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Sobrevivente de tragédia da Chape e de acidente de ônibus se diz 'abençoado'

Erwin Tumiri, sobrevivente da tragédia da Chapecoense - Reprodução
Erwin Tumiri, sobrevivente da tragédia da Chapecoense Imagem: Reprodução

04/03/2021 07h58

O boliviano Erwin Tumiri, que sobreviveu ao desastre aéreo no qual morreu grande parte da delegação da Chapecoense que disputaria o primeiro jogo da final da Copa Sul-Americana de 2016, disse se sentir "muito abençoado" após sobreviver a outro acidente na última terça-feira, desta vez de ônibus e com saldo de 20 mortos.

Em entrevista à Agência Efe, Tumiri, que está internado em um hospital particular, lamentou as mortes ocorridas na queda do veículo de um barranco e disse sentir, "ao mesmo tempo, muita raiva", por não ser a primeira vez que a empresa de transportes se envolveu em um acidente do tipo.

"Pessoalmente, eu me sinto muito abençoado por Deus. Ele está sempre em minhas intenções, nos meus projetos", disse Tumiri, que é evangélico.

O desastre aéreo do dia 28 de novembro de 2016, no qual morreram 71 das 77 pessoas a bordo da aeronave da LaMia, mudou a vida de Tumiri, que revelou ter passado a valorizar mais a mãe e os amigos, dos quais recebeu apoio incondicional enquanto se recuperava.

"Desde o que aconteceu com o voo, vi que tenho bons amigos que estão sempre presentes. Valorizo todos eles", declarou o sobrevivente, que se tornou mais religioso desde então.

O sonho de voltar a trabalhar no setor aéreo se concretizou em fevereiro deste ano, quando foi aceito na estatal Direção-Geral de Aviação Civil (DGAC).

Novo acidente

O acidente mais recente está, de alguma forma, ligado ao novo emprego, já que Tumiri foi designado para a cidade de Chimoré, na zona central do Trópico de Cochabamba. O deslocamento que ele fazia era justamente para completar a sua transferência.

A viagem estava marcada para a noite, mas ele confessou que "não queria" estar no ônibus da empresa de transportes envolvida no acidente, porque parecia "velho".

Após decidir embarcar, ele colocou as bagagens com a ajuda do motorista, sentou-se, começou a ouvir música com fones de ouvido e adormeceu durante o percurso.

"Então as pessoas começaram a gritar. Diziam: 'Pare, pare!' Muita gente começou a chorar, a maioria mulheres. Larguei meu celular, me agarrei ao banco da frente e me inclinei para trás", descreveu, ao se lembrar da situação dentro do ônibus em alta velocidade.

Segundo ele, é provável que os freios do ônibus estivessem com defeito, porque o veículo estava em uma velocidade "extremamente alta", e o motorista não conseguia fazer nada para controlar a situação.

Tumiri está confiante que os ferimentos físicos vão sarar logo. Embora tenha dito estar com medo de entrar em um ônibus novamente, afirmou que fará "alguma coisa" para completar a transferência para Chimoré.

Além de trabalhar com o que gosta, o sobrevivente pretende ajudar pessoas necessitadas, como o povo indígena que viu nas ruas da capital boliviana, La Paz, quando buscava emprego.

"Decidi que eu os convidarei com o meu primeiro salário, é assim que eu me sinto", declarou.