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Atletas argentinos do UFC exaltam legado e valor de Maradona em suas vidas

Carlos Antunes, no Rio de Janeiro (RJ)

Ag. Fight

01/12/2020 06h00

Na última quarta-feira (25), o mundo foi pego de surpresa com a morte de Diego Maradona. O ex-jogador de futebol sofreu uma parada cardiorrespiratória quando estava em sua residência na Argentina. Após a comoção mundial causada pela notícia, a reportagem da Ag. Fight entrou em contato com os lutadores argentinos que atuam no UFC, e eles rapidamente exaltaram a importância do craque em suas carreiras.

Principal nome do país no Ultimate e ex-integrante do top 10 do ranking categoria dos meio-médios (77 kg) da liga, Santiago Ponzinibbio ganhou notoriedade no MMA após sua participação no TUF Brasil 2, em 2013. O lutador, que nasceu em La Plata (ARG) e também em condições mais humildes, assim como 'El Pibe', destacou a personalidade forte de Maradona e como ele foi um marco na defesa dos mais pobres no país.

"Ele é ídolo, mas além do esporte. Ele é um ícone da Argentina. Ele não só mostrou que é possível sonhar e concretizá-los. Ele saiu de uma favela e conquistou o mundo. Ele é um trabalhador, esforçado. Ele não era só talento. Jogou com tornozelo quebrado, tinha coragem e garra diferenciada. O legado que ele deixou é muito além do esporte. De onde saiu e onde chegou. Ele sempre defendeu seus ideais mesmo que fosse contra o poder, um monte de coisas poderiam tê-lo favorecido se fosse uma pessoa mais quieta. Ele nunca se vendeu. Não estou dizendo que seus ideais eram certos ou errados, mas ele sempre lutou por eles contra gente mais poderosa. Ele tinha um temperamento forte, é um ídolo muito maior além do futebol", explicou o 'Argentino Gente Boa'.

Com sua personalidade forte e a genialidade com a bola nos pés, Maradona não foi capaz de parar uma guerra, como 'Pelé', mas teve um papel fundamental para levantar a autoestima do país após uma batalha. Em 1986, a Argentina eliminou a Inglaterra na Copa do Mundo realizada no México quatro anos depois dos sul-americanos perderem a Guerra das Malvinas para os rivais. Nesta partida, o ex-jogador fez dois gols, um deles após driblar metade do time rival e o outro com a icônica 'Mano de Dios'. Para Laureano Staropoli, meio-médio do UFC, a partida consolidou o status do atleta com seu povo.

"Maradona morreu no corpo, mas está no espírito com todos nós. Ele foi muito importante. Ele fez muita gente feliz, Argentina vinha de uma ditadura militar depois de perder a Guerra das Malvinas e ele deu muita felicidade para gente que havia perdido família, que era pobre. Povo argentino sempre foi dividido pela política, religião e ele uniu todo mundo. Ele é a união do povo argentino", disse o lutador da 'Chute Boxe/Diego Lima'.

No seu auge na carreira, no fim dos anos 80 e início dos 90, Maradona foi fundamental para os jovens argentinos que se espelhavam nele para chegar aos seus sonhos. Com 40 anos, Guido Cannetti, peso-galo (61 kg) do UFC, foi um deles - mas em um outro esporte. Apesar de ter tentado seguir carreira com a bola dos pés, o 'Ninja' preferiu a luta por influência familiar, mas sem esquecer os ensinamentos do eterno camisa 10.

"Para a minha carreira ele foi uma referência. Não era um lutador, mas sempre lutou pela Argentina, a colocou em um lugar querido e de destaque, com muita cabeça, coração, sarcasmo e segurança. Ele colocava uma equipe nas costas e conquistava o mundo. Sempre me espelhei no Maradona, sempre gostei dele por atravessar as adversidades. Dava a volta por cima sempre e eu tenho isso também. Não alcancei o que eu quero. Não sei se vou chegar, mas vou lutar para chegar e ser campeão", completou o lutador.

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