PUBLICIDADE
Topo

Esporte

França vence a Copa com geração de astros e operários; Alemanha decepciona

22/12/2018 16h58

Redação Central, 22 dez (EFE).- Em um ano marcado nos torneios de seleções por fracassos surpreendentes da Alemanha, a França, 20 anos após tomar o planeta pela primeira vez, conquistou a Copa do Mundo disputada na Rússia graças a uma geração que inclui astros como Antoine Griezmann, Kylian Mbappé e Paul Pogba, e operários como N'Golo Kanté, Lucas Hernández, Olivier Giroud.

O torneio, além dos campeões invictos, teve o brilho de seleções de fora do seleto grupo de potências, formado por Brasil, Alemanha, Itália - que não disputou o Mundial - e Argentina. De maneira inédita, nenhum destes países alcançou a semifinal, fase que foi alcançada pela Croácia (que ficou com o vice), Bélgica e Inglaterra.

Comandados por Didier Deschamps, campeão em 1998 como jogador, a França não chegou a ser exuberante, mas confirmou a tendência de êxito no torneio graças ao equilíbrio em todos os setores, com destaques na defesa, meio e ataque, sem dependência exclusiva de atuações assombrosas de um único craque.

Enquanto a Argentina dependia de Lionel Messi, Portugal de Cristiano Ronaldo e o Brasil, até certo ponto, de Neymar, os 'Bleus' apostaram na solidez e no equilíbrio para que diferentes jogadores brilhassem em momentos distintos da competição.

Na fase de grupos, os franceses venceram sem brilho Austrália e Peru e, já classificados, empataram sem gols com a Dinamarca, garantindo o primeiro lugar do grupo C. O auge na Copa veio nas oitavas de final, em duelo eletrizante com a Argentina, que terminou com placar de 4 a 3, com direito a grande atuação de Mbappé.

O Uruguai foi a vítima nas quartas, após vitória dos comandados por Deschamps por 2 a 0. No duelo dos estilos "mais bonitos" do torneio, nas semis, a França mostrou pragmatismo e derrotou a Bélgica por 1 a 0, graças a gol do zagueiro Samuel Umtiti.

Na decisão, a desgastada Croácia lutou, mas não teve forças para superar Griezmann, Mbappé e companhia, que levaram a melhor por 4 a 2. Apenas na final de 1958, na qual o Brasil bateu a Suécia por 5 a 2 em Estolcomo, a rede balançou mais vezes. Houve outros três 4 a 2: para o Uruguai contra a Argentina, em 1930; a favor da Itália sobre a Hungria, em 1938; e para a Inglaterra sobre a Alemanha, em 1966.

Os croatas, que avançaram na primeira fase como líderes de chave que tinha os argentinos, com direito a vitória por 3 a 0 em Nizhny Novgorod, precisou passar por três prorrogações antes do jogo do título, para superar Dinamarca, Rússia (esses dois duelos, vencidos nos pênaltis), e Inglaterra.

Além disso, os vice-campeões mundiais, que superaram o terceiro lugar alcançado em 1998, tiveram o melhor jogador da Copa do Mundo, o meia Luka Modric, que ainda venceu no fim do ano o prêmio The Best, da Fifa, e a Bola de Ouro, entregue pela revista "France Football".

Os outros troféus individuais foram distribuídos da seguinte maneira: a Chuteira de Ouro, entregue ao artilheiro, foi para o inglês Harry Kane; a Luva de Ouro, de melhor goleiro, acabou vencida pelo belga Thibaut Courtois; e a revelação foi Mbappé.

Outro destaque na Copa do Mundo foi a Rússia, que chegou em crise ao Mundial, mas, a partir da goleada sobre a Arábia Saudita por 5 a 0, em Moscou, se transformou em "queridinha da torcida". Na segunda rodada, a vítima foi o Egito, de Mohamed Salah, por 3 a 1. Nem mesmo a derrota para o Uruguai por 3 a 0, esfriou os ânimos.

Nas oitavas de final, os anfitriões encararam a Espanha, que havia trocado de técnico às vésperas do torneio. Após empate em 1 a 1 no tempo normal, a vaga veio nos pênaltis por 4 a 3. Na sequência, a Croácia acabou se tornando algoz, em jogo que terminou 2 a 2, após 180 minutos, e os tiros da marca fatal voltaram a decidir.

Por outro lado, a grande decepção foi a Alemanha, que chegou ao Mundial na condição de detentora do título e saiu eliminada na primeira fase, com derrotas para México e Coreia do Sul. A única vitória foi sobre a Suécia, graças a um gol marcado pelo meia Toni Kroos aos 50 do segundo tempo.

Além da Copa do Mundo, o outro ponto alto do ano entre seleções foi a estreia da Liga das Nações, competição criada pela Uefa para substituir os amistosos, que já atraiu os olhares da Fifa, inclusive, que pensa em uma edição global, com formato semelhante.

As seleções europeias foram divididas em grupos, dentro de quatro diferentes divisões, com acesso e descenso entre elas. Os campeões das chaves da elite do torneio participariam de uma fase final, em junho do ano que vem, o que acabou valendo para Portugal, Inglaterra, Holanda e Suíça.

De tiro curto e colocando frente a frente equipes com níveis semelhantes, a competição foi recheada de emoção, especialmente, nas rodadas finais. Ao invés de jogos de ritmo morno, sem que houvesse grande interesse pela vitória, os torcedores puderam acompanhar verdadeiras batalhas.

Os holandeses, depois de fracassos recentes, renasceram e ficaram na frente de França e Alemanha, que completou o ano decepcionante sendo rebaixada. Os suíços arrancaram virada histórica sobre a Bélgica por 5 a 2 para ir ao 'Final Four'. Os ingleses ganharam "grupo maluco", que tinha Espanha e Croácia, que também caiu de divisão.

Além disso, Ucrânia, Suécia, Bósnia e Dinamarca conseguiram subir à elite. Enquanto seleções mais modestas como Geórgia, Belarus, Kosovo e Macedônia, ao vencerem os grupos da Liga D, o quarto nível do torneio, podem até sonhar com uma vaga na Eurocopa, já que poderão participar da repescagem para a competição.

A Concacaf também iniciou a disputa de sua Liga das Nações, no entanto, a competição teve apenas jogos por uma fase classificatória, que define as divisões que a maioria das seleções ficarão, já que Costa Rica, Estados Unidos, Honduras, México, Panamá e Trinidad e Tobago estão garantidos na elite. EFE

Esporte