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16/07/2009 - 09h03

Jogos reúnem modalidades rejeitadas pelo Comitê Olímpico

Por Gustavo Alves e Mariana Bastos
Folhapress
Em São Paulo
Qual é o maior evento esportivo deste ano? Copa das Confederações? Mundial de Esportes Aquáticos, em Roma? Mundial de Atletismo de Berlim? Não. Pelo menos, em número de participantes, o maior evento do esporte em 2009 são os Jogos Mundiais, que começam nesta quinta em Kaohsiung (Taiwan).

OS RENEGADOS DAS OLIMPÍADAS
AP
Estádio principal dos Jogos Mundiais, que receberão mais de 3 mil atletas em Taiwan
Sam Yeh/AFP
A cerimônia de abertura teve direito a show
Crédito
Público prestigiou o desfile das delegações, e fez festa para os atletas de Taiwan
PUNHOBOL BRASILEIRO TENTA TÍTULO INÉDITO NOS JOGOS MUNDIAIS DE TAIWAN
Com 3.236 atletas inscritos para esta edição, a oitava, os Jogos Mundiais são uma espécie de Olimpíada que reúne esportes rejeitados pelo Comitê Olímpico Internacional (COI).

Foram criados em 1981, justamente com o objetivo de reunir todas as modalidades que não encontram espaço no disputado programa olímpico.

Na edição taiwanesa, haverá disputa de 31 modalidades, sendo 26 oficiais e 5 convidadas. Tem de tudo: sinuca, paraquedismo, boliche, ginástica aeróbica, escalada, sumô, cabo de guerra, jiu jitsu, entre outros. Há ainda esportes insólitos, como tchoukball, corfebol e dragon boat, por exemplo.

Os custos de organização são bem mais modestos do que os de uma Olimpíada. Para o evento deste ano, foram gastos cerca de R$ 560 milhões. A Olimpíada de Pequim, no ano passado, consumiu quase dez vezes mais, descontando-se ainda investimentos em infraestrutura.

Menos badalado, os Jogos Mundiais contam em sua maioria com atletas amadores. Segundo a organização do evento, a maior parte dos esportistas recebeu o apoio dos comitês olímpicos nacionais para poder participar do evento.

No Brasil, a situação é bem diferente. Apesar de a delegação brasileira ter 57 representantes, ou cerca de 20% do número de esportistas que foram a Pequim, o Comitê Olímpico Brasileiro e o Ministério do Esporte ignoram o evento.

Relegados à obscuridade de seus esportes, a maioria teve de arcar com dinheiro do próprio bolso para disputar os Jogos.

O paraquedista Marat Leiras, que mora nos EUA, chegou a fazer uma "vaquinha" entre amigos para poder participar do evento em Taiwan. Arrecadou US$ 3.500, dos quais US$ 1.600 foram gastos só em passagem e o restante em treinamentos.

"Ser paraquedista tupiniquim não é fácil. Com o dinheiro que sobrou, só consegui fazer 30 saltos. Um canadense faz 150 em treinos para competição", afirmou Leiras, 37, que teve que se mudar para os EUA justamente por não obter apoio para se dedicar ao esporte.

Willian Takahiro, atleta do sumô, usou artifício parecido. Ele e outros quatro sumotoris brasileiros tiveram que arrecadar, cada um, R$ 2.000 vendendo números de uma rifa.

"Tenho 20 anos como atleta e só perdi dinheiro. Teve atleta que chegou a gastar R$ 4 mil do bolso para poder ir."

Um dos poucos privilegiados da delegação nacional é o patinador Marcel Stürmer. Bicampeão do Pan e bronze no Mundial, o gaúcho recebeu ajuda de patrocinadores para ir à Ásia.

Já o time de handebol de praia acabou se beneficiando por ter um "irmão olímpico", na quadra. A confederação brasileira da modalidade, que recebe recursos da Lei Piva, bancou as passagens da equipe.

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Caratê, softbol - que esteve no programa da Olimpíada de Pequim-2008 -, rúgbi e squash têm nos Jogos Mundiais a última chance para convencer o Comitê Olímpico Internacional (COI) de que podem ser olímpicos. Eles estão entre as sete modalidades que pleiteiam vaga nos Jogos de 2016.

As outras três concorrentes são golfe, patinação de velocidade e beisebol. Apenas duas serão escolhidas. A decisão sai em 2 de outubro, mesmo dia em que será divulgada a sede da Olimpíada de 2016.

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