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O brasileiro que calou Bombonera e Monumental de Nuñez no mesmo ano

AFP PHOTO/Daniel GARCIA
Imagem: AFP PHOTO/Daniel GARCIA

08/11/2018 20h47

Porto Alegre, 8 nov (EFE).- Poucos jogadores na história podem dizer que calaram La Bombonera o Monumental de Nuñez no mesmo ano e por equipes diferentes. Um deles é o ex-atacante Iarley, que primeiro ajudou o Paysandu a vencer o Boca Juniors na Argentina, e depois, pelo próprio Boca, marcou no superclássico contra o River Plate.

Pedrito, como o brasileiro ficou conhecido em Buenos Aires, atualmente trabalha na base do Internacional, pelo qual foi campeão da Copa Libertadores e do Mundial de Clubes em 2006. Ele ainda lembra com clareza do gol que fez pelo Boca na casa do River em 2003.

"Naquele dia, fui o melhor em campo. Vencemos por 2 a 0, com um gol do (Sebastián) Battaglia e outro meu, que até hoje é considerado um dos mais bonitos dos Superclássicos", disse o ex-atacante em entrevista à Agência Efe.

Iarley tinha sido contratado pelo Boca semanas antes devido a seu desempenho com a camisa do Paysandu contra os 'xeneizes'. O atacante marcou o gol da vitória do Papão por 1 a 0 em plena Bombonera, pelas oitavas de final da Libertadores de 2003, embora não tenha conseguido evitar a eliminação do time paraense, derrotado por 4 a 2 em Belém.

"Foi algo muito especial, jogar em um estádio tão importante do futebol mundial. Na época, o Boca era a equipe que mandava na Libertadores. Era muito respeitado, e uma equipe desconhecida ir lá e ganhar dentro da Bombonera foi um marco", contou.

Coroado rei da América após ter passado por Paysandu, Cobreloa, América de Cali e Santos no mata-mata, o clube de Buenos Aires não se esqueceu de seu carrasco e foi buscar para seu elenco o jogador formado na base do Ferroviário (CE) e que passou pela base do Real Madrid.

"Alguns dirigentes do Boca começaram a perguntar por mim porque gostaram bastante da minha atuação. Quando acabou a Libertadores, nós nos sentamos, o Boca mostrou interesse, aí fiquei livre e fechei com eles", disse.

O ex-jogador tinha quase 30 anos — "Tinha experiência, estava no momento adequado", afirma — e recebeu do técnico Carlos Bianchi a camisa 10, a mesma usada por Diego Maradona. "Foi uma alegria muito grande. Uma satisfação vestir uma camisa tão importante para o futebol argentino, a mítica de Maradona", lembrou.

"Bianchi viu que eu era um cara experiente, um jogador que não sentiria essa pressão, porque (Carlos) Tévez estava começando, era muito novinho. Schelotto (ex-atacante e atual técnico do Boca) tinha a 7, então estavam vagas a 9 e a 10. Tévez ficou com a 9, e Bianchi me deu a 10", acrescentou.

A decisão de dar a camisa de maior peso a um "brasileiro desconhecido", como ele mesmo disse, foi comentada por todo o mundo e questionada por alguns. Mas ele mesmo se encarregaria de acabar com essas dúvidas no melhor palco possível, o Monumental.

"(Rolando) Schiavi me mandou um cruzamento muito forte. (Ricardo) Rojas queria deixar a bola sair, mas eu o desarmei no corpo, bem perto da linha de lado. Fui para cima de (Horacio) Ameli dentro da área, pedalei, ameacei, cortei para dentro e chutei com o pé esquerdo rente à trave de (Franco) Costanzo. E aí começaram a gritar 'Olé, olé, olé, o irmão de Pelé!'. Foi muito louco", lembrou.

Iarley - AFP PHOTO/Yoshikazu TSUNO - AFP PHOTO/Yoshikazu TSUNO
Iarley levanta a taça do Mundial Interclubes de 2003, conquistado pelo Boca sobre o Milan
Imagem: AFP PHOTO/Yoshikazu TSUNO
Iarley ainda fez outro gol na campanha rumo ao título do Torneio Apertura de 2003, contra o San Lorenzo, e foi titular na conquista do título da Copa Intercontinental, contra o Milan, decidida nos pênaltis. No Japão, o ex-atacante superou três compatriotas que vestiam 'rossonero': o goleiro Dida, o lateral-direito Cafu e o meia Kaká.

"Eu corria bastante, me entregava bastante, e os outros brasileiros não tiveram tanto sucesso (na Argentina) porque tinham um estilo mais pausado, mais compassado. O meu era estilo argentino, aguerrido, gostava do choque corporal e isso me ajudou", analisou.

As lesões não deram trégua a Iarley em 2004. Ficou fora da polêmica semifinal da Libertadores, contra o River, decidida nos pênaltis, e só reapareceu na final, na qual o Boca foi derrotado pelo Once Caldas.

No mesmo ano, Iarley decidiu deixar o clube 'xeneize' e se transferir para o Dorados de Sinaloa, no México, onde teve o primeiro filho. Segundo ele, a situação na Argentina quanto a segurança não era favorável. "Havia muito sequestro e andávamos com escolta policial. Minha esposa estava grávida, e aonde íamos tínhamos a companhia de um policial. Todos os jogadores faziam isso, e financeiramente o país também não estava muito bem", justificou-se.

Apesar de ter ficado no clube por apenas um ano, o brasileiro leva o hexacampeão continental no coração e acredita na conquista do sétimo título, contra o River. "O Boca vai com tudo para a a final. Está pilhado e com muito desejo de vencer esta Libertadores, principalmente porque os jogos mais recentes contra o River não foram bons", comentou.

Boca e River dão início às finais da Libertadores às 18 horas (de Brasília) deste sábado (10), na Bombonera. A finalissima será no Monumental, no mesmo horário, no próximo dia 24.

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