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MPF investiga, e vice do Corinthians admite pagar propina a juiz federal

MPF apura suposto pagamento de vantagem indevida pra suspender débitos do clube - Rodrigo Coca/Ag. Corinthians
MPF apura suposto pagamento de vantagem indevida pra suspender débitos do clube Imagem: Rodrigo Coca/Ag. Corinthians

Rayssa Motta

Em São Paulo

05/08/2020 14h25Atualizada em 05/08/2020 15h38

O MPF (Ministério Público Federal) pediu autorização da Justiça para abrir inquérito para apurar se o Sport Club Corinthians Paulista pagou propinas ao juiz Leonardo Safi de Melo, da 21ª Vara Cível Federal em São Paulo, para obter levantamento de alvará em 2018.

De acordo com o MPF, as investigações preliminares ouviram o presidente e vice-presidente do clube,Andrés Navarro Sanchez e Alexandre Husni, entre outros representantes do clube: o advogado contratado, Juliano Di Pietro, e o diretor jurídico Fabio Souza Trubilhano. No contato com os promotores, foi confirmada a informação de que o clube recebeu pedido de propina, mas negou que membros de sua diretoria tenham feito qualquer pagamento.

Já o vice Husni admitiu o pagamento de propinas indevidas, mas em outro processo, do qual o clube não faz parte.

O pedido de investigação foi feito nos autos da denúncia apresentada pela Procuradoria contra o magistrado na segunda (3) por corrupção passiva, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

O 'Caso Corinthians', como descrito pelos procuradores no documento, está entre os pelo menos 18 processos em que foram encontrados indícios da atuação de uma organização criminosa, comandada pelo juiz, para venda de decisões e sentenças na Vara Federal.

'Juiz dos ingleses'

Leonardo Safi de Melo, que chegou a ser preso na Operação Westminster, está em liberdade monitorada. Segundo a Procuradoria, ele escolhia processos milionários, usava intermediários para se aproximar de uma das partes da ação e pedia uma 'comissão' para expedir precatórios.

Além do magistrado, o MPF denunciou o diretor da 21ª Vara Cível Federal em São Paulo, Divannir Ribeiro Barile, apontado com seu braço direito no esquema, o perito Tadeu Rodrigues Jordan que, segundo os investigadores, era escalado para analisar processos e tinha parte da remuneração desviada, e as advogadas Deise Mendroni de Menezes e Clarice Mendroni Cavalieri, que ajudariam a lavar o dinheiro através da simulação de contratos de prestação de serviços.

Lado do Corinthians

O clube emitiu comunicado hoje a respeito da denúncia do MPF contra o juiz federal Leonardo Safi de Melo:

Todos os esclarecimentos foram prestados perante à Policia Federal, confirmando a solicitação de vantagem indevida. Ademais, jamais se aceitou ou anuiu com essa solicitação.

Esclareça-se, ainda, que o processo que tramitava sob a jurisdição desse Magistrado teve desfecho desfavorável ao pretendido pelo clube, o que foi alvo de recurso. O Corinthians ou seus representantes jamais cometeram qualquer ilicitude e não compactuam com qualquer ato de corrupção.

E, por fim, esclareça-se que o depoimento do Vice-Presidente, Alexandre Husni, de que valores foram entregues aos servidores públicos investigados, se refere a processo de seu escritório movido contra os correios, sendo importante destacar que tal processo não tem relação alguma com o Clube. O SCCP reafirma seu repúdio à conduta dos servidores públicos envolvidos nesses crimes e se colocou inteiramente à disposição das autoridades para a efetiva apuração do ocorrido.

Lado dos envolvidos

O advogado Leonardo Massud, que defende o juiz Leonardo Safi de Melo, informou que vai se manifestar sobre a denúncia quando seu cliente for notificado oficialmente.

Os criminalistas Rubens de Oliveira e Rodrigo Carneiro Maia, que representam Deise, disseram que se "trata de denúncia recente, o qual esta defesa técnica ainda não teve conhecimento, bem como ainda não foi alvo de recepção pelo E. TRF-3".

Até a publicação desta matéria, a reportagem ainda buscava contato com os demais denunciados.

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