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Presidente da FPF: "Se o clube negociar igual, não há lei que dê jeito"

Do UOL, em São Paulo

17/07/2020 12h10

Após a articulação do Flamengo e a ida a Brasília de representantes de outros clubes para encontro com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) visando a discussão da Medida Provisória 984, houve um posicionamento oficial de 16 dos 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro ontem, em que apenas Botafogo, Fluminense, Grêmio e São Paulo não se declararam favoráveis à mudança em relação aos direitos de transmissão do futebol, com o clube mandante passando a ter o direito de negociação.

Em entrevista ao programa Os Canalhas, com os jornalistas João Carlos Albuquerque e Rodrigo Viana, o presidente da Federação Paulista de Futebol, Reinaldo Carneiro Bastos, afirma que, embora não tenha ocorrido uma conversa da entidade com os clubes a respeito da MP, ele é pessoalmente favorável a ela, mesmo apontando algumas ressalvas a respeito da forma como ela foi feita e sobre a interpretação a respeito da negociação. Para ele, também não adianta ter a lei se os clubes não mudarem a forma com que negociam.

"Não é a opinião dos clubes de São Paulo, é a opinião do Reinaldo. Eu sou favorável. Eu sou favorável porque ela liberta ou acaba com a possibilidade de não ter partida de futebol transmitida. Eu tinha o direito que se eu não quisesse assinar com ninguém, quando eu jogasse, ninguém via o meu jogo, independente se eu estou jogando na minha casa ou na sua casa. Eu acho que isso não é bom para a indústria do futebol, eu acho que isso não é bom para a livre concorrência e eu acho que isso não é bom principalmente para o torcedor, que é a alma de tudo isso", afirma Carneiro Bastos.

Além de defender que os direitos de transmissão se adequam ao que é praticado nas maiores ligas de futebol do mundo, o presidente da Federação Paulista é crítico à forma como o Flamengo negociou com o governo sem dialogar antes com outros clubes interessados, e avisa que não adianta mudar a lei se os clubes não alterarem a forma com que negociam seus contratos.

"Primeiro, podia ter sido feito com um diálogo maior, eu sou sempre favorável a ouvir todos, se não for possível, a grande maioria, tem que ouvir o meio, mas fazendo essa ressalva, sou a favor. Segundo, não há lei boa ou ruim que dê jeito numa negociação mal feita. Se o clube continuar negociando os seus direitos como negociou até hoje, toma aqui uma luva e prorroga por mais quatro anos, toma aqui uma luva e abre mão disso, não há lei que dê jeito. E terceiro, a melhor forma de se rentabilizar o seu produto, é negociando coletivamente, tem pessoas que estão confundindo que vão vender seus direitos isoladamente e vai ser um grande negócio, não há caso de sucesso em grande liga no mundo de clube que venda o seu direito isoladamente", analisa o dirigente.

Reinaldo Carneiro Bastos cita o exemplo do Red Bull Bragantino, que ainda não tem um acordo de direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro para defender a aplicação da MP 984 e evitar que os torcedores fiquem sem poder ver pela TV os jogos contra a equipe de Bragança Paulista caso ela não acerte um contrato.

"Eu não vejo dificuldade para nenhum clube essa mudança, pelo contrário, volto a frisar, tem vários benefícios ao torcedor, a entrada de novos pretendentes no mercado e a possibilidade de zerar os blackouts em partidas de futebol, que estava começando a acontecer. O Bragantino não assinou com ninguém, na lei antiga, ninguém veria os jogos dele. Todos os 38 jogos, nem em casa e nem fora, então nós teríamos 38 jogos do Bragantino que ninguém ia ver. Não é o ideal", conclui.

Os Canalhas: Quando e onde?

O programa Os Canalhas vai ao ar toda semana em duas edições semanais, na terça-feira, às 14h, e na quinta-feira, às 18h, em transmissão ao vivo, ou gravado, disponível na home do UOL ou nos perfis do UOL Esporte no Youtube e no Facebook e Twitter, com os jornalistas João Carlos Albuquerque e Rodrigo Viana entrevistando personalidades importantes do esporte brasileiro. Inscreva-se no canal Os Canalhas no Youtube para conferir mais de João Carlos Albuquerque e Rodrigo Viana.