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Um ano sem Maradona e de incerteza sobre a morte do astro do futebol

25/11/2021 14h30

Buenos Aires, 25 nov (EFE).- Em 25 de novembro de 2020, o mundo foi sacudido com a notícia da morte do ex-jogador de futebol Diego Maradona, uma das maiores celebridades esportivas do planeta, e um ano depois, a justiça da Argentina ainda investiga o que aconteceu nos últimos momentos da vida de 'El Pibe'.

Sete pessoas, relacionadas aos cuidados médicos do campeão mundial em 1986, são investigadas por suposto crime de homicídio simples, com dolo eventual", com as autoridades tentando determinar se o atendimento a Maradona foi deficiente.

OS INVESTIGADOS.

- Leopoldo Luque: neurocirurgião que é apontado por testemunhas e familiares como médico pessoal de Maradona, o que ele sempre negou, garantindo que o ex-jogador o procurava por vê-lo como "um amigo". Dalma e Gianinna, filhas do astro, o acusam de ser o principal responsável pela morte do pai, assim como o advogado Matías Morla.

- Agustina Cosachov: psiquiatra responsável pela medicação de Maradona, que, segundo mensagens obtidas pela imprensa argentina, coordenava com Luque o trabalho da equipe médica. Também é investigada por falsidade ideológica, após ser acusada de garantir que o ex-jogador estava em bom estado de saúde, sem se encontrar com ele.

- Carlos Díaz: último psicólogo que atendeu 'El Pibe'. Era o profissional que mais decisões tomava, depois de Luque e Cosachov. É considerado o homem de confiança de Morla, amigo, advogado e responsável pelas finanças de Maradona.

- Nancy Forlini: médica que coordenava os cuidados domiciliares do ex-jogador.

- Mariano Perroni: coordenador dos enfermeiros.

- Dahiana Gisela Madrid: enfermeira que estava em casa quando Maradona morreu.

- Ricardo Almirón: enfermeiro que esteve na casa na noite anterior ao falecimento do ex-jogador. Foi a última pessoa a ver Maradona com vida.

ACUSAÇÕES CRUZADAS.

Cada um dos investigados negou ter prestado atendimento deficiente a 'El Pibe' e, em depoimento, responsabilizou outro dos acusados como sendo o responsável pelos cuidados médicos.

A maioria dos ouvidos pelas autoridades, contudo, concordou que Luque e Cosachov foram os que tomavam as decisões sobre a saúde do ilustre paciente.

OS DEPOIMENTOS.

Para seguir com a investigação, o Ministério Público argentino colheu o depoimento, em caráter de testemunhas a diversas pessoas próximas ao ex-jogador, como filhos, ex-mulheres, profissionais de Saúde que o atenderam.

Dalma e Gianinna, filhas de Maradona e Claudia Villafañe, com quem ele foi casado, têm voltado as baterias contra Morla, a pessoa mais próxima do astro em seus últimos anos de vida.

Segundo elas, o advogado administrava a vida e a carreira do ex-jogador e tinha a incumbência de contratar médicos, seguranças, cozinheiros e demais funcionários que trabalhavam para Maradona.

As três consideram que Morla, que também é advogado das irmãs de Maradona, e Luque são os principais responsáveis pela morte de 'El Pibe'.

CONSUMO DE MACONHA E ÁLCOOL.

As pessoas que viviam com Maradona forneciam para ele álcool e maconha quase diariamente, às vezes, para "colocá-lo para cima", e isso era uma preocupação para a equipe médica que o atendia, de acordo com áudios obtidos pela imprensa argentina.

Em dezembro do ano passado, o resultado de exame toxicológico revelou que não havia sinais de álcool, nem de outras drogas no corpo no momento da morte do ex-jogador, mas identificou a presença de diversos medicamentos legais.

A MORTE DO "DEZ".

Maradona, com 60 anos, foi internado em uma clínica da cidade de La Plata em 2 de novembro do ano passado, com quadro de anemia e desidratação. Um dia depois, foi encaminhado para um hospital em Olivos, onde foi operado de um hematoma subdural.

Em 11 de novembro, recebeu alta, mas com a indicação de que deveria receber atendimento domiciliar, para seguir sob tratamento.

Pouco depois, em 25 de novembro de 2020, morreu em uma casa localizada em um condomínio fechado nos arredores de Buenos Aires. A autopsia revelou que o astro faleceu por um "edema agudo no pulmão, secundário a uma insuficiência cardíaca crônica aguda".

Além disso, foi descoberto no coração do astro uma miocardiopatia dilatada.

SEGUEM AS HOMENAGENS.

Desde que a morte de 'El Pibe' foi noticiada, uma série de homenagens começaram a ser feitas em todo o planeta, desde iniciativas individuais, até outras realizadas por autoridades.

No último ano, apenas na Argentina, foram instalados diversos painéis tendo Maradona como motivo, foram inaugurados bustos e lançados livros sobre o ex-jogador.

Na Itália, o estádio San Paolo, onde brilhou com a camisa do Napoli, foi rebatizado como Diego Armando Maradona.

Neste mês de novembro, a Conmebol preparou uma série de homenagens ao camisa 10 argentino, em meio a realização das finais da Taça Libertadores masculina e da feminina, assim como da Copa Sul-Americana.

O deputado argentino, José Luis Gioja, por sua vez, apresentou um projeto de lei para declarar o dia 30 de outubro, data de nascimento do ex-jogador, como o Dia Nacional do Futebol. EFE

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