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Futebol latino-americano se reinventou durante pandemia, analisam dirigentes

25/09/2020 20h39

Madri, 25 set (EFE).- A atenção às categorias de base, a criatividade para solucionar problemas econômicas e a necessidade de ferramentas de controle ou fair play financeiro são algumas das questões enfrentadas pelo futebol latino-americano, analisaram dirigentes de Colômbia, México e Chile no fórum virtual Soccerex Connected.

Após os efeitos de uma pandemia que paralisou o futebol do continente por quase seis meses, os clubes e federações latino-americanas tentaram ser "criativos" para manter o interesse pelo futebol sem que a bola rolasse, de acordo com os participantes da mesa-redonda.

"A pandemia fez a gente se reinventar. Nas seleções nacionais, foram organizadas concentrações virtuais com as equipes juvenis, o que permite aos treinadores não perder o contato com o jogador", disse o secretário-geral da Federação Mexicana de Futebol, Íñigo Riestra, que admitiu que a pandemia tirou 50% da renda da federação.

Juan Fernando Mejía, integrante da Federação Colombiana de Futebol, disse que as crises "trazem oportunidades", e que uma delas é "reinventar o sistema salarial e a estrutura de renda" após seis meses sem jogos, patrocínios e redução do faturamento pela televisão, além de olhar para as categorias de base.

"Com a pandemia, temos a oportunidade de inscrever mais jogadores, até 50, segundo a Conmebol, o que abre o caminho para que os jovens se tornem profissionais em menos tempo. Para a Colômbia, que é um país exportador, esta é, sem dúvida, uma oportunidade", analisou.

No entanto, Mejía pediu melhores condições para os clubes formadores diante da ascensão do futebol europeu, que busca jogadores cada vez mais jovens.

"Temos que começar a abrir as portas para que tenhamos uma porcentagem desses jogadores para que, quando eles forem revendidos, tenhamos um reinvestimento", opinou.

Do ponto de vista de um clube, o presidente da Universidad Católica do Chile, Juan Tagle, concordou que é "fundamental" remunerar melhor as equipes que formam talentos que futuramente triunfarão em outros lugares.

"Muitos jogadores chegam à Europa e existem mecanismos para melhorar a defesa dos direitos dos clubes formadores. Existem mecanismos de solidariedade de 5%, mas eles têm deficiências. No nível da Fifa e da Conmebol, temos que nos posicionar com firmeza em defesa deste patrimônio do futebol sul-americano, que é a formação de jogadores", argumentou.

O digirente chileno enfatizou a necessidade de o futebol sul-americano avançar em mecanismos de fair play financeiro.

"Estamos atrasados, há países onde as dívidas com jogadores estão se acumulando, há inflação de preços e muitos clubes não estão cumprindo", disse Tagle, que acredita que o progresso nesta área tornará o futebol latino-americano "mais competitivo".

Ambos os representantes das federações também expressaram o compromisso de suas instituições com o futebol feminino durante a mesa-redonda, que foi moderada pelo diretor de esportes da Agência Efe, Luis Villarejo.

"É um compromisso que lançamos há algum tempo, com a liga profissional, as equipes estão dando resultados, conseguimos um vice-campeonato mundial sub-17 e as meninas ainda estão fazendo um ótimo trabalho. O compromisso é de 100%, e se tivermos que injetar mais recursos, isso será feito", disse o secretário-geral da Federação Mexicana, Íñigo Riestra.

O representante da Federação Colombiana exigiu que o futebol mundial "motive mais o futebol feminino".

"Em nível olímpico e mundial, podemos ter muitos torcedores no futebol feminino", disse durante a mesa redonda que faz parte do fórum virtual da indústria do futebol Soccerex Connected.

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