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Ex-presidente do Barcelona será julgado a partir desta 2ª feira

24/02/2019 17h01

Madri, 24 fev (EFE).- Sandro Rosell, ex-presidente do Barcelona que está preso desde maio de 2017, será julgado a partir desta segunda-feira junto com a esposa e quatro outras pessoas pela lavagem de aproximadamente 20 milhões de euros da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), dos quais o empresário supostamente ficou com pelo menos 6,5 milhões.

Em recente entrevista à rádio catalã "RAC1", Rosell afirmou que teve dois anos de vida "roubados" por ser "100% inocente". O ex-dirigente encara neste julgamento um pedido da promotoria de 11 anos de prisão por lavagem de dinheiro e filiação a organização criminosa, além do pagamento de uma multa de 59 milhões de euros.

Também se sentará no banco dos réus a esposa de Rosell, Marta Pineda (que pode pegar sete anos de prisão), o advogado andorrano Joan Besolí (dez anos), o cidadão libanês Shahe Ohanneissian (7 anos) - amigo de Rosell - e outros dois supostos testas de ferro, Pedro Andrés Ramos e Josep Colomer, para os quais a promotoria pede oito e seis anos de prisão, respectivamente.

Rosell também tem pendente outro julgamento na Audiência Nacional por uma suposta fraude na contratação de Neymar à DIS, que tinha 40% dos direitos do jogador. O atual presidente do Barcelona, Josep Bartomeu, também está envolvido neste processo.

No caso que começará a ser julgado nesta segunda-feira os envolvidos são acusados de integrar uma organização criminosa que ocultou quase 20 milhões de euros de propina obtidos pelo ex-presidente da CBF entre 1989 e 2012, Ricardo Teixeira.

Mais precisamente, são 14,97 milhões em comissões ilegais pelos direitos de transmissão de 24 amistosos da seleção brasileira e outros 5 milhões de um contrato de patrocínio com Nike.

Rosell e a esposa receberam 6.580.000 euros dos amistosos e, com a colaboração de outros acusados, também ajudou a lavar parte da comissão de 5 milhões que recebeu por Teixeira do contrato com a Nike, segundo detalha a promotoria no texto de acusação.

De acordo com o documento, os acusados, "pelo menos desde o ano de 2006, formaram uma estrutura estável, reforçada por vínculos de amizade e parentesco, dedicada à lavagem de dinheiro em grande escala" e dirigida por Rosell, que era quem distribuía os papéis dentro da organização.

Ricardo Teixeira teria ficado com esse dinheiro em "claro abuso da sua posição e em prejuízo dos interesses da gestão que tinha" na CBF.

Em relação aos amistosos, o contrato para a sua realização foi assinado por Teixeira com a empresa árabe International Sports Events, sediada nas Ilhas Cayman e vinculada ao grupo saudita Dallah Albaraka Group, dirigida pelo xeque bilionário Saleh Kamel.

Rosell, segundo o promotor José Perals, recebeu 6,5 milhões de euros de comissão por essas partidas mediante cinco transferências feitas entre novembro de 2010 e janeiro de 2011 para contas na Espanha em seu nome e no da sua esposa, provenientes de contas da Suíça e da Arábia Saudita vinculadas ao xeque.

Em referência ao contrato de patrocínio da seleção brasileira assinado com a Nike, no qual uma empresa de Rosell (Ailanto) figurava como intermediária, consta uma série de operações em uma conta andorrana vinculada ao ex-presidente do Barcelona para ocultar o pagamento de 5 milhões de euros de propina.

Rosell alegou que esse dinheiro era a devolução a Teixeira de um empréstimo recebido em 2008, versão que não convence a promotoria, que lembra que parte desses 5 milhões (724 mil euros) foi parar com o ex-secretário geral da Fifa Jérôme Valcke, investigado por corrupção. EFE

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