravado, disponível na home do UOL ou nos perfis do UOL Esporte no Youtube e no Facebook e Twitter, com os jornalistas João Carlos Albuquerque e Rodrigo Viana entrevistando personalidades importantes do esporte brasileiro. Inscreva-se no canal Os Canalhas no Youtube para conferir mais de João Carlos Albuquerque e Rodrigo Viana.