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McGregor encara Cerrone e abre as portas para duelo contra Pacquiao no boxe

Steve Marcus/Reuters
Imagem: Steve Marcus/Reuters

Natassia Del Frate, em Las Vegas (EUA)

Ag. Fight

18/01/2020 07h00

Apesar de ter seu retorno aos octógonos marcado para hoje, diante de Donald Cerrone, Conor McGregor não se furta de conjecturar sobre seu futuro. No media day do UFC 246, realizado na última quinta-feira (16) e que contou com a presença da Ag. Fight, o irlandês - que durante a semana pré-evento projetou seus próximos passos no Ultimate ao citar os nomes de Khabib Nurmagomedov, Tony Ferguson, Kamaru Usman e Jorge Masvidal como possíveis rivais - revelou que está disposto a se testar novamente no boxe profissional e que ainda sonha com um título mundial na nobre arte.

Em uma superluta entre as duas maiores estrelas de cada esporte, realizada em agosto de 2017, o ex-campeão peso-pena (66 kg) e peso-leve (70 kg) do UFC foi derrotado pelo pugilista multicampeão Floyd Mayweather em sua primeira experiência profissional na nobre arte. E, de acordo com o irlandês, uma revanche contra o americano ainda está em seus planos.

Além de uma possível revanche contra Mayweather, Conor também demonstrou interesse ao ser questionado sobre uma disputa contra Manny Pacquiao, outra grande estrela do boxe. Recentemente, Sean Gibbons - parceiro de negócios do filipino multicampeão - publicou em suas redes sociais um pôster fictício sugerindo uma luta entre McGregor e 'PacMan', e indicando o, ainda em construção, Allegiant Stadium, como local da peleja. O estádio, que promete acomodar mais de 60 mil pessoas, será a casa do Las Vegas Raiders, time da NFL (liga de futebol americano).

"Seria difícil deixar o MMA completamente. Eu acho que é um bom objetivo para se ter, sabe, conquistar um título mundial no boxe. Seria ótimo ser multicampeão mundial em duas classes de peso nas artes marciais mistas e depois conquistar um título mundial de boxe. É algo que eu sempre desejei, sonhar alto, mirar para as estrelas. E me mantendo ativo, com consistência e estrutura, eu posso fazer qualquer coisa, como eu já fiz. Eu certamente gostaria de uma revanche com Floyd (Mayweather), isso poderia muito bem acontecer neste ano. Eu sei que a (luta) com Manny está lá (pronta) para qualquer momento", declarou McGregor, antes de se aprofundar sobre uma possível luta contra Pacquiao no Allegiant Stadium, em Las Vegas (EUA).

"Esse é o novo estádio de futebol (americano), não é? Eu ficaria honrado de ser parte desse evento. Adoraria ser o primeiro combatente a lutar nessa arena. Que luta seria essa contra Manny (Pacquiao), certo? Um canhoto potente, pequeno. Eu teria que descobrir o peso (no qual a luta aconteceria) e esse tipo de coisas, mas é algo que me interessa, sem dúvidas", garantiu o ex-campeão do UFC.

Ainda que seu foco, caso volte a competir no boxe profissional, esteja em Mayweather e Pacquiao, Conor não descartou a possibilidade de encarar outro pugilista. No entanto, primeiro o irlandês terá que cumprir seu compromisso marcado para este sábado, contra Donald Cerrone, na luta principal do UFC 246, em Las Vegas (EUA). Na última vez que competiu no Ultimate, McGregor foi finalizado por Khabib Nurmagomedov em outubro de 2018, em luta válida pelo cinturão dos leves.

A luta de hoje

Após ser derrotado por Nurmagomedov, Conor McGregor viveu um verdadeiro inferno astral em sua vida pessoal. Durante grande parte do ano de 2019, o ex-campeão peso-pena (66 kg) e peso-leve (70 kg) do Ultimate viu seu nome ser mais envolvido em notícias sobre incidentes desagradáveis e problemas com a lei do que no âmbito esportivo. Porém, neste sábado (18), o lutador irlandês terá a oportunidade de deixar tudo isso para trás e reviver seus grandes momentos no MMA, ao enfrentar Cerrone em Las Vegas (EUA).

Pela briga generalizada após o confronto contra Khabib, causada pela intensa rivalidade cultivada entre os lutadores e suas equipes, Conor recebeu seis meses de suspensão retroativa, aplicada pela Comissão Atlética do Estado de Nevada. Inapto a competir durante os primeiros meses de 2019, o irlandês se envolveu em um incidente com um fã na Flórida no mês de março, que lhe rendeu algumas horas na cadeia até ser solto mediante ao pagamento de fiança, e agrediu um senhor de idade em um pub no seu país natal em abril, caso que foi resolvido apenas em novembro. Além disso, duas acusações separadas de abuso sexual contra ele, supostamente ocorridas na Irlanda, foram divulgadas pelo jornal 'The New York Times'.

Aparentemente disposto a recuperar sua carreira e deixar para trás, pelo menos no que se relaciona à sua vida pessoal, a imagem de 'bad boy', McGregor tem medido suas palavras na mídia e atividades nas redes sociais. Principal protagonista do UFC no que diz respeito ao lado financeiro, o retorno do ex-campeão à ativa é uma grande aposta da organização para movimentar ainda mais as divisões dos leves e dos meio-médios (77 kg), pela qual o combate contra Cerrone será válido, além de aumentar seu faturamento.

Caso vença seu compromisso deste sábado, o ex-campeão pode ter diversas opções na mesa para escolher seu próximo adversário. Além da revanche contra Khabib, já indicada como uma possibilidade por Dana White, McGregor poderia pleitear uma disputa contra Kamaru Usman, atual campeão da categoria até 77 kg, visando a conquista de seu terceiro título em três divisões diferentes pelo Ultimate. Ou até mesmo um duelo contra Jorge Masvidal, que viu sua popularidade crescer em 2019, após conseguir três expressivos triunfos, sobre Darren Till, Ben Askren e Nate Diaz, este último que lhe rendeu o cinturão 'BMF' (lutador 'mais durão').

Como grande certeza mesmo, está o fato de que o irlandês mira mais uma revolução no esporte. Seja com um terceiro cinturão do UFC, uma nova superluta de boxe ou recordes de vendas e de audiência, 'The Notorious' agora luta não apenas para se tornar um 'imortal' no esporte, mas também para fazer com que via pessoal não atrapalhe seus feitos nas artes marciais.

Coadjuvantes de luxo

'Cowboy' Cerrone recebe com este combate um prêmio por seus serviços prestados ao Ultimate. Um verdadeiro operário do esporte, o americano detém diversos recordes na organização, dentre eles o de maior número de lutas realizadas no octógono mais famoso do planeta, com 33 pelejas. Vindo de duas derrotas consecutivas, para Tony Ferguson e Justin Gaethje, respectivamente, o veterano busca surpreender o mundo e estragar os planos de McGregor e do UFC.

No co-main event do UFC 246, Holly Holm - ex-campeã peso-galo (61 kg) do Ultimate - busca retomar o caminho das vitórias contra Raquel Pennington. A veterana, de 38 anos, tenta evitar também uma aposentadoria forçada por parte da organização. Após sua última luta, na qual foi nocauteada por Amanda Nunes, em julho de 2019, a americana viu Dana White, presidente da liga, sugerir que ela pendurasse as luvas. Já Pennington - atual quinta colocada no ranking até 61 kg - busca seu segundo triunfo seguido, já que vem de resultado positivo sobre Irene Aldana.

O card principal do evento conta ainda com a presença de um brasileiro. O peso-leve Diego Ferreira, que vem de cinco triunfos consecutivos, mede forças contra o ex-campeão da divisão Anthony Pettis. Claudia Gadelha inicialmente estava escalada para o evento, em luta contra Alexa Grasso. Porém, sua adversária ficou 2,5 kg acima do limite tolerado pela categoria e 1,3 kg de diferença permitida pela Comissão, por isso essa disputa foi cancelada.

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